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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 14 de Maio, de 2014

Síria a caminho das urnas

Manuel Vázquez

AS autoridades sírias anunciaram a celebração de eleições presidenciais, como via para preservar a ordem institucional do Estado e garantir um governo capaz de conduzir o grande desafio de reconstruir o país, depois do atual conflito armado. Dessa maneira fica no limbo a pretensão de algumas pessoas e grupos contrários ao presidente Bashar AL-assad, patrocinados por países ocidentais e aliados regionais, de conformar um chamado governo de transição que, segundo suas esperanças, desmontaria toda a ordem institucional síria.

Com o chamado às eleições, os sírios poderão eleger em poucos meses, de maneira direta, um presidente entre tantos candidatos se apresentarem, incluídos da oposição assente no país. O caminho ficou aberto pela Assembleia do Povo da Síria (Parlamento) em 21 de abril, quando acordou iniciar imediatamente o processo de candidaturas à presidência do país, e fixou a data das eleições para 3 de junho próximo.

"Declaramos que as eleições presidenciais se levarão a cabo na data prevista, manifestou o presidente do Parlamento, Mohamed Yihad AL-Laham, sem demoras e sem prestar atenção ao que muitas pessoas dizem do estrangeiro, numa tentativa de enfraquecer a confiança e acabar com nossa via política e democrática". Na sessão parlamentar, AL-Laham realizou um chamamento a todos os sírios, dentro e fora do país, para exercer o voto, e àqueles que desejem candidatar-se para a presidência, expressar assim seu direito constitucional de fazê-lo.

Ao se referir à posição mantida pelo governo sobre o caráter puramente nacional do processo das eleições, o presidente do Parlamento enfatizou que não existe vontade superior (para a eleição presidencial) que a do povo sírio.

Nesta ocasião, como resultado de emendas constitucionais aprovadas em 2012, poderão aspirar à chefatura de Estado todos aqueles candidatos que reúnam os requisitos estabelecidos pela lei. Entre outros aspectos, o aspirante devera ter unicamente a nacionalidade síria e ter residido no país, de maneira ininterrompida, durante os últimos dez anos. Dessa maneira, não se poderão candidatar os membros da chamada oposição no exílio, os quais se têm organizado sob os ditames de potências estrangeiras, interessadas em derrubar o governo, e que apoiam os grupos de irregulares armados que têm provocado a atual situação de caos na Síria.

Tal como era esperado, antes de conhecer os possíveis candidatos, esses grupos se têm pronunciado contra qualquer resultado que saia das urnas, independentemente da porcentagem da população votante, ou quão transparentes e limpas resultem as eleições, simplesmente porque eles não podem aspirar ao poder. Desta forma se evidencia que o conceito de democracia para a oposição síria assente no estrangeiro está diretamente relacionado com as possibilidades que eles vejam de apropriar-se do governo.

CAMINHO TORTUOSO

Contudo, o caminho do povo sírio rumo às urnas não será simples. No quarto ano de guerra, várias zonas do país ainda são controladas pelos grupos extremistas islâmicos, como a cidade de Ragga, no nordeste sírio. Noutras urbes e províncias, como Alepo, Homs, Latakia, Idleb, Deraa, Quneitra e Damasco, existem municípios nos quais os combates são cotidianos, e onde a abertura dum colégio eleitoral é simplesmente impossível.

Entretanto, a votação dos milhões de deslocados, cuja maioria esta dentro das fronteiras nacionais, embora fatível, representa um desafio a superar quanto à organização.

Contudo, os recentes avanços estratégicos do exército árabe sírio na faixa ocidental do país, possibilitam realizar as eleições em condições de relativa estabilidade, cumprindo-se assim um requisito básico da democracia: que a maioria exerça o direito a expressar sua vontade.

Sem dúvida, as últimas vitórias das forças armadas, sobretudo em numerosas cidades da cadeia montanhosa de Qalamoun (onde uma vez os extremistas islâmicos ganharam força) contribui para reforçar a posição daquele que seja o candidato à presidência pelo atual partido governante.

A esse respeito, sírios consultados consideram como algo seguro a postulação do atual presidente, Bashar AL-Assad, que, estimam, caso aspirar novamente à chefatura do Estado, venceria sem dificuldades de maior. Esta confiança parte do fato de que, inclusive, setores da população que no passado foram críticos ao governo, neste momento veem nele a melhor possibilidade de manter a integridade da Síria, ante a arremetida extremista que, fomentada a partir do exterior, faz colapsar o país. (Excertos extraídos de Rebelión)


Al-Assad obtém uma vitória em Homs

OS radicais insurgentes sírios retiraram-se do coração da cidade de Homs, um dos epicentros da rebelião contra o presidente Bashar al-Assad, o que significa uma vitória simbólica do presidente pouco antes de um mês de sua possível reeleição.

O acordo de 4 de maio entre o governo de Damasco e os bandos armados também inclui a libertação de pessoas presas pelos insurgentes, nas províncias de Alepo e Latakia, e o alívio da pressão rebelde em duas localidades xiitas, sitiadas pelos extremistas no norte da Síria.

Os rebeldes, a maioria sunitas, conseguiram criar um baluarte na cidade velha de Homs e nos distrito próximos, mas nos últimos quatro meses apenas controlavam dois quilômetros quadrados dos 40 com que conta a destruída cidade.

O governador de Homs, Talal al Barazi, disse recentemente que um total de 980 milicianos opositores abandonaram a zona. A operação levou-se a cabo sob supervisão da ONU.

A evacuação tem lugar após meses de vitórias do Exército sírio, com o apoio de seu aliado libanês Hezbolá, ao longo dum corredor estratégico que une a capital Damasco com Homs e a zona em que prevalece a minoria alauí, à qual pertence al-Assad e que é um ramo do islã xiita.

O último grupo de terroristas abandonou em 8 de maio a cidade de Homs (oeste) controlada atualmente pelas forças governamentais, afirmou Hispantv e agências de notícias.
 

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