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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 15 Outubro, de 2014

Os 60,5% dos romenos consideram que vivem pior que na época socialista
• Enquete por ocasião dos 25 anos de capitalismo na Romênia

A nova sondagem sociológica realizada para o jornal Adevarul, pelo Instituto Nacional para o Estudo dos Serviços e Consumo da População (Inscop), desde 30 de agosto passado até 4 de setembro, por ocasião do 25º aniversário daquilo que os meios de propaganda do capital denominam "revolução de dezembro de 1989", mostra que, como já tinha sido verificado em estudos anteriores, os romenos continuam considerando que viviam bastante melhor com o sistema socialista.

Os resultados são curiosos. Por um lado, levando em conta que o conceito de "liberdade" da ditadura capitalista tem pouco a ver com a capacidade de decisão dos trabalhadores ou com seu bem-estar, e muito mais com o ócio e a irresponsabilidade, é bastante lógico que 81,6% dos entrevistados pensem que depois de 25 anos de "democracia" hoje existe mais "liberdade" do que em 1989.

Contudo, 14% deles têm claro que não é assim.

Seria preciso ter perguntado ou esclarecido, primeiramente, aquela questão fundamental que Lênin recomendava que fizéssemos: liberdade, para quê? Para comprar e consumir? Para morrer de fome se um empresário gatuno nos demite? Para fazer turismo ou poder ver a tevê o dia todo? Para cair no desespero, queixando-se no bar ou na casa de que nenhum político faz nada por nós? Ou para participar dos assuntos da nossa comunidade? Para determinar o que se faz com o produto do nosso trabalho? Para lutar contra uma sociedade injusta e exploradora e construir uma mais humana, a socialista?

A incoerência do resultado anterior, pelo muito manipulada que está a ideia de liberdade nos regimes dominados pela tirania dos mercados, e que as desorganizadas massas trabalhadoras têm assumido com pouca resistência, se evidencia nas respostas dadas pelos romenos a outras perguntas essenciais sobre justiça, bem-estar e trabalho.

Quando os entrevistadores perguntaram pela justiça, não pela justiça como instituição, senão pelo sentido social do conceito, buscando que os entrevistados respondessem se a situação geral é mais justa ou mais injusta, pois é impossível outra coisa quando se vive num regime baseado na desigualdade e na injustiça de que uns poucos vivam a custa dos outros, evidentemente a resposta dos romenos tem sido que atualmente há menos justiça que antes de 1990 (68%), enquanto 22% continuam pensando que atualmente a sociedade é mais justa (supomos que boa parte destes são os mais beneficiados pelo grande saque da riqueza do povo, perpetrado depois do golpe de Estado de dezembro de 1989 e todos os que se têm enriquecido, direta ou indiretamente, daquele ato contra a classe trabalhadora romena).

Quanto ao nível de vida e o bem-estar, a resposta é rotunda, 61% dos romenos acham que atualmente, após 25 anos de barbárie capitalista, se vive bastante pior do que antes de 1990. Algo bastante lógico; contudo, todo mundo sabe que desde a reinstauração do regime capitalista mais de três milhões de romenos fugiram do país para poder encontrar um posto de trabalho, enquanto daqueles que ficaram, uma terceira parte vive com menos de 190 euros ao mês e metade com menos de 230. Por tal motivo, os que afirmam (31%) que atualmente o nível de vida é mais alto, devem pertencer àquela porcentagem de romenos que vive com mais de 230 euros e que, no melhor dos casos, 6% ganham 333 euros ao mês, enquanto somente 0,6% recebe mais de 3 mil euros, como confirmam as estatísticas do Ministério do Trabalho, publicadas em agosto passado.

Igualmente, os entrevistados não duvidaram ante a pergunta de se a justiça é independente sob o regime capitalista, com um claro NÃO por parte de 53,5%, enquanto somente 28% afirma que SIM. Como vai ser independente a justiça num sistema onde a minoria se apropriou do capital e controla os partidos políticos, os meios de comunicação e as instituições?

Finalmente, perante a pergunta, mal formulada, de se na atualidade se trabalha mais ou menos que antes de 1990, os romenos têm respondido, logicamente, que no reino dessa liberdade se trabalha menos. E embora a pergunta se referisse ao número de horas de trabalho diárias e, segundo a Eurostat, a Romênia ocupa o primeiro lugar na quantidade de horas trabalhadas por empregado, 56,8% dos entrevistados mantém que se trabalha menos do que antes de 1990. Realmente, o que estão dizendo, como reconhecem os próprios organizadores da enquete, é que há menos trabalho, pois nestes últimos 25 anos a terapia de choque neoliberal imposta pelos golpistas acabou com quatro milhões de postos de trabalho, dos oito milhões existentes em 1990, provocando a ruína do país e de seus trabalhadores.

Os dados do estudo atual coincidem com os últimos publicados nos últimos meses, tal como aquele que perguntava aos romenos, em julho passado, qual consideram o melhor presidente da história da Romênia, sendo o eleito Nicolae Ceausescu, com 25% de apoio, com seis pontos de vantagem frente ao seguinte, Ion Iliesco. (Extraído do Rebelión)
 

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