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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 21 de Maio, de 2014

Nigéria, o terrorismo e as eleições

Sam Olukoya

LAGOS, Nigéria.— Os nigerianos começam a aceitar uma realidade onde em cada esquina pode aparecer um terrorista suicida, graças ao contrabando constante de armas sofisticadas que entram ao país pelas fronteiras da África ocidental.

O primo de Ngupar Kemzy, Andy Nepli, 32 anos, disse-lhe que tinha previsto passar as férias da Páscoa cristã com ele.

Porém, dois dias depois, em 14 de abril, Nepli tornou-se uma das 75 pessoas que morreram, por causa de duas explosões potentes, num terminal rodoviário, lotado de pessoas em Nyanya, um subúrbio de Abuja.

Os corpos ficaram tão destroçados que foi muito difícil a identificação de muitas das vítimas.

Nessa mesma noite, 129 jovens foram sequestradas numa escola pública de ensino secundário, em Chibok, no estado de Borno, no nordeste do país. Até agora, um total de 44 conseguiram fugir ou foram libertadas, enquanto o resto permanece desaparecido.

Boko Haram, organização que emprega a violência para instalar um regime islâmico na Nigéria, atribuiu-se a responsabilidade pelo atentado. Também é responsável pelo sequestro das jovens.

O grupo extremista lança mão de bombardeios, sequestros, queima aldeias inteiras e assassina seus moradores, como parte de sua estratégia.

Boko Haram opera principalmente no nordeste da Nigéria e se pensa que tem vínculos com a rede extremista Al Qaeda, no Magreb islâmico, e com seu aliado na Somália, Al Shabaab.

Além da insurgência fundamentalista islâmica, outros grupos étnicos armados também operam no centro da Nigéria.

A crise acirrou quando os agressores passaram de utilizar paus, machados, garrotes e espingardas a armas mais letais e avançadas, como metralhadoras, granadas e mísseis.

"Os que utilizam estas armas modernas adquiriram uma audácia que jamais teria sido possível com outras mais rudimentares", afirmou Steve Obodokwe, do Centro para o Meio Ambiente, os Direitos Humanos e o Desenvolvimento.

"Com estas armas modernas, os grupos armados são capazes de reunir a coragem necessária para atacar, inclusive, os quartéis militares", disse.

Pensa-se que o contrabando de armas tem sido possível em consequência dos conflitos armados em países como Líbia e Mali.

O ex-ministro da Defesa da Nigéria, Olusola Obada, declarou que parte das armas foram tiradas dos arsenais da Líbia, durante a crise de 2011, que terminou com o assassinato do líder Muammar Gadafi, no poder desde 1969.

Também se pensa que algumas das armas, especialmente as que utilizou Boko Haram, entraram na Nigéria através da rede Al Qaeda.

"Não seria insensato sugerir que algumas das armas na Nigéria foram facilitadas por grupos islâmicos na Somália e Mali", assinalou Obodokwe.

Com seus vínculos com Al Qaeda e com o fornecimento destas armas, esta organização realizou ações terroristas de alto perfil na Nigéria, como os ataques contra bases militares e os atentados com bomba, em 2011, contra esquadras da polícia nacional e edifícios das Nações Unidas em Abuja.

"O sucesso de Boko Haram alentou outros grupos a tomarem as armas contra seus inimigos, sabendo que as forças de segurança são incapazes de detê-los", afirmou o coordenador nacional da rede para a pacificação da África ocidental, Ifeanyi Okechukwu, que trabalha com organizações internacionais para impedir os conflitos armados.

O International Crisis Group, organização independente que trabalha pela paz, afirma que somente a insurgência de Boko Haram provocou "o deslocamento de cerca de 0,5 milhão de pessoas, destruiu centenas de escolas e edifícios do governo e arruinou a já devastada economia do nordeste, uma das zonas mais pobres da Nigéria".

Esta organização teme que a insurgência se espalhe "a outras partes do norte e chegue ao Níger e aos Camarões, países fracos e mal equipados para combater um grupo islâmico radical armado".

Alguns nigerianos começam a perder a fé na capacidade das forças de segurança para deter Boko Haram e outros grupos extremistas. Mas o governo afirma que vai vencer a guerra contra o terrorismo.

"O terror não vai impedir que a Nigéria atue. Os terroristas e aqueles que os patrocinam não vão impedir que este país atue", declarou o presidente do país, Goodluck Jonathan, durante um encontro político, um dia depois dos atentados no terminal rodoviário de Abuja.

No ano próximo, a Nigéria celebrará eleições gerais.

Neste país, a campanha eleitoral se caracteriza por políticos que armam seus partidários na busca do poder. Mas com tantos grupos armados e armas de fogo ilegais em circulação, a preparação para as eleições de 2015 poderia chegar a ser demasiado para a Nigéria. (Fragmentos extraídos da IPS)
 

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