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C U L T U R A

Havana. 30 de Julho, de 2014

50º ANIVERSÁRIO DO MUSEU NACIONAL DAS ARTES DECORATIVAS
Oásis do tempo e da distância

Toni Piñera

NA esquina das ruas 17 e E, no Vedado, Havana, existe uma instituição singular. Um oásis artístico e histórico que apanhará as retinas e sensibilidade do espectador. Visitar o museu das Artes Decorativas é começar uma longa viagem pela história da arte e dialogar com variadas culturas.

A bela edificação, que em 24 de julho comemorou seu 50º aniversário, foi desenhada pelos arquitetos franceses P. Virard e M. Destugue, especialistas da Casa Jansen de Paris, e construída ao estilo francês do século 18, com pisos de mármores italianos. Constituiu uma das residências de María Luisa Gómez-Mena, mais conhecida como a condessa de Revilla de Camargo.

Naquele dia de 1964 passou a ser um dos primeiros museus criados pela Revolução, inaugurado por Marta Arjona, e cujas palavras de inauguração estiveram a cargo de Alejo Carpentier.

A instituição entesoura mais de 33 mil peças de valor artístico-histórico, que vão desde variados objetos das artes decorativas europeias e orientais do século 16 até nossos dias. Algumas delas procedentes dos reinados de Luis 15, Luis 16, Napoleão III, peças orientais dos séculos 16 ao 20, bem como manufaturas francesas de Sevres, Paris, Limoges, Chantilly, e das inglesas Chelsea, Worcester... embora a maior parte da coleção esteja centrada nos séculos 18 e 19.

As artes decorativas, como seu nome indica, constituem aquelas relacionadas com a ornamentação e o enfeite. Incluem móveis, obras de porcelana, cristal, cerâmica, ourivesaria, elementos do vestuário, trabalhos têxteis, jóias, peles, peças da arte popular, entre outras. Para a diretora do museu nacional das Artes Decorativas desde o ano 2000, Katia Varela Ordaz, que trabalha há 30 anos na instituição, este tempo dedicado ao museu tem sido belo e de muito trabalho. Ela dedicou-se, sobretudo, a continuar o trabalho realizado antes por outras pessoas. "Somente tenho concretizado e, respeitado esse trabalho, no sentido de consolidar a atividade específica do museu. Nestes anos foram criadas e organizadas as coleções, para que não haja peças repetidas, e nos temos aproximado, metodologicamente, a museus provinciais e municipais". Feliz de ter comemorado este 50º aniversário, Katia Varela destacou que a instituição é um lugar de muita vida, contrariamente ao que as pessoas possam pensar. Foi a sede de diversos eventos, entre os que se podem mencionar a Bienal de Talha de Madeira da ACAA, a Bienal Bonsái Havana, que nesta edição será internacional, bem como de diversas reuniões de destacados artistas e especialistas, e também de espaços para as pessoas idosas, que se reúnem todos os meses em diferentes áreas da instituição e que sempre está aberta para o desfrute pleno do homem.

UMA VIAGEM NO TEMPO

Antes de entrar na mansão, construída em 1924, o espectador poderá desfrutar dos belos jardins que a rodeiam, onde também aparecem elementos arquitetônicos e artísticos, pois estão "semeados" de esculturas do século 19 e outras de estilo neoclássico. Dentro, nas 11 salas, aparecem obras com vários estilos e épocas, de muita qualidade e beleza.

Entre os objetos mais interessantes destacam a secretaire Luis 16, construída pelos professores da época Jean H. Reiseneer, marceneiro; e Couthiere, bronzista, móvel que pertenceu à rainha María Antonieta, da França.

Na sala dedicada às lacas orientais e aos biombos chineses dos séculos 17, 18 e 19, destacam alguns pertencentes à Dinastia Ming, manufaturados em 1575, na região de Xiangxi, além de um enorme biombo de Coromandel (século 17)... As porcelanas estão representadas com peças inglesas, alemãs e francesas, e também do Japão, China e de outras nações, exemplo do trabalho daqueles que cultivam essa arte, e do requintado sentido do detalhe na decoração. Elementos de prata, ouro, bronze e marfim; monumentais pinturas de mestres como Jean Marc Nattier (1685-1766), Hubert Robert (1733-1808) e muitos mais, também podem ser apreciados nas peças exibidas.

Por sua beleza e harmonia na decoração destacam o Salão Principal, com paredes recobertas de boisseries, e ambientado ao estilo rococó, mostrando diversas mobílias do estilo que amenizam o espaço. Também aparecem o estilo regência e transição. Também se poderá desfrutar de conjuntos de biscuit (obras únicas da manufatura de Sevres) e porcelanas de Meissen, copos de porcelana chinesa do período Qientong (século 18). O vestíbulo resulta espaço singular, onde aparecem elementos da ampla coleção de moveis. Entretanto, no salão-refeitório, inspirado no estilo regência, os mármores italianos cobrem as paredes, onde aparece um belo relógio com bronzes atribuídos a Cafieri (filho) e maquinaria realizada por Martinof, que foi relojoeiro do rei Luis 15. Sobre a ampla mesa se exibem diversas coleções de baixelas europeias e chinesas; também aparecem outros espaços dedicados ao estilo neoclássico, com moveis da época de Luis 16, à manufatura real de Sevres, bem como o Salão Segundo Império recriado ao estilo deste período francês (1852-1871). Poltronas talhadas à mão pelo célebre marceneiro inglês Thomas Chippendale (1709-1779), baixela inglesa do século 18 ao 20, vasos Médicis de Worcester, entre outras peças importantes deslumbram o público no Salão Inglês, enquanto o banheiro principal constitui uma habitação ao estilo art déco. Também aparecem outros estilos, art nouveau, art déco, eclético... que poderão ser apreciados por aquelas pessoas que resolvam aproximar-se deste tesouro artístico que também tem em conta a contemporaneidade, pois muitas obras atuais de criadores manuais de muitas latitudes também aparecem nalgum momento nas duas salas transitórias do museu, com o fim de poder observar os diferentes caminhos das artes decorativas nestes tempos.
 

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