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Havana. 2 de Julho, de 2014

Adalberto y su son: 30 anos
não são nada

Rafael Lam

ADALBERTO Alvarez é o músico mais emblemático do son contemporâneo, o conjunto musical que ele dirige completou 30 anos em 26 de fevereiro passado, um tempo que para ele não é nada porque "aspira a manter o son vivente durante muitos anos mais".

Adalberto lembrou aqueles dias em que iniciava um novo projeto em Havana, em 1984, tendo "o impulso amistoso de Oscar D´Leon, o qual nos batizou com o nome de Adalberto y su son. Saímos com uma nova linha frontal, os cantores: Félix Baloy, Ciso Guanche e a voz primeira de Héctor Anderson. Pancho Amat tocava o três e tínhamos outros músicos muito bem treinados. Logo, várias das nossas peças apareceram nos primeiros lugares da lista de sucessos para os dançarinos: Esperando que vuelva María, El regreso de María, Mi negra se ha vuelto loca..."

Antes dessa experiência de Adalberto y su son, o músico havia deixado uma forma peculiar de fazer música com o Conjunto Son 14, em 1978, no qual criou "com certo esquema aleatório no tom, uma música simples, espontânea e cheia de frescura", segundo escreve numa nota, na capa do primeiro disco de Son 14, o pianista, compositor e produtor, Fank Fernández.

Em 1992, Adalberto revelou ao jornalista Leonardo Padura que no começo, na década de 70, procuravam uma atmosfera que tivesse relação com a ‘salsa’ latina, da qual ele tinha uma abundante informação.

"O primeiro foi buscar meu estilo, uma personalidade, um selo que me identificasse e me diferenciasse do conjunto Rumbavana, agrupação para a qual eu compunha canções e com a qual me identifiquei na minha juventude".

Por isso introduziu os trombones. "Naquela época dominavam o palco Tito Puente, os Palmieri e a orquestra Fannia All Star, identifiquei-me com algumas das músicas de origem latino-americana e me propus, com minhas composições, impor um selo próprio, bastante semelhante ao que se produzia na música para dançar na América Latina. Dessa maneira, tentava dalguma forma devolver-lhes o que eles estavam fazendo com a música nossa. Por isso é que Son 14, às vezes, era parecido com um grupo latino-americano, isto é, um grupo capaz de satisfazer o gosto de qualquer país do continente, porque estávamos mais perto do estilo geral da música para dançar que estava sendo feita na América Latina, com um defeito que, voltando a escutar, já passados tantos anos, as gravações de Son 14, consegui descobrir algo de muito interesse: fazíamos a música muito mais rápida que o restante dos ‘salseiros’, isto é, mais ao gosto do dançarino cubano. E eu penso que se tivesse a experiência destes anos, faria uma música mais adequada ao dançarino, mais perto desta cadência que estou fazendo agora com o grupo Adalberto y su Son.

E ainda mais, Adalberto foi criando um estilo, um timbre no son, fundido com a trova tradicional. Da trova extraiu a lírica romântica e do son os essenciais ‘tumbos’ e ‘montunos’. Como bússola se inspirou no pianista Lilí Martínez, em Arsenio Rodríguez e Félix Chapottín. Alimentou-se, ainda, da guaracha ao estilo de Ñico Saquito. "Sempre estaremos comprometidos e em dívida com os grandes cultores do son, como Arsenio, gostaria de homenagear Benny Moré. O son é do ano em que você o cantar", diz Adalberto.

Noutro momento, peço a Adalberto fazer um inventário dos acontecimentos mais importantes de todos estes anos de vida artística.

"Como acontecimento relevante, o primeiro foi a Escola Nacional de Arte (ENA), onde estudei música desde 1962. Daquela experiência lembro meus companheiros de estudo: Beatriz Márquez, José Luis Cortés, Pachito Alonso, Emiliano Salvador, Joaquín Betancourt, Demetrio Muñiz. Com alguns parceiros formamos clandestinamente, em 1966, a orquestra típica da ENA, formada por dois fagotes, duas flautas, dois oboés, três violinos, viola e violoncelo, uma experiência muito divertida. Foram inesquecíveis minhas primeiras composições tocadas e gravadas pela orquestra Rumbavana: El son de Adalberto, Sobre um tema triste..."

"Depois, veio a etapa do meu serviço social em Camaguey, onde dei aulas na escola de música. Simultaneamente, me apresentava com o conjunto Avance Juvenil, do meu pai Nene. Naqueles dias, foi decisiva a chegada de Eduardo Morales (Tiburón) a nosso projeto. Com o decurso do tempo, uns quantos músicos de Camaguey, cheios de ilusões, procuramos um lugar na música de Cuba, empreendemos a invasão para o Oriente e formamos em Santiago de Cuba o conjunto Son 14".

As influências e a herança musical de Adalberto são dignas de serem contadas. "Minha mãe, Rosa Zayas, cantava muito bem; em boa medida era minha conselheira musical. Meu pai era músico nos conjuntos Avance Juvenil e Soneros de Camacho. Na minha casa se respirava música tradicional: Arsenio Rodríguez, Félix Chapottín, La Sonora Matancera, o conjunto Casino, a orquestra Aragón, a Sensación, Neno González, Benny More".

Os dotes principais de Adalberto — tal como no caso de Juan Formell — estão concentradas em suas músicas bem-sucedidas: A Bayamo em coche, El son de La madrugada, ¿Y qué tu quieres que te den?, A bailar El toca toca, Para bailar casino, Gozando en La Habana. Ainda, ele gravou discos em parceria com Isaac Delgado, Celina González e Omara Portuondo.

Muitas das músicas de Adalberto foram gravadas por bandas latinas dedicadas à salsa: La 440, Wilie Rosario, Charanga Casino, El Trabuco Mexicano, Andy Montañez, Juan Luis Guerra, Eddie Palmieri, Gilberto Santa Rosa e muitas mais.

Adalberto Alvarez se tem convertido em um porta-bandeira da modalidade de dança chamada Casino, típica de Cuba. Foi agraciado com o Prêmio Nacional da Música 2008. Levou o son a meio mundo; em 1983 apresentou-se no Greek Theatre Berkeley, de São Francisco, Califórnia; em Nines, no Templo de Diana, em Paris. Em 2002 apresentou-se no Palácio dos Congressos de Paris, com Compay Segundo. Tem gravados uns 20 discos. Hoje em dia, Adalberto dirige seu próprio projeto: a Fiesta del Tinajón, em Camaguey. "Meu objetivo principal tem sido sempre fazer dançar os dançarinos, essa é nossa missão, dar alegria ao povo", acaba dizendo este músico cubano.
 

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