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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 17 de Junho, de 2014

Poroshenko presidente da
Ucrânia toda?


Odalys Buscarón Ochoa

O novo presidente ucraniano, Pior Poroshenko, jurou pela unidade de um país dividido, em guerra e com uma parte de seus habitantes submetidos pela força dos bombardeios e a persecução a uma ordem imposta do ocidente.

Poroshenko ocupou vários postos em diferentes governos e foi um dos oligarcas que financiou as revoltas anti-governamentais em Kiev que terminaram no golpe de Estado contra o presidente legítimo, Viktor Yanuókovich, em fevereiro passado.

Apresentou-se como candidato independente, mas tornou evidentes suas preferências pela junta golpista de estreita colaboração com os Estados Unidos, por sua cumplicidade com os setores fascistas e por uma resposta de força ante o descontentamento e rebeldia das regiões orientais pela federalização.

Para o prefeito popular de Slavyansk, no norte de Donetsk, Vvacheslav Ponomariov, Poroshenko é homem de mentiras, pessoa em quem não se pode confiar.

Considero que não há nada que conversar com ele, respondeu Ponomariov em reação à promessa de Poroshenko de dialogar com “os representantes pacíficos de Donbass”. Também acrescentou que nesse território ninguém apóia o presidente milionário.

Segundo a revista Forbes, a fortuna declarada do chamado rei do chocolate ascende a US$1,3 bilhão.

Em Donetsk, o primeiro-ministro da República Popular homônima, Alexender Borodai, disse aos jornalistas que Poroshenko “é o presidente de outro Estado e seus pronunciamentos sobre o futuro de uma Ucrânia unida e do ucraniano como única língua estatal” não interessem aos líderes dessa nova entidade político territorial.

Borodai lembrou que em 11 de maio, após o apoio contundente à alternativa de independência no referendo, a República Popular tornou-se Estado soberano.

Kiev, tal como os Estados Unidos e a União Europeia, não reconhecem as consultas efetuadas em Donetsk e Lugansk, onde o sim obteve mais de 90% do apoio. Também existe reticência desde o poder ao projeto de federalização para a Ucrânia, como solução ao conflito interno.

Os líderes das regiões rebeldes afirmam que qualquer variante de negociação passa primeiro pelo cessar das ações combativas e a retirada das forças regulares e dos comandos repressivos desses territórios.

Ao proclamar-se vencedor nas eleições presidenciais, Poroshenko exigiu aos militares “limpar” as citadas regiões antes da posse, em 7 de junho passado.

“Esta é nossa terra, e nossa crença a ortodoxia, temos um modo de vida, o mesmo dos nossos avós, O povo deve sentir-se livre. Não vamos entregar a cidade a ninguém”, afirmou o prefeito de Slavyansk.

Para o líder do movimento alternativo sudeste e deputado Oleg Tsariov, o novo presidente não tem capacidade para dialogar com os habitantes do oriente.

Sábado, 7 de junho, começou com bombardeios intensos e combates em Slavyansk e durante seu primeiro discurso como chefe de Estado, Poroshenko não deu nenhuma ordem para deter a operação de castigo, declarou Tsariov ao canal Rossia 24.

O político opositor advertiu, perseguido pelo regime de Kiev, que desde sua posse, Poroshenko assume juridicamente toda a responsabilidade pelas consequências da operação militar-policial, que as autoridades ucranianas iniciaram desde meados de abril contra o sudeste do país.

Ele deve condenar as ações do governo anterior, qualificá-las de criminosas e investigá-las. Somente sob estas condições começariam então as consultas sobre um possível dialogo, salientou o político despojado da imunidade parlamentar pela nova maioria legislativa.

Em uma entrevista recente ao jornal russo Izvestia, Tsariov disse que suas denuncias sobre os fascistas usurpadores do poder e sobre seus crimes resultaram irritantes aos governantes ucranianos.

Por tal motivo, lembrou, queimaram minha casa, meu escritório de deputado e me espojaram do status e imunidade parlamentar e além disso, me querem arrestar.

Opinou que o poder atual perdeu influência e desde sua impotência, adota todo tipo de medidas. Em sua opinião, Poroshenko não estará muito tempo no poder.

Também não os pronunciamentos do novo presidente tiveram boa aceitação em Lugansk.

O presidente da República Popular, Valeri Bólotov, declarou ao serviço russo de notícias que as promessas de Poroshenko também suscitavam desconfiança entre os dirigentes e povoadores, submetidos aos bombardeios.

Sem dúvida, uma economia que despenca, descontentamento social e polarização crescente no país pelas ações repressivas do poder central, além de uma guerra fratricida, restam possibilidades para uma rápida solução da crise ucraniana, com o quinto presidente como timoneiro. (PL)

 

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