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Havana. 22 Outubro, de 2014

24º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BALÉ DE HAVANA
A melhor arte da dança

Mireya Castañeda

O 24º Festival Internacional de Balé de Havana, 28 de outubro a 7 de novembro, reunirá companhias e estrelas de vinte países e prestará homenagem a William Shakespeare, por ocasião de seu 450º aniversário natalício.

 Os detalhes mais recentes do que estará acontecendo no prestigioso evento foram revelados em uma entrevista coletiva em que, pela primeira vez, não marcou presença sua presidenta, a prima ballerina assoluta Alicia Alonso.

 Segundo explicou o chefe da imprensa do Ballet Nacional de Cuba (BNC), Mauricio Abreu, Alicia Alonso, 93 anos, não pôde participar por estar com gripe e os médicos recomendaram-lhe descansar, para estar disposta para as intensas jornadas que virão.

 Entre a informação revelada destaca a presença das seis companhias norte-americanas convidadas: Ballet Hispânico de Nova York, Pontus Lidberg Dance, American Ballet Theatre (ABT), New York City Ballet, Washington Ballet e Ballet de Cincinatti.

 O chefe das relações públicas da companhia cubana, Heriberto Cabezas, respondendo uma pergunta, assinalou que é intensa e histórica a relação entre o BNC, que Alicia fundou e dirige desde 1948, e o mundo da dança estadunidense. E “se não houve maior presença é porque não lhes dão permissão”.

 Lembrou que Alicia Alonso foi uma das estrelas do American Ballet Theatre e, inclusive, a maioria dos 40 bailarinos que fundaram o BNC eram norte-americanos, pois somente 16 eram cubanos.

 Ainda, estão convidadas companhias e bailarinos de outros 19 países: Companhia Linga, Suíça; Ballet Estable do Teatro Colón, Argentina; Winter Guests, Noruega; Royal Ballet de Flandres, Bélgica; Ballet de Hong Kong; Ballet da Ópera de Niza, França; Ballet Nacional do Uruguai Sodre; Real Ballet da Dinamarca; Ballet Nacional da China; Joburg Ballet, África do Sul; Ballet de Santiago do Chile; Ballet do Teatro San Carlos de Nápoles, Itália; Balleteatro de Porto Rico; Companhia Nacional de Bailado, Portugal; Northem Ballet, Grã-Bretanha; Ballet de Hamburgo, Alemanha e Ballet Nacional da Noruega.

 Por Shakespeare, a dança, será o lema deste 24º Festival, pois este é o dramaturgo que mais tem inspirado todos os ramos das artes, valendo a pena examinar de perto aquilo que será levado ao palco.

 No balé cubano, afirmou Miguel Cabrera, historiador do BNC, a obra de Shakespeare tem transcendência desde o século 19, e depois no início do 20 Anna Pavlova estreou em Havana sua versão de Romeu e Julieta.

 Precisou que a companhia cubana tem 15 obras com temas de Shakespeare, de seus próprios coreógrafos e de Serge Lifar, John Cranko e Brian Mcdonald.

 “Fiel às suas raízes, a companhia cubana dedica o Festival ao 450º aniversário do escritor e se inaugura com Shakespeare e suas máscaras, coreografia de Alicia Alonso, e se reprisa Hamlet (cenas) de Iván Tenorio e Prólogo para uma tragédia, de Brian McDonald.

 Dos convidados poderão ver-se as peças seguintes: As You Like It e Otelo, criadas pelo notável bailarino e coreógrafo norte-americano John Neumeier para o Ballet de Hamburg, interpretadas por Carolina Aguero, primeira bailarina dessa companhia e Javier Torres, primeiro bailarino do BNC e do Northem Ballet.

 Também estará no palco A Tempestade (pás de deux) coreografia de Mauricio Wainrot, interpretada por Maria Ricetto e Ciro Tamayo, do Ballet Sodre; La pavana del moro, coreografia de José Limón, pelo Ballet da Ópera de Niza; Romeu e Julieta, coreografia de Nicolás Beriosoff, pelo Ballet Joburg e La fierecilla domada (pás de deux) coreografia de John Cranko, a cargo de Natalia Berrios e Juan Manuel Ghiso, do Ballet de Santiago do Chile.

 Artistas do universo da dança universal brilharão durante os 11 dias do Festival, entre elas a argentina Paloma Herrera, entre os dez melhores bailarinos do século pela revista Dance Magazine, e para quem coreógrafos como Jiñ Kylián e Nacho Dueto, criaram várias peças.

 Paloma participa dos festivais de Havana desde 1996, e no ano anterior, 2012, retornou com o grupo de José Manuel Carreño e estrelas do Ballet estadunidense. Paloma e Carreño dançaram uma inesquecível Sinatra Suite.

 Neste ano, Paloma Herrera, quem anunciou que na próxima temporada sairá do ABT, interpretará Rubies (pás de deux de Joyas) e Chaikovski pás de deux, ambas de Goerge Balanchine, acompanhada de Gonzalo García, do New York City Ballet; e Verano porteño (pás de deux de Cuatro Estaciones de Buenos Aires), coreografia de Mauricio Wainrot, junto a Juan Pablo Ledo, primeiro bailarino do Ballet Estable do Teatro Colón.

 Xiomara Reyes (Cuba-EUA), primeira bailarina do ABT, que também se retira na próxima temporada, dançará Great Galloping Gottschalk (pás de deux) coreografia de Lynn Taylor-Corbett, e Coppelia, ambas com o primeiro bailarino espanhol Carlos López.

 Neste universo rutilante, também se apresentará o bailarino principal do New York City Ballet, Joaquin de Luz, considerado uma das mais brilhantes figuras da dança mundial e Brooklyn Mack, primeira figura do Washington Ballet, proclamado pela revista Dance Magazine entre os 25 bailarinos do mundo a admirar.

 Durante o Festival, Mack partilhará o palco com a primeira bailarina do BNC, Viengsay Valdés, considerada uma das mais brilhantes da companhia cubana na atualidade. Dançarão juntos numa das cenas de A magia da dança e em Diana e Acteón.

 Viengsay também vai bailar uma das funções do O lago dos cisnes, tendo como partenaire o ucraniano Ivan Putrov, com inúmeros prêmios internacionais, entre eles a Medalha de Ouro do concurso de Ballet Serge Lifar.

 Homenagem impostergável desta edição do Festival a Fernando Alonso (Havana, 1914-2013) maestro de maestros, um dos fundadores da Escola Cubana de Ballet e do Ballet Nacional de Cuba, junto a Alicia e Alberto Alonso.

 As jornadas denominadas Fernando Alonso in Memoriam, terão lugar apropriadamente na Escola Nacional de Ballet, e contarão com aulas magistrais e colóquios de alto nível com a presença de figuras relevantes da dança mundial, entre eles, Julio Bocca, José Manuel Carreño, Orlando Salgado e Cyril Atanassoff.

 Fernando Alonso, um dos ícones do Ballet cubano, foi diretor-geral do BNC até 1975 e depois do Ballet de Camaguey, até 1992, quando passou a dirigir a Companhia Nacional de Dança do México. Recebeu o Prêmio Nacional de Dança 2000, depois, em 2008 recebeu o Prêmio Benois da Dance, numa gala no teatro Bolshói de Moscou.

 Arnold Haskel — durante muitos anos decano mundial da critica do balé — definiu a representação cubana num concurso em Varna como o “milagre cubano”, a partir desse momento, a Escola Cubana de Ballet atingiu uma estatura cosmopolita, reconhecida em nível mundial.

 Além da contribuição à cultura da dança mundial, a companhia organiza, há 54 anos, um Festival onde participaram 73 companhias de 61 países e mais de um milhar de convidados, resultando pilar da coreografia mundial, pois em suas 23 edições anteriores se apresentaram 981 estreias, delas 241 mundiais.

Isto é um avanço das jornadas de luxo do já iminente 24º Festival de Ballet de Havana, que se perfila variado, clássico, moderno, contemporâneo.

 

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