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C U L T U R A

Havana. 24 de Setembro, de 2014

Isabel Santos estreia o documentário “Viaje al país que ya no existe”
• O primeiro é a imagem

Mireya Castañeda

• A atriz Isabel Santos é uma estréia da cinematografia cubana. Duas vezes tem ficado por trás da câmara. A primeira em 2006, quando realizou San Ernesto nace en La Higuera. Nesta ocasião, retorna com Viaje al pais que ya no existe para homenagear Iván Nápoles, excelente câmera tanto do noticiário Icaic Latino-Americano como de centenas de documentários.

Com San Ernesto... se pôde observar seu toque como realizadora. Recebeu o Prêmio da Associação de Cinema, Radio e Tevê da União de Escritores e Artistas de Cuba (Uneac), e o Prêmio da Telesur ao melhor Documentário no 28º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana, 2006.

Embora ela se reconhecesse mais como atriz, Isabel Santos (1961) tem uma intensa e exitosa carreira que inclui filmes como Se permuta (1983) de Juan Carlos Tabío, Prêmio à melhor atuação feminina no Festival de Cinema e Rio (Brasil); Clandestinos (1987), de Fernando Pérez, Prêmio à melhor atuação feminina no Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, e com este mesmo diretor, em 1988, La vida es silbar, e em 2014 (ainda por estrear) La pared de las palabras.

Outros títulos significativos em sua cinematografia são: de 1992, Vidas paralelas, Pastor Vega; 1993, Adorables mentiras, Gerardo Chijona; 1997, Cosas que dejé en La Habana, do espanhol Manuel Gutiérrez Aragón, onde recebeu o Prêmio à melhor atuação feminina no 39º Festival de Cinema de Cartagena, Colômbia; 2000, Miel para Oshún, Humberto Solás (Menção de Honra como Melhor Atriz. Festival de Cinema de Lima. Peru); 2008, Los dioses rotos (atuação especial), Ernesto Daranas e 2010, Casa vieja, Léster Hamlet.

Isabel Santos ofereceu uma entrevista coletiva para apresentar Viaje al pais que ya no existe, e depois dialogou brevemente para esta página. Assim conhecemos como surgiu a idéia que — disse — já tinha na mente desde que conheceu por seu par, o também câmera Rafael Solís, anedotas das várias estâncias de Nápoles no Vietnã para filmar com o diretor Santiago Alvarez, durante as quais escreveu numerosos diários sobre elas.

“Um dia acordei e lhe disse, tenho um documentário na cabeça, não diretamente através dos diários de Iván, senão para voltar com ele ao Vietnã”, explicou.

Se deteve durante algum tempo na busca de financiamento, que felizmente concluiu com a produção do documentário pelo Icaic e pelo Ministério de Informação e Comunicações da República Socialista do Vietnã.

“Foi uma grande emoção para Iván voltar depois de 40 anos — salientou Isabel — e nos dizia (e diz no documentário), que retornava com suas 79 primaveras, “a idade que tinha Ho Chi Minh quando fomos filmá-lo com Santiago Alvarez” sendo esse o título do documentário”.

Viaje al pais que ya no existe é um título chamativo e provocador que se entenderá desde as primeiras imagens, “pois dum país devastado pela guerra tem crescido uma país luminoso”.

A jornalista Arleen Rodríguez Derivet, que assina o argumento juntamente com Isabel Santos, reiterou em diálogo com este jornal, que “o título surgiu do próprio Iván, porque não reconhecia nada, tudo no Vietnã era novo para ele. A idéia era que ele se fosse reencontrando com sua história. Isabel foi acompanhando os diários e as locações. O documentário mostra o Vietnã atual em contraste com os diários, com as anedotas e as imagens da guerra tomadas para o noticiário Icaic latino-americano”.

Isabel Santos afirmou: “Não é propriamente um argumento. Eu trabalho com apontamentos, que para mim é o argumento. Pesquiso, estudo muito e esses apontamentos somente eu os entendo, mas sei o que quero expressar”.

A diretora utiliza fragmentos filmados por Nápoles para vários noticiários, para três documentários dirigidos por Santiago Alvarez, Hanoi, martes 13, de 1965; 79 primaveras, de 1969, e Abril de Vietnan en el año del gato, de 1975, e para Tercer Mundo, Tercera Guerra Mundial, dirigido por Miguel Torres em 1970.

Há que dizer que embora seja uma homenagem a Iván Nápoles, este não é o habitual documentário sobre uma figura. Este está marcado por uma perspectiva cinematográfica, não jornalística, que expressa inteligência e emoção, na busca da beleza mais que do dado.

E o consegue através dum road movie, pois filmam desde Hanói até o sul. “Fizemos um percurso de um mês e depois inserimos as imagens. O mais difícil foi ir entrevistando Iván, pois ele é muito tímido, mas o consegui pela minha experiência como atriz. Fui dirigida por muitos bons diretores de ficção, por isso consegui que ele falara, fazendo com que voltasse a viver aqueles momentos”.

Sobre a afirmação de que conseguiu afastar-se do melodrama respondeu: “Sou muito chorona, até com meus filmes, por isso quase sempre os vejo na minha casa. Deixo de ser Isabel e assumo a personagem. Fiquei muito emocionada com o documentário porque quero muito Iván, aprendi a conhecer mais um ser humano maravilhoso, a chorar junto com ele no Vietnã, porque há coisas que a gente quer esquecer, e isso foi um pouco difícil para ele. São 80 anos. Agora ele o conta com a maturidade dum ancião que conta algo tremendo como o bombardeio a Hanói. Ele é um ancião sábio”.

“Aqui o espectador pode estremecer-se com o relato de Iván de seu primeiro bombardeio a Hanói, quando teve que filmar duas meninas mortas e a dor agônica de uma mãe”. Depois Nápoles expressou: “Estava emocionado, mas não podia, não devia chorar. O primeiro é a imagem”.

Nessa aventura de fazer um documentário (42 minutos) sobre o retorno, Isabel esteve acompanhada duma equipe técnica dirigida por Rafael Solís, Marcelo Suárez e o próprio Iván Nápoles, na câmera; Marian Quintana e Carlos Pérez, na edição; Ricardo Pérez, no som direto e Velia Villalvilla, no desenho de som.

Solís explicou que primeiro buscavam a luz do novo Vietnã, e depois um foco que apoiasse a tese de que o Vietnã que Nápoles ia ver já não existe, “sobretudo mostrar a vida desse homem quando naqueles anos dava a vida por salvar essas imagens, tomadas com uma câmara de corda”.

Naturalmente, as imagens de arquivo em preto e branco, e as atuais em cores.

Da ficha técnica ainda fica a música, e sobre ela Arleen Rodríguez nos falou: “Silvio Rodríguez viu as primeiras imagens e ficou muito comovido, e nos trouxe essa canção original, He vuelto. Também fez uma versão instrumental de El rey de las flores, com a flauta de Niurka González, e Silvio buscou sons de instrumentos vietnamitas”.

Isabel Santos fez um belo documentário, Viaje al país que ya no existe, que comove pelas suas imagens, não só as da guerra, mas também as do Vietnã atual, moderno e ao mesmo tempo preocupado com cada detalhe por suas tradições. Tudo se percebe através da arte.

 

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