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Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 16 de Julho, de 2014

A necessária e justa independência
do Saara Ocidental

Ernesto Gómez Abascal

NESTE ano foi comemorado o 41º aniversário do início da luta da Frente Polisária contra a ocupação ilegal de seu território por parte da monarquia marroquina.

Apesar de que a luta do povo saaraui data de muito antes, foi em maio de 1973 quando se constituiu a Frente Polisaria e começaram de forma organizada os combates pela independência nacional.

O colonialismo espanhol, depois de ter sido derrotado em Cuba, em 1898, ocupou esse território — conhecido como Saguia el Hamra e Rio de Ouro — quase totalmente desértico no nordeste africano, com escassa população, fundamentalmente nômade, mas muito rica em fosfato e com um apetecível banco pesqueiro frente a suas costas, dentro de suas águas territoriais.

A Espanha, segundo o ditame da Comissão de Descolonização da ONU, devia ter iniciado, no início dos anos 70, o processo de autodeterminação com a população do território, para pôr fim a sua condição colonial; mas interesses políticos reacionários determinaram que o entregasse, em sua maior parte, à ambiciosa e expansionista monarquia marroquina, e uma porção sulista ao governo da Mauritânia, o qual, pouco tempo depois renunciou a ela, devido a sua incapacidade de resistir a guerra que travavam os saarauis. Marrocos ficou com todo o território e promovendo uma demagógica campanha que chamou "a marcha verde", lançou dezenas de milhares de seus cidadãos para colonizá-lo.

O processo de autodeterminação continuou até os nossos dias, pendente de executar pela ONU e os sucessivos governos da Espanha, comprometidos com interesses econômicos dos marroquinos e de outros países da OTAN, especialmente a França, longe de atuar para que este seja aplicado, têm posto todo tipo de obstáculos ao obrigatório procedimento. Boa parte do povo saaraui mantém-se refugiado em acampamentos em territórios argelinos, vivendo em condições desumanas ou em uma faixa do território libertado após um imenso muro militarizado e minado com todo tipo de explosivos, construído pelos ocupantes.

A monarquia, tal como os sionistas de Israel, não só ocupa ilegalmente território alheio, mas também tentou expandir-se e tomar territórios argelinos e mauritanos. Recém obtida a independência da França, depois de anos de lutas, a Argélia teve que enfrentar, em 1962, as tentativas marroquinas de apoderar-se de uma parte de seu território. Naquela ocasião, um regimento de tanques cubanos foi enviado para ajudar os irmãos argelinos a deter a ilegal agressão.

Antes da ocupação marroquina do Saara Ocidental, uma delegação da ONU percorreu o território e se entrevistou com seus habitantes, bem como com autoridades de países fronteiriços, constatando, tal como expressou em seu relatório, que o povo saaraui se pronunciava claramente pela independência total e não por sua anexação a nenhum de seus vizinhos.

Contudo, Marrocos o invadiu ilegalmente e obrigou boa parte da população a refugiar-se no deserto e na região adjacente da Argélia, sem outra alternativa que iniciar a luta pela libertação nacional.

Tal como tem acontecido com a ilegal ocupação da Palestina, as potências ocidentais praticam a dúbia moral neste caso. As autoridades de Rabat realizam todo tipo e violações, reprimem e massacram o povo patriota saaraui, mantêm centenas de prisioneiros em condições desumanas, torturam e desaparecem seus cidadãos. Mas não são levados a tribunais internacionais nem a comissões de direitos humanos. Marrocos tampouco aparece nas famosas e hipócritas listas que publica o Departamento de Estado. Tudo ao contrário, recebem ajuda de seus aliados e de seus amos, incluído armamento moderno. Logicamente, a "grande imprensa ocidental" passa por alto o que acontece no Saara ocidental.

Em boa medida, foi por ali por onde começou, em novembro de 2010, a denominada "primavera árabe" quando as manifestações populares se iniciaram ou as promoveram em outros países da região. Num grande acampamento de tendas, Gdeim Izik, nos arredores da cidade de El Aiun, milhares de saarauis que exigiam liberdade e independência, incluídas mulheres, anciãos e crianças, foram brutalmente atacados por militares e forças de segurança marroquinas, com um saldo desconhecido até hoje de mortos, feridos e desaparecidos.

A repressão contra a decisão de independência do povo saaraui é permanente. Os hipócritas das potências ocidentais e sua imprensa, estão muito ocupados observando e inventando o que eles dizem acontece na Síria, Cuba e Venezuela ou outros países que não se lhes subordinam. (Fragmentos extraídos do Rebelión)
 

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