Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 21 de Maio, de 2014

Por que aumenta o voto da extrema direita na Europa?

Ignacio Ramonet

UMA coisa é segura: as eleições européias de finais de maio significarão aumento notável do voto da extrema direita. E pela incorporação ao Parlamento Europeu de um número considerável de novos deputados da ultra direita. Atualmente, estes se concentram em dois grupos: o Movimento pela Europa das Liberdades e da Democracia (MELD) e a Aliança Europeia dos Movimentos Nacionais (AEMN). Entre os dois somam 47 deputados europeus, apenas 6% das 766 cadeiras. Quantos serão depois de 25 de maio? O duplo? Por acaso suficientes para bloquear as decisões do Parlamento Europeu e, por conseguinte, o funcionamento da União Européia (UE)?

Acontece que, há vários anos e nomeadamente desde que se agravou a crise da democracia participativa, o desastre social e a desconfiança com a UE, quase todas as eleições nos Estados da União Européia se traduzem num irresistível aumento dos votos da extrema direita. Enquetes recentes confirmam que nas próximas eleições européias poderia aumentar o número dos representantes dos partidos ultras: Partido pela Independência do Reino Unido, UKIP (Reino Unido); Partido da Liberdade, FPO (Áustria); Jobbik (Hungria); Amanhecer Dourado (Grécia); Liga Norte (Itália); Verdadeiros Finlandeses (Finlândia); Vlaams Belang (Bélgica); Partido da Liberdade, PVV (Países Baixos); Partido do Povo Dinamarquês, DF (Dinamarca); Democratas da Suécia, DS (Suécia); Partido nacional Eslovaco, SNS (Eslováquia); Partido da Ordem e a Justiça, TT (Lituânia); Ataka (Bulgária); partido da Grã Romênia, PRM (Romênia); e Partido Nacional-Democrata, NPD (Alemanha).

Na Espanha, onde a extrema direita esteve no poder mais tempo que em nenhum outro país europeu (de 1939 a 1975) esta corrente tem hoje pouca representatividade. Nas eleições de 2009 ao Parlamento Europeu somente obteve 69.164 votos (0,43% dos votos validos). Embora, normalmente, aproximadamente 2% dos espanhóis se declarasse de extrema direita, o que equivale a uns 650 mil cidadãos.

Em janeiro passado, uns dissidentes do Partido Popular (PP, conservador) fundaram Vox, partido situado "à direita da direita", que, com gíria franquista, rejeita o "Estado partitocrático", defende o patriotismo e exige "o fim do Estado das autonomias" e a proibição do aborto.

Herdeiras da extrema direita tradicional, quatro formações ultras — Democracia Nacional, La Falange, Aliança Nacional e Nudo Patriota Espanhol — reunidas na plataforma "Espanha em marcha", assinaram um acordo, dezembro de 2013, para apresentar-se nas eleições européias. Aspiram a conseguir um deputado europeu.

Mas o movimento de extrema direita mais importante da Espanha é Plataforma per Catalunha (PxC), que tem 67 vereadores. Seu líder, Josep Anglada, define PxC como "um partido com identidade, transversal e de forte conteúdo social" mas com uma difícil posição anti-imigrantes: "Dia após dia, na Espanha — afirma Anglada — aumenta a insegurança da cidadania, e grande parte dessa situação e do crime é culpa dos imigrantes. Defendemos que cada povo tem direito a viver segundo seus costumes e identidade em seus próprios países. Precisamente por isso, não aceitamos os imigrantes islâmicos ou de qualquer outro lugar extra europeu".

Sobre a França, nas eleições municipais de março passado, a Frente Nacional (FN), presidida por Marine Lê Pen, ganhou as prefeituras de uma dúzia de grandes cidades.
 

IMPRIMIR ESTE MATERIAL


Diretor Geral: Pelayo Terry Cuervo. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/

  Inglês | Francês | Espanhol | Alemão | Italiano | Só TEXTO
Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

© Copyright. 1996-2013. Todos os direitos reservados. GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL

Subir