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Havana. 29 Outubro, de 2014

24º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BALÉ DE HAVANA
Companhia Irene Rodríguez: surpreende, cativa, atrai

Mireya Castañeda

A bailarina e coreógrafa Irene Rodríguez tem-se tornado, com passo seguro, figura proeminente da dança em Cuba. Desde a criação, há três anos, da companhia que leva seu nome, cada apresentação surpreende, cativa e atrai o público.

Apesar de mostrar no palco um temperamento avassalador, Irene Rodríguez é uma jovem de caráter afável e acessível. A presença de sua companhia no Festival de Balé de Havana não é novidade. Em 2012, chegou com impecável credencial: a encenação de sua obra O crime foi em Granada, primeiro prêmio no 8º Certame Ibero-Americano de Coreografia Alicia Alonso (CIC), concedido em parceria pela Fundação Autor da Sociedade Geral de Autores e Editores (SGAE) da Espanha e o Ballet Nacional de Cuba.

A própria Alicia Alonso, presidenta do júri que concedeu o galardão, fez questão de afirmar que esta coreógrafa: "uniu de maneira original o flamenco e a dança espanhola e contemporânea com uma interpretação muito precisa".

Na ocasião, Irene Rodriguez assinalou que tinha tentado flagrar a essência dramática do poema de Antonio Machado, publicado em 1937, e dedicado a Federico García Lorca.

Determinada em "criar novas tendências que façam evoluir o gênero espanhol, em fusão com tudo aquilo que alargue o vocabulário cênico", a diretora da companhia aceitou — durante a entrevista coletiva onde foi apresentado o programa do Festival — comentar a estreia mundial da obra que titulou Aldabal.

"Ante tudo desejo expressar que é uma grande oportunidade poder apresentar esta, minha mais recente criação, durante um evento de tanto prestígio internacional, onde se unem figuras da dança de tantos países. Neste ano, fui novamente convidada ao Festival por Alicia Alonso e para mim é uma grande honra".

A coreógrafa precisou que o novo tema, Aldabal, "significa um lugar cheio de aldravas com as quais se batem as portas", e é uma seguiriya, considerada o baile mais essencial do canto popular, pela profundidade extrema do queijío e sua dilacerante solenidade. É uma das modalidades flamencas, junto à soleá e a buleria.

"A peça é interpretada por todos os membros da companhia, com música do nosso novo e talentoso violonista e compositor Noel Gutiérrez, que fez a música todinha", precisou Irene.

"Escutarão um tema flamenco, um dos ritmos ou modalidades deste estilo que é a seguiriya, mas muito inspirado no elétrico acústico, para dar esse matiz contemporâneo que leva adiante nossa companhia".

A coreógrafa acrescentou outro valor à peça: "a interpretação da dança vai acompanhada da execução das castanholas, tão típico da dança espanhola mas que, ultimamente, as companhias estão obviando um pouco e eu quis resgatá-lo em sua forma mais virtuosa".

Aquele que conseguiu ver as obras dela sabe que para Irene Rodríguez não existe movimento desvinculado de uma emoção. Por tal motivo, esta estreia mundial não deixará impassível o público em seus assentos.

Entre essas peças de Irene Rodríguez aparecem: Al Andalus (flamenco); Asturias, Guajira de Lucía, a Dança Final do Chapéu de Três Bicos (estilo clássico espanhol); Allegranza; 5 por Bulerias; Solera; Emigrantes (vários estilos como danças afro-cubanas, neoclássicas e flamenco) e o espetáculo Coincidências (ritmos diversos como o flamenco, o jazz e o tango).

Destaque singular para o programa-concerto Sinfonia espanhola do clássico ao flamenco, com a Orquestra Sinfônica Nacional, regida por Enrique Pérez Mesa. Este espetáculo ficou inscrito no Livro de Honra do grande Teatro de Havana, após sua estreia ali, em 2012.

Quase todas as obras são assinadas pela própria diretora da companhia, porque ela esta na busca constante "dum estilo próprio, dentro do leque de companhias que reverenciam nossas raízes hispânicas".

A companhia Irene Rodríguez é integrada por dez bailarinos, cinco homens e cinco mulheres, com amplo domínio dos diferentes estilos da dança espanhola, o balé e a dança contemporânea.

Sua presença no palco é poderosa, como o flamenco, e suas obras sempre têm grande dinamismo e um excelente vínculo entre o propriamente coreográfico e artístico.

Aldabal, estreia mundial da companhia Irene Rodríguez: sapateados e braços eloquentes, acentos, energia, ritmo e paixão.
 

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