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C U L T U R A

Havana. 22 de Julho, de 2014

24º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BALÉ DE HAVANA
Festejar Shakespeare no seu 450º aniversário natalício

Mireya Castañeda

"POR Shakespeare, a dança" será o lema do 24º Festival Internacional de Balé de Havana, de 28 de outubro a 7 de novembro próximos.

A prima ballerina assoluta Alicia Alonso, presidenta do Festival, resolveu que neste ano o Festival festeje os 450 anos do supremo dramaturgo e poeta inglês, com o retorno ao palco de algumas de suas obras imortais, levadas à linguagem do balé.

Soube-se que a Gala inaugural inclui a reprise de Shakespeare y sus máscaras, versão de Alicia sobre o eterno drama Romeu e Julieta.

Graças a uma primeira aproximação do programa, através do Departamento de Imprensa do Ballet Nacional de Cuba, soube-se que voltarão ao palco a peça Prologue to a tragedy (Prólogo para uma tragédia), do coreógrafo inglês Brian McDonald, desde 1978 no repertório da companhia; Hamlet (cenas) de Iván Tenorio, que teve sua estreia em 1982 e La pavana del moro, pela companhia Opera de Niza, convidada ao Festival.

Como é costume, poderá desfrutar-se das versões completas de grandes peças do repertório clássico tradicional, em especial A bela adormecida do bosque, no 40º aniversário da estreia da versão de Alicia Alonso sobre a original de Marius Petipa.

Em 1974, Alicia realizou a montagem da obra na Ópera de Paris e em 1983, o Ballet do Teatro alla Scala de Milan solicitou-lhe sua versão deste clássico.

A propósito da estréia de A bela adormecida... na Ópera de Paris, o crítico Claude Baignéres escreveu: "O Ballet da Ópera terminou o ano com um grande mestre. Alicia Alonso ressuscitou esta coreografia, onde com um grande rigor nos garante a autenticidade". Outro crítico, René Sirvin, expressou. "Achamos toda a maravilha e o fasto prometidos pelo conto de Charles Perrault. A concepção da obra por parte de Alicia Alonso é muito destacada".

Por seu lado, o crítico italiano Luigi Rossi comentou sobre a encenação da obra na Scala: "O rasgo principal desta coreografia é seu virtuosismo acadêmico, sem soslaiar uma linguagem mais moderna, conseguindo desta companhia o máximo de suas potencialidades".

Os fãs do balé também poderão desfrutar de O lago dos cisnes e de uma Gala dedicada às grandes bailarinas do romantismo, com interpretações da antológica versão cubana do balé Giselle.

Ainda, estará no palco A magia da dança, espetáculo onde se poderão apreciar cenas de Giselle, A bela adormecida do bosque, Quebra-nozes, Coppélia, D. Quixote e Sinfonia de Gottschalk.

Durante o Festival também vai ser comemorado o bicentenário da celebre escritora cubana Gertrudis Gómez de Avellaneda (1814-1873), com uma Gala especial e a reprise da obra Tula, com coreografia de Alicia Alonso, música de Juan Pîñera, designs de Salvador Fernández e argumento de José Ramon Neyra, que teve sua estreia em 1998, durante o 16º Festival. Nesta ocasião, será apresentada na sala que leva seu nome, no Teatro Nacional de Cuba.

Dos inúmeros textos teatrais criados pela Avellaneda, no primeiro ato do balé Tula aparecem algumas personagens que são representativas do conjunto de sua produção dramática: Leoncia, La hija de las flores e Baltasar. As três peças reúnem as principais modalidades que a célebre autora cultivou no campo das artes cênicas: o drama, a tragédia e a comédia. No segundo ato sucedem-se três episódios de sua intensa vida amorosa, a tragédia da maternidade trunca e o triunfal retorno à Pátria, que termina com a homenagem da sociedade havanesa, no Grande Teatro de Tacón, atualmente Grande Teatro de Havana (em restauração).

Para a ocasião, Alicia Alonso escreveu: "Gertrudis Gómez de Avellaneda, como escritora e como ser humano, é uma das personalidades femininas mais influentes do século 19 e constitui uma glória que os cubanos e os espanhóis compartilhamos... Sem dúvida, Tula foi uma mulher de grande talento e de avançados conceitos, em temas que hoje mantêm vigência, como aqueles relativos à igualdade de possibilidades para a mulher em múltiplos aspectos de caráter ético, social e cultural. A importante obra dramatúrgica desta escritora, ainda não suficientemente atendida na atualidade, revela não poucas chaves de sua circunstância pessoal. É por isto que nos temos baseado parcialmente nessa zona de sua criação artística, ao enfrentarmo-nos à personalidade da poetisa, neste balé que com muita afeição e admiração lhe dedicamos".

Habitualmente, nos Festivais de Balé de Havana se estreiam peças coreográficas de autores nacionais e estrangeiros.

No site do Festival já foram anunciados dois: Percusión para seis hombres y Valsette, versão reduzida do conhecido balé Nuestros Valses, do venezuelano Vicente Nebrada. A montagem foi realizada por Zane Wilson e Yanis Pikieris, diretores da Nebrada Arts Initiative, fundação que guarda o legado do multifacetado bailarino e coreógrafo.

E, Celeste, coreografia de Annabelle López Ochoa, com música de Tchaikovski; vestuário de Dieuweke van Reij e design de luzes de Michael Mazzola. A sinopse indica: "Celeste, uma estrela que brilha moldurada nas frágeis siluetas de três bailarinas que dançam num céu escurecido pela noite, representado por dez bailarinos".

Também se anunciam algumas companhias convidadas, como o Ballet de Camaguey; Pontus Lidberg Dance; Companhia Linga, da Suíça; Ballet de San José (Estados Unidos); Ballet Hispânico de Nova York, Companhia Ópera de Niza e o Ballet do Teatro Colón (Argentina).

Apesar de que a programação inicial tem programas-concertos e pas de deux, tanto na Sala Covarrubias como no teatro Mella, não se anteciparam nomes, embora no mencionado site aparecessem os de bailarinas e bailarinos como Maria Ricetto e Ciro Tamayo (Ballet Nacional Sodre, Uruguai); Joaquin De Luz (New York City Ballet), José Manuel Ghiso (Ballet de Santiago do Chile) e Paloma Herrera e Xiomara Reyes (American Ballet Theatre).

O historiador do Ballet Nacional de Cuba, Miguel Cabrera, expressou que o Festival, fundado em 1960, mantém seu caráter bienal desde 1974 e durante esse tempo já foram estreadas 922 obras e participaram representantes de 61 países.

Por agora, somente um avanço deste 24º Festival que organiza a eximia Alonso: estrelas, estreias e obras clássicas em somente dez dias.
 

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