Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 10 Setembro, de 2014

Quem é o vencedor da última
agressão a Gaza? Qual será o futuro
da Palestina?

Basem Tajeldine

TONELADAS de explosivos jogados pelas forças genocidas israelenses contra a população civil de Gaza não foram suficientes para parar o lançamento de mísseis de fabricação caseira por parte de Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), nem muito menos para assassinar seus líderes e dizimar seus aliados táticos das organizações laicas palestinas: a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), a Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP) e o Partido Comunista da Palestina (PCP).

 Os bombardeios indiscriminados assassinaram mais de 2.140 palestinos, a maioria civis (mulheres e crianças), e feriram outras 11 mil pessoas. Também destruíram quase a totalidade da infraestrutura civil educativa, hospitalar e industrial.

Milhares de moradias em Gaza foram destruídas e afetadas. Apesar de tudo, os palestinos não se renderam perante o poder bélico de Israel e continuam resistindo. E precisamente isso é o que não conseguem explicar-se os sionistas. Os palestinos, ainda nas piores condições geradas pelas constantes agressões israelenses, o bloqueio e a traição de países árabes do Golfo se resistem a entregar seus territórios aos usurpadores sionistas.

 No terreno ocorreram situações imprevisíveis. Os golpes de Hamas contra Israel não foram nada comparáveis aos danos humanos e materiais causados por Israel em Gaza; contudo geraram um dano psicológico nos colonos sionistas, inesperado ou subestimado pelos estrategistas do regime de Israel. Hoje os israelenses voltam a experimentar os mesmos traumas de ansiedade que sofreram durante as últimas aventuras bélicas israelenses, em 2006, contra o Líbano e em 2008 contra Gaza.

 A ilusão de segurança pela suposta inexpugnabilidade que oferecia o "escudo de ferro" se esvaiu. O tão publicado sistema israelense antimísseis não foi tão efetivo como se esperava, frente a uma chuva de mísseis de fabrico artesanal (Katiusha). Resultou ser mais efetiva a publicidade que o próprio sistema.

Os israelenses os quais têm muito a perder, começaram a pôr em dúvida a atual liderança sionista, por causa do fracasso em Gaza. Entretanto os palestinos, que não têm nada que perder porque já perderam tudo, celebram a nova trégua.

Segundo a enquete publicada pelo Canal 2 da televisão israelense, a taxa de aprovação do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu caiu de 82% para 38% desde o início da guerra. As críticas a Netanyahu e ao exército israelense se têm multiplicado. Metade dos entrevistados qualificou de "péssima" sua gestão do conflito. Tanto Netanyahu, como o ministro da Defesa Moshe Yaalon e o chefe do Estado Major Beni Gantz, se converteram nos alvos desta campanha. Contudo, os dirigentes sionistas, os quais sabem muito sobre a arte da manipulação, agora pretendem abafar as críticas com mais "pão para o circo" dos dissociados e fundamentalistas sionistas. Com efeito, Netanyahu ordenou confiscar novas terras palestinas, por um total de 300 mil metros quadrados aos proprietários de Nablus, no norte da Cisjordânia e o sequestro de vários líderes da FPLP que se encontravam na mesma região.

 Entre os sequestrados pelo regime sionista se encontram Ahmad al-Haj Muhammad Abu al-Nimr e Zahi Khatatba, que foram detidos na cidade de Nablus, Furik; enquanto Kamal Ibrahim Abu Tharifa, Youssef Abd al-Haq Shaddad e Abu Salama Moussa foram detidos em Nablus. Hamaeil Amjad, 37 anos, foi preso em sua casa em Beta, durante a rusga.

Em Jenin, as forças israelenses prenderam Fadaa Zugheibi al-Muhammad al-Zugheibi, Abdullah al-Afif, Alam Sami Masad e Jaafar Abu Salah. Mustafa Orabi Nakhla, ou Abu Wadee, foi preso cerca do campo de refugiados de Al-Jalazun, no norte de Ramallah.

 Por seu lado, a liderança palestina de Al Fatah atingiu um acordo com os líderes de Hamas para iniciar os trâmites necessários para exigir a intervenção da Corte Penal Internacional (CPI), a fim de que sejam julgados os líderes sionistas pelos crimes de guerra cometidos em Gaza.

Contudo, os dirigentes sionistas não têm medo da CPI. Eles confiam na efetividade de seus lobbys para fazer com que EUA e seus aliados europeus bloqueiem no Conselho de Segurança da ONU e outros espaços internacionais qualquer possibilidade de ação daquela corte.

 É bom lembrar que Israel, tal como os EUA, não ratificou o tratado que permitiu a criação da CPI, em 17 de julho de 1998, como único organismo judicial internacional responsável por perseguir e condenar os mais graves crimes de guerra, massacres e genocídios cometidos por indivíduos ou Estados.

 Então, quem venceu quem? Até quando durará a trégua na Palestina?

 Para desgraça da humanidade, a resposta é cruel. Venceu a morte. Venceu o Complexo Militar Industrial estadunidense. Enquanto os bolsos dos contribuintes estadunidenses perderam, os mercadores da guerra e a morte (sionistas e neoconservadores) ganharam milhões de dólares, sacrificando milhares de palestinos.

 Israel não reconheceu a existência do povo palestino, e não respeitou a própria Resolução 181 das Nações Unidas (de 1947) que dividiu a histórica Palestina em dois Estados, entregando só uma parte desse espaço (52% de Palestina) aos europeus de religião judaica que chegaram a esse país fugindo do Holocausto nazista.

 E ainda se deve lembrar que líderes históricos sionistas como David Ben-Gurion (1886-1973), Menachem Begin (1913-1992) e Golda Meir (1898-1978), os quais ocuparam o cargo de primeiro-ministro, tal como os atuais Ehud Ólmert, Benjamin Netanyahu, entre outros, deixaram bem claro que não reconhecerão a criação de um Estado chamado Palestina porque, segundo eles, "os palestinos nunca existiram".

 A recente "trégua" atingida na Palestina será similar às outras "tréguas" que se produziram no passado: o regime sionista a interpreta como "um descanso merecido" para as tropas assassinas, que durará o tempo necessário para acalmar a opinião pública mundial e para repor o inventário de armas esgotado nesta última aventura criminosa.

 Israel gastou mais de US$ 2,5 bilhões nos 50 dias que durou a agressão contra Gaza (à razão de US$ 60 milhões diários) sem conseguir atingir aqueles alvos, um montante muito próximo ou quase a totalidade do que recebe anualmente dos EUA para sua defesa. Israel espera receber dos EUA mais US$ 3 bilhões em armas, no próximo ano 2015.

 O futuro da Palestina continuará dependendo da resistência de seu povo e das mudanças geopolíticas que possam suscitar-se naquela convulsa região do planeta. (Expertos tomados de Rebelión)
 

IMPRIMIR ESTE MATERIAL


Diretor Geral: Pelayo Terry Cuervo. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/

  Inglês | Francês | Espanhol | Alemão | Italiano | Só TEXTO
Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

© Copyright. 1996-2013. Todos os direitos reservados. GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL

Subir