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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 21 Outubro, de 2014

Zona de exclusão aérea é passo prévio para a invasão da Síria

Miguel Angel González Claros

DESDE a noite de 22 de setembro, aviões de combate dos EUA estiveram atacando com mísseis e aviões não tripulados alguns alvos nos arredores de Ragga, cidade na zona norte da Síria, onde se encontra a sede do Estado Islâmico. Os ataques não foram autorizados pelo governo sírio, nem pelo Conselho de Segurança da ONU.

 Sabe-se que os EUA e seus aliados têm financiado, treinado e armado grupos rebeldes na Síria, incluindo o Estado Islâmico do Iraque e Síria (ISIS), com o fim de derrubar o governo de Bashar Al-Assad.

 Essa estratégia não funcionou e agora o ISIS deve ser banido através de bombardeios, mas a intervenção militar viola o direito internacional e a soberania territorial da Síria, O objetivo da “guerra contra o terror” de Obama não é derrubar o ISIS, mas sim os governos que descumprem as decisões de Washington.

 A administração de Barack Obama planeja estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre o nordeste da Síria. O objetivo seria desativar o sistema de defesa aéreo do governo sírio, através de ataques aéreos. Uma vez estabelecida a zona de exclusão, começaria a ser criada uma zona de amortecimento, administrada pela OTAN ao longo da fronteira turco-síria, que poderia ajudar a enviar forças terrestres estadunidenses à região, em 2015.

 A proposta serviria para realizar uma planificação estratégica ajudando a ofensiva rebelde a enfraquecer as forças militares do governo sírio.

A ideia de que os EUA necessitam uma zona de exclusão aérea contra um grupo de sunitas que não têm força aérea é ridícula.

 Os bombardeios norte-americanos provocaram a evacuação da cidade de Deir al-Zor por parte dos terroristas, dirigindo-se a outros povoados como Ayn El Arab (Kobane), provocando um aumento dramático de combatentes do Estado Islâmico numa cidade mais pequena, mas que está na fronteira com a Turquia.

 Tudo foi apenas um grande show e a capacidade do ISIS não se degradou, apesar dos bombardeios dos EUA e seus aliados.

 Com o objetivo de eliminar Al-Assad, que se revelou ser um grande obstáculo para os interesses geopolíticos do eixo anglo-estadunidense na região, e para enfraquecer a posição estratégica da Rússia, Washington necessita as forças da OTAN para eliminar as defensas aéreas sírias.

 Por essa razão, Ocidente lançou mão de suas forças delegadas do ISIS para destruir a base aérea de Ragga, no leste da Síria, com o fim de abrir metade do país a um ataque militar estadunidense.

 O exército sírio estava a ponto de voltar a tomar o controle de algumas refinarias controladas pelos yihadistas, esse era o caso em Dayr al-Zor. Os esquadrões da morte ajudados pela OTAN, foram apanhados quando a cidade estava a ponto de ser libertada por parte do governo sírio. Essa oportunidade se esvaiu como consequência dos ataques aéreos estadunidenses, que destruíram a infraestrutura da refinaria, onde a maior parte dos terroristas fugiu para outras áreas, depois de receber aviso prévio dos ataques, que causaram mais mortes de civis do que de partidários do ISIS.

 De fato, muitos destes homens rumaram para o norte da Síria, na fronteira com a Turquia, desse modo têm-se reforçado outros esquadrões da morte em seus esforços para reabrir as linhas de fornecimento a partir da Turquia.

 Obama prefere bombardear a infraestrutura para evitar que o governo retome o controle. A campanha de bombardeios dos EUA e seus aliados provoca a destruição de importantes regiões da Síria e deixará pouco de valor real para o exército sírio, caso consiga vencer as milícias do ISIS.

Na medida em que os EUA continuem atacando o governo sírio, surgem novos motivos para os ataques aéreos: não só a refinarias de petróleo, mas também armazéns de grãos, em Manbij, uma cidade de Alepo, onde se travaram intensos combates entre as forças do ISIS e o governo sírio. O ataque contra as instalações de grãos por parte das forças da OTAN e seus aliados é mais um exemplo de que os bombardeios na Síria não estão dirigidos a destruir as divisões do ISIS, mas são contra as forças governamentais, para evitar que voltem a tomar os recursos necessários para proporcioná-los a seus cidadãos ou a suas forças armadas.

PAPEL DO REGIME SIONISTA

 Israel tem dado atendimento médico e outros serviços aos terroristas. Nos últimos três meses, os cipaios transportaram dezenas de feridos através de uma linha de cessar–fogo que separa Israel da Síria, desde 1974, nas colinas do Golã. Quando chegam a Israel, recebem atendimento medico antes de serem enviados de retorno à Síria.

 Os ataques aéreos dos Estados Unidos e suas tentativas de criar uma “zona de segurança” dentro da Síria não são mais que uma farsa.

 Os bombardeios têm o objetivo de que Ragga fique nas mãos dos próprios terroristas que os EUA afirmam estarem atacando. A ideia seria que Ragga seja a “capital da oposição”, tal como Bengazi foi na Líbia.

 O ISIS já conseguiu muitos dos objetivos de Washington. O anterior presidente do Iraque, Nuri Al Maliki, foi substituído por um fantoche dos EUA que modificará o SOFA (Status of Forces Agreement, acordo para a retirada do exército dos EUA), permitindo eliminar um Estado unificado forte, que atue como país membro da resistência frente a Israel.

 A “guerra contra o ISIS” é só o último episódio da intervenção do imperialismo estadunidense no Oriente Médio. O desejo da Casa Branca é dominar a região, rica em combustíveis, e a preparação de novos ataques contra o Irã e os principais alvos de Washington: Rússia e a China.

(Fragmentos extraídos do La Haine)

 

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