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E S P O R T E S

Havana. 27 Fevereiro, de 2014

Os novos ares da luta cubana

Yoel Tejeda

JÁ ficou atrás na história do esporte da luta o torneio Granma-Cerro Pelado, compromisso anual cubano, no qual a Cidade Esportiva de Havana reúne os melhores lutadores de nosso país e vários competidores estrangeiros, os quais, exceto os estadunidenses, são geralmente derrotados pela qualidade e força dos anfitriões.

 Com o intuito de averiguar com maior profundidade acerca do acontecido no certame e falar de outros temas atuais relativos a este esporte na Ilha maior das Antilhas, Granma Internacional contatou com o professor Marvin Fontes Herrera, da Universidade das Ciências da Cultura Física e o Esporte Manuel Fajardo, para conhecer sua opinião especializada, com essa fluidez de palavras que o carateriza.

 Qual é sua apreciação do acontecido no torneio Granma-Cerro Pelado?

 Do ponto de vista técnico considero que os lutadores cubanos têm elevado seu nível de maneira progressiva, apesar de — e isso não ser um segredo para ninguém — da carência de eventos internacionais.

 Porém, especificamente, o nível no estilo grecorromano…

­ Neste caso, o regulamento atual (vigente desde janeiro de 2014) favorece muito nossos lutadores, pois se retomou a penalidade de passividade quando o opoente se manifesta de maneira inativa. Então o lutador tem a chance de eleger onde quer continuar o combate, bem na posição de pé ou em terra, e nesta última os cubanos, de maneira histórica, possuem habilidades desenvolvidas.

 Falamos das técnicas com desbalanço e com arquejamento, mediante as quais se levanta o adversário da terra e se arremessa. Precisamente com estas ações tivemos grandes resultados durante a década dos anos 90. Exemplo perceptível é o caso de Filiberto Azcuy, bicampeão olímpico nos Jogos de Atlanta 1996 e Sydney 2000. Outros lendários expoentes que tiraram o máximo a estes movimentos foram Lázaro Rivas, Roberto Monzón, Héctor Milián e outros.

 Como valoriza os resultados da modalidade de luta livre?

 Apreciou-se que conseguiram elevar o arsenal técnico-tático, constatado mediante as diferentes combinações executadas contra seus adversários, principalmente os dos Estados Unidos, nosso contrário mais forte na área. É preciso lembrarmos que o verdadeiro nível da luta está na Europa, pelo que nos beneficiaria muito ter encontros amistosos com lutadores desse continente.

 Você comentava que o novo regulamento beneficia os cubanos quanto à passividade, porém, em que outra medida os favorece?

 Quando se pergunta no mundo todo, quais são as características que distinguem os lutadores cubanos, sempre se diz que são muito fortes e resistentes. Este regulamento permite que o concorrente possa combater durante um longo tempo, mas coloca uma questão: há que fazer movimentos técnicos precisos, para dizê-lo no jeito dos cubanos, “é preciso combater”.

Que acha do retorno de Mijaín López?

 Mostrou que é um fora-de-série. Agora é que ele está começando sua preparação, com vista aos compromissos previstos. No torneio tentou manter-se lutando durante os dois minutos para aumentar a sua resistência. Venceu seus adversários por superioridade, e no combate que não fez assim concluiu com uma diferença de mais de cinco pontos, além de que não lhe marcaram ponto técnico algum.

Esperava-se mais das mulheres lutadoras?

 Ante tudo é importante lembrar que Cuba se inseriu na prática da luta feminina no ano 2006, nos Jogos Centro-americanos e do Caribe de Cartagena de Índias, Colômbia. Quer dizer, que ainda não se completou nem uma década de experiência. Existem grandes expectativas e exigências, mas devemos ter em conta que ante uma escassa preparação na arena internacional e a juventude deste time, quanto a sua conformação — apesar de as lutadoras terem idades diferentes — é preciso dar-lhes um pouco mais de tempo para seu desenvolvimento e a obtenção dos resultados que se esperam.

 Ainda assim, acho que lutaram bem. Perderam alguns combates devido à ansiedade, pois apesar de elas terem marcado pontos primeiramente, no fim acabavam perdendo o controle do combate e eram derrotadas. Nesse instante muitos perguntavam o que tinha acontecido e querem deitar as culpas numa suposta preparação psicológica pouco efetiva, quando realmente o que faltou foi ter efetuado maior número de enfrentamentos em eventos internacionais. São aspectos que por ocasiões muitos não conseguem entender.

 Qual a situação atual da luta cubana?

 Realmente goza de boa saúde. Um primeiro avanço é o fato de que tenhamos colchões para sua prática em mais de 125 dos 169 municípios do país, tentando conseguir maior participação em massa. Da mesma maneira, tiramos benefícios dos Conselhos de Ciência e Técnica existentes em todas as províncias, os quais vieram dando resposta aos problemas do esporte, através das investigações e sua implementação na prática. Contamos com colaboradores em mais de 13 países da região e com aproximadamente uma dezena de árbitros internacionais. Além do mais, podemos sentir orgulho de termos a Filiberto Azcuy no Hall da Fama da Federação Internacional (FILA, por suas siglas em inglês).•

 

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