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C U L T U R A

Havana. 8 Outubro, de 2014

Centenário do natalício de
Roberto Faz


Rafael Lam

O povoado de Regla está comemorando o 100º aniversário natalício de seu querido Roberto Faz (1914-1966), um dos cantores mais queridos e populares de Cuba, e pelo qual todos os cantores sentem grande respeito por sua voz e personalidade carismática.

 Roberto Faz nasceu na rua Calixto García 62, entre as ruas Céspedes e Agramonte. O doutor Carlos Gonzalez o descreve da seguinte maneira: baixinho, olhos de cor castanha, cabeça grande, cabelo de cor castanha e muitas vezes com bigode. Não era gordo nem magro, embora por sua estatura desse a impressão de ter mais quilos de peso. Pele branca e sorriso fácil. Faltava-lhe um dedo na mão esquerda. Quando se tornou popular lotava os locais onde cantava, era muito querido pelo povo (Entrevista a Leonardo Depestre).

 A origem de Roberto foi muito humilde, desempenhou diversos trabalhos: motorista, barman, cantava nos bares de sua vila com o violão. Eram os dias gloriosos da explosão do son na capital. Nas vilas de Regla e Guanabacoa havia um ambiente folclórico de batuques e cantos das potências ñáñigas (da religião afro-cubana) mas junto das rumbas e das congas dos blocos do carnaval que eram o lado forte nesta zona. Lembremos que foi por Regla que desembarcaram os negros da África e os chineses de Cantão.

 Em 1927, começou a cantar no sexteto infantil Champán Sport, regido por Carlos Toledo. Neste sexteto tocava o trompetista Félix Chapotín, que em 1950 assumiu a direção do conjunto de Arsenio Rodríguez.

 Nos domingos seu pai preparava um saboroso almoço para Chapotín. Sabia que Chapotín ensinaria a seu filho os ‘truques’ do son e de outras músicas cubanas.

 O próprio pai de Roberto Faz organizou o conjunto Tropical. “Meu pai Pascual era meu administrador — disse-me numa ocasião — ele influía muito para que eu fosse cantor e o conseguiu. Mas também aprendi a tocar todos os instrumentos da percussão, esse era um dos entretenimentos dos jovens naqueles tempos em Regla, numa etapa que não havia aparelhos de televisão”.

 Em 1930, já cantava em diversos sextetos como o Ultramar, que pertencia à administração de seu pai, e em 1932 trabalhou como cantor numa boate chamada Hit. Com esse treino entrou na orquestra Habana, em 1938, e depois na orquestra Cosmopolita. Uma de suas provas de fogo foi sua apresentação com a orquestra Hermanos Palau, na majestosa boate Sans Souci, uma das mais aristocráticas daqueles tempos.

 Em 1939, tornou-se artista exclusivo da emissora CMQ, nas ruas Prado e Monte, uma das metas de todos os cantores que desejavam triunfar. Foi-se tornando popular e em 1941 atuou na boate Parisién, do exclusivo Hotel Nacional com a orquestra de Osvaldo Estivil, onde também cantou Tito Gómez.

 Em 1944, houve um momento decisivo para Roberto Faz quando cantou com Alberto Ruiz no Kubavana, que se apresentava na boate Zombie Club, na rua Zulueta, entre Trocadero e Animas (o antigo Edén Concert).

 Nesse mesmo ano, depois dessa grande experiência com o Kubavana, Roberto Espí o chama para o grande momento do Conjunto Casino, sua grande consagração. Com esse conjunto fez época nos salões cubanos, juntamente com Espí, Rolito Reyes e Agustín Ribot.

 “No Casino cantei com sucesso boleros e peças de José Antonio Méndez (Quiéreme y verás), Cesar Portillo de La Luz (Realidad y fantasia) e guarachas: A romper El coco (Otilio Portal), Que se corra la bola (Alberto Ruiz)”.

 Com esse conjunto viajou pelos Estados Unidos, Porto Rico e Venezuela, entre 1945 e 1946. Em 1948, gravou para a RCA Víctor e se iniciou com sucesso na rádio e na televisão. Durante um tempo se manteve nos cartazes e shows do hotel Saratoga e na emissora Radio Cadena Habana.

 Tudo isso foi até finais de 1955 quando o Conjunto Casino se desintegrou. Roberto Faz, com alguns dos integrantes do grupo, organizou seu próprio conjunto, em 16 de janeiro de 1956. Naqueles dias existia muita expectativa pelo novo projeto e, em 4 de fevereiro de 1956, foi a estreia do grupo com um bailado memorável no Liceu de Regla. Nesse dia interpretaram o sucesso do compositor Luis Marquetti: Deuda. A casa gravadora que o apoiava era a Panart.

 Com seu novo conjunto foi convidado para cantar em Key West, Tampa e Panamá. Em 1958, viajou à América Central e à América do Sul, conseguindo muito sucesso. Em 1957, apresentou-se durante uma temporada na boate Alí Bar, onde já Benny Moré era o rei. Existe uma foto de ambos guardada nos arquivos históricos.

 Em 1961, gravou o bolero Comprensión, de Cristóbal Dobal, com muito sucesso. Outras antológicas gravações de Roberto Faz foram: Como vivo en Luyanó, um son de René Barrera; Cositas que tiene mi Cuba, um son-montuno de Parmenio Salazar; Melao de caña, Sabrosona, Pintate los lábios María (reeditado por Elíades Ochoa) e Carolina dengue, dedicado a Damaso Pérez-Prado.

 Na última etapa do conjunto de Roberto Faz, desde o mês de dezembro de 1965, como presente de fim de ano, começou a difundir o ritmo Dengue, de Pérez Prado. Em 1966, ficou de moda El Dengue con su tiquitiqui e outras peças que fizeram história no Carnaval de Havana.

 Em sua etapa final, Roberto Faz pôs na moda os “boleros ligaditos” (popurrit), onde os trompetistas faziam coro de fundo. Eram os tempos em que também estava de moda Juanito Máquez com o ritmo Pa’ca; Eddy Gaitán com o Wawa, o Pilón de Enrique Bonne e o Mozambique, de Pello El Afrokán.

 Em 26 de abril de 1966, em pleno auge dos ritmos mozambique e dengue, Roberto Faz morreu. Três anos antes tinha morrido Benny Moré. A década de 1960 teve duas mortes muito difíceis para a música cubana, dois clássicos que disseram adeus à música.

 Para conhecer mais sobre Roberto Faz podemos chegar à vila de Regla em sua pequena lancha, catalogada por Alejo Carpentier de um “tapete mágico” e visitar o museu municipal, onde aparecem fotografias de Roberto Faz, muito apreciadas e o Liceu de Regla, quartel-general do cantor.

 Roberto Faz esteve mais de três décadas cantando nas mais exigentes sociedades, salões de baile, festas e no Carnaval cubano. Deixou um rasto de carinho em todos os dançarinos e fãs da música cubana. No exterior, sua voz se continua escutando e seus discos passam de mão em mão entre os colecionadores.

 

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