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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 10 Setembro, de 2014

Nova guinada liberal do
governo francês

Carmen Esquivel Sarría

COM a composição do novo gabinete, o governo francês enviou um sinal claro da determinação de continuar com sua controversa política de reforma econômica e inclinar-se ainda mais para uma corrente liberal.

As mudanças não são muitas, mas são determinantes. Na segunda equipe de trabalho do primeiro-ministro Manuel Valls se mantém a quase totalidade dos titulares de postos clave, como os dos Assuntos Exteriores, Interior, Justiça, Defesa ou Finanças.

Mas ficaram excluídos os críticos às medidas de ajuste do executivo, quer dizer, os outrora titulares da Economia, Arnaud Montebourg; Educação, Benoit Hamon, e Cultura, Aurelie Filippetti.

A nominação que mais chamou a atenção e, ao mesmo tempo, a mais controversa, foi, sem dúvida, a do ex-banqueiro e até há pouco secretário-geral adjunto da presidência, Emmanuel Macron, à frente da pasta de Economia.

Nascido em 1977, na cidade de Amiens, Macron é formado no instituto Sciences-Po e na Escola Nacional de Administração (ENA), berço da elite política francesa.

O ex-gerente do banco Rothschild é amigo do presidente François Hollande e um defensor da política de austeridade e de redução do déficit, adotada pelo governo.

Macron teve uma grande participação no design do controverso Pacto de Responsabilidade, que concedeu vantagens fiscais às empresas, por uns 30 bilhões de euros, com o compromisso de investirem no país e criarem mais postos de trabalho.

Este programa tem sido considerado pelos sindicatos como um presente para os donos, sem oferecer garantias de aumento dos empregos.

O pomposo titular de Economia também desempenhou um papel importante no caso Alstom, sobre a venda de um ramo dessa empresa emblemática à estadunidense General Electric.

Alguns o qualificam de "o banqueiro de Rothschild", entretanto um artigo publicado no ano passado pelo jornal Le Fígaro o denominava "o hemisfério direito de Hollande".

Sua indicação causou surpresa, porque apenas minutos antes do anúncio quase todos os analistas apostavam em uma unificação dos ministérios das Finanças e Economia.

Vários setores, inclusive membros do Partido Socialista (PS), no governo, expressaram sua preocupação pela designação do ex-banqueiro na frente de uma pasta chave.

"É claro que a política aplicada há dois anos é de austeridade e tudo leva a pensar que vai continuar se reforçando, segundo a composição do novo governo", declarou o secretário-geral do sindicato Força Operária, Jean-Claude Mailly.

A partir das fileiras do PS, Fréderic Cuvillier, quem rechaçou fazer parte do novo gabinete, disse ter a impressão de que o governo não escutou a mensagem das eleições municipais, quando esse partido perdeu em mais de 150 cidades e passou a ocupar a segunda colocação, depois da conservadora União por um Movimento Popular (UMP).

Christian Estrosi, da UMP, lembrou que em seu discurso de campanha o presidente Francois Hollande se declarou inimigo das finanças e agora vem confiar a um banqueiro a pesada tarefa de encaminhar a reativação.

A economia francesa se encontra estagnada, com um crescimento nulo do Produto Interno Bruto (PIB) durante os dois primeiros trimestres do ano.

O desemprego cresce quase de maneira ininterrompida há mais de três anos e já afeta por volta de 3,39 milhões de pessoas.

No intuito de cumprir seus compromissos com a União Europeia de reduzir a dívida e o déficit fiscal, o governo se propõe cortar 50 bilhões de euros do orçamento em três anos.

Contudo, vozes dentro de seu partido consideram que o executivo deveria apostar em uma política diferente, aumentar a despesa pública, estimular o crescimento e o consumo e reduzir o desemprego.

"Já está na hora de que a França se resista à obsessão da Alemanha pela austeridade e procure medidas alternativas para apoiar o consumo doméstico na Eurozona", disse há poucos dias o então ministro da Economia, Arnaud Montebourg, em declarações ao jornal Le Monde. E por causa destas declarações foi demitido.

Trata-se da terceira reestruturação depois que Hollande tomou posse, em maio de 2012 e a segunda durante o período de Valls como primeiro-ministro, daí que o gabinete já tenha sido batizado como "Valls dois".

Para analistas e políticos da esquerda esta nova mudança constitui um sinal claro da aproximação do governo aos interesses do setor privado e as finanças. (PL)
 

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