Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 17 de Junho, de 2014

Quando um império declina

Manuel E. Yepe

PARA um império nunca é fácil administrar a declinação de sua presença global. Não o foi para o Reino Unido nem para a França depois da Segunda Guerra Mundial; também não para a Rússia quando o colapso da União Soviética. A nova estratégia militar de Washington reflete uma sombria situação interna e externa nos Estados Unidos.

Isso acha o professor do New Hampshire College, em Amherst (Massachusetts), Michael Klare e assim o expressa no seu ensaio intitulado “Nova estratégia militar norte-americana”, publicado em março deste ano por Le Monde Diplomatique.

Há dois anos, Barack Obama anunciou uma nova estratégia de defesa para os Estados Unidos que incluía uma redução das dimensões de seu exército, o incremento dos preparativos para a ciberguerra, as operações especiais e o controle dos mares; a redução das missões de mecanizados terrestres de combate na Europa e as operações contra-guerrilheiras no Afeganistão e Paquistão, bem como concentrar a atenção de sua defesa na Ásia e no Pacífico, e com a China na mira.

O secretário de Defesa, Leon Panetta, anunciou então que a força inter-aliada estadunidense seria aperfeiçoada tecnologicamente para fazer-se mais ágil, flexível, inovadora e capaz de desdobrar-se rapidamente.

Segundo Michael Klare isto demonstra que a crise econômica e a dívida pública tem debilitado até tal ponto os Estados Unidos que os fizeram explodir.

Em virtude da Ata de Controle do Orçamento de 2011, o orçamento do Departamento de Defesa será cortado em US$487 bilhões no decurso dos próximos dez anos. E é possível que haja cortes mais importantes ainda, se republicanos e democratas não se põem de acordo sobre outras medidas econômicas. Esta política, que parece vai constituir uma força militar mais restringida porém melhor adaptada a futuros perigos potenciais, pode entender-se como resposta pragmática ao contexto econômico e geopolítico em transformação.

Klare estima que os EUA, ante o surgimento de contrários ambiciosos e com o inevitável desgaste de seu status de superpotência única, querem perpetuar sua supremacia mundial mantendo superioridade nos conflitos decisivos e nas zonas mais importantes do planeta; segundo seu critério, na periferia marítima da Ásia, segundo um arco que se estende desde o Golfo Pérsico até o oceano índico, o mar da China e o noroeste do Pacífico.

Para isto, o Pentágono se dedicará a conservar sua superioridade por ar e mar, bem como o domínio da ciberguerra e da tecnologia especial.

O contra-terrorismo, que é um aspecto central da política de defesa estadunidense, será delegado em grande parte às forças de elite, equipadas com drones de combate e material muito moderno. Mas não por isto o Pentágono tem a intenção de abandonar seus “compromissos” militares no estrangeiro. Sua nova política de defesa elege, segundo Klare, a via de reduzir sua implicação nalgumas regiões, particularmente na Europa, e reforçar sua presença em outras.

Durante um discurso em Washington, em novembro de 2011, o secretário de Estado adjunto William J. Burns assinalava que “No decurso das próximas décadas, o Pacífico será a parte mais dinâmica e importante para os interesses de Washington. Para responder a estas mudanças na Ásia, devemos desenvolver uma arquitetura diplomática, econômica e de seguridade que possa estar à altura destas mudanças”.

Como parte desta estratégia, que tem como objetivo contra-restar a ascensão da China e sua influência no sudeste asiático, a Casa Branca intensifica a promoção do Comércio com a Ásia e milita ferventemente a favor dum Acordo Estratégico Trans-Pacífico de Associação Econômica (TPP) que exclua a China.

Segundo os EUA, a prosperidade de seus aliados na Ásia depende da liberdade de acesso que Washington tenha no Pacífico e no oceano Índico, condição indispensável para importar deles matérias-primas (especialmente petróleo) e exportar-lhes seus produtos manufaturados.

O Pentágono espera, com este projeto geopolítico, uma transformação do exército estadunidense que aumentará seu peso institucional e concentrará sua presença, a projeção de seu poder e sua força de “dissuadir” em Ásia-Pacífico.

Os Estados Unidos também querem investir somas consideráveis em armas destinadas a contra-restar estratégias irregulares de inimigos potenciais que utilizem “meios assimétricos” para vencer ou imobilizar as tropas estadunidenses.

Peculiar ação de um império em decadência que, em cruel esforço para manter sua vigência como superpotência única no mundo que chegou a ser, não se resigna a soluções não violentas que sejam compatíveis com as normas do direito internacional que garantem a igualdade soberana dos Estados. (Fragmentos extraídos da Argenpress)

 

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