Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 20 de Março, de 2014

Vladimir Putin assina decreto para oficializar adesão da Crimeia à Rússia

CRIMEIA já faz parte da Rússia. Assim foi oficializado, depois que em 18 de março o presidente russo, Vladimir Putin e os líderes da Crimeia e Sebastopol assinassem no Kremlin um acordo bilateral para a adesão da “nova república independente” e sua cidade como parte da Federação Russa.

Na ocasião, o chefe de Estado da nação euroasiática afirmou que Crimeia é “terra santa russa”. “Tudo tem um limite” e Washington “o transgrediu” na Ucrânia, assinalou, acusando-o de estar acostumado a atuar segundo a lei do mais forte, se referindo ao apoio da Casa Branca e do ocidente ao regime de fato instaurado pela força em Kiev.

Putin pediu ao Parlamento, aos governadores e aos membros do governo para adotarem uma normativa para acelerar o processo: “proponho à Assembleia federal — as duas câmaras do Parlamento russo — que adote uma lei para incorporar na Federação Russa duas novas entidades, Crimeia e a cidade de Sebastopol”, disse o presidente russo.

Segundo alguns meios jornalísticos, o decreto assinado pelo presidente russo começou a reger de forma imediata e inclui um reconhecimento para o “status autônomo especial” de Sebastopol, a cidade onde a Rússia tem sua frota do mar Preto.

A assinatura teve lugar em cerimônia solene ante o pleno do Parlamento russo e os chefes de todas as regiões russas, reunidos na Sala San Jorge do Grande Palácio do Kremlin.

ALGUNS DADOS PARA COMPREENDER A CRIMEIA

1. Apesar de fazer parte da Ucrânia, a maioria dos cidadãos da Crimeia é de origem russa. Segundo o último censo demográfico nacional de 2001, a composição da população é a seguinte: 58% russos, 32% ucranianos e 10% tártaros.

2. Em Sevastopol, a cidade mais importante da Crimeia, Rússia tem a base de sua frota do mar Negro. Segundo o último acordo assinado com o governo ucraniano, Rússia manteria esse porto até pelo menos o ano 2042. “Rússia jamais, jamais abandonará Sevastopol”, expressava há dois anos o comandante da frota russa do mar Negro, Igor Kasatonov. Por razões geoestratégicas, a Rússia não está disposta a perder a base de Sevastopol.

3. Dentro da Ucrânia, Crimeia é uma região autônoma com sua própria Constituição. Nas últimas eleições presidenciais, Crimeia votou majoritariamente em Viktor Yanukovich, o presidente que teve que fugir há uns dias de Kiev, devido a um levante armado fascista, apoiado pelo governo dos EUA e pelas potências da Europa Ocidental.

4. Os tártaros constituíram durante séculos a maioria da população da Crimeia. Na Segunda Guerra Mundial, uns 20 mil tártaros colaboraram com o exército nazista (enquanto outros milhares lutavam nas fileiras do exército soviético). Stalin acusou o povo tártaro de “colaboracionismo” e em maio de 1944 ordenou sua deportação para as estepes de Uzbequistão. Em 1947, já não havia tártaros na Crimeia. Após o colapso da União Soviética, muitos tártaros retornaram do Uzbequistão para a Crimeia.

5. A Crimeia, com maioria tártara, fez parte da Rússia desde 1774. Em 1954, o líder soviético na época, Nikita Kruschev, transferiu Crimeia para a República Socialista Soviética da Ucrânia. A decisão foi muito polêmica em Moscou. Durante sua carreira como político, Kruschev tinha ascendido através das fileiras do Partido Comunista Ucraniano.

6. Em uma enquête realizada há dois anos na Rússia, 70% dos cidadãos russos consideravam Crimeia como parte de seu país. Em comparação, somente 30% considerava Tchetchênia parte da Rússia. (Curiosamente, a Tchetchênia faz parte da Rússia, enquanto a Crimeia faz parte da Ucrânia).

As minorias ucraniana e tártaras apoiam o governo ucraniano de fato e exigem continuar integrados na Ucrânia.

 

RECUADRO...

 • COM 100% dos votos contados, “o número dos votos dos participantes do referendo que apoiaram a adesão à Rússia, com os direitos da Federação Russa, foi de 1.233.002, isto é, 96,77% dos votantes”, disse o chefe da comissão do referendo na Crimeia, Mikhail Malyshev, ao resumir os resultados finais do referendo.

 A participação final foi de 1.274.096 pessoas, o que representa 83,1% dos votantes. Somente 2,51% dos participantes apoiou a permanência na Ucrânia.

 No escrutínio de Sevastopol, segundo o chefe da comissão eleitoral da cidade, Valeri Medvédev, 95,6% dos votantes se expressaram a favor da reintegração na Federação da Rússia. Em Sevastopol, 89,5% dos eleitores participaram do referendo.

 Com certeza, a aspiração da Crimeia de querer separar-se da Ucrânia está desmontando o plano dos EUA e das potências ocidentais de tomar o controle do país mais importante para a segurança nacional russa.

 A gravidade da situação reside em que está em jogo, nada mais nada menos, que o controle da Eurásia, questão que o estrategista britânico Sir Mackinder chamou de The Hertland (O coração do mundo), imprescindível para controlar o mundo.

OBAMA ANUNCIA SANÇÕES DERIVADAS DO REFERENDO DA CRIMEIA

 O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou sanções contra sete funcionários russos, após os resultados do referendo de domingo (16), na Crimeia.

 Os funcionários são Vladislav Surkov (ajudante do presidente da Federação Russa), Sergey Glázyev (conselheiro presidencial); Leonid Slutsky (deputado da Duma Estatal); Andrei Klishas (presidente do Comitê de Direito Constitucional, Assuntos Jurídicos e Judiciais e de Desenvolvimento da Sociedade Civil, do Conselho da Federação da Rússia); Valentina Matviyenko (porta-voz do Conselho da Federação); Dimitry Rogozin (primeiro-ministro russo) e Yelena Mizúlina (deputada da Duma Estatal).

 Ainda, também foram impostas sanções ao primeiro-ministro da Crimeia, Serguéi Aksiónov; ao presidente do Parlamento, Vladimir Konstantinov e ao presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukóvich.

 A medida supõe o bloqueio de propriedades e contas que os sancionados tenham nos EUA, bem como a proibição de entrar no território norte-americano.

 Os ministros dos Assuntos Exteriores da União Européia também acordaram sancionar 21 dirigentes russos e ucranianos pelo referendo de independência da Crimeia.

 Por sua vez, o primeiro-ministro russo, Dmitri Rogozin, incluído na relação, não demorou em reagir, através do Twiter, com a seguinte mensagem: “Senhor Obama, o que deveríamos fazer aqueles que não temos contas nem propriedades no estrangeiro? Ou será que não pensou nisso? (SE)

 

IMPRIMIR ESTE MATERIAL


Diretor Geral: Pelayo Terry Cuervo. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/

  Inglês | Francês | Espanhol | Alemão | Italiano | Só TEXTO
Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

© Copyright. 1996-2013. Todos os direitos reservados. GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL

Subir