Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

C U L T U R A

Havana. 21 de Maio, de 2014

CENTENÁRIO DE ONELIO JORGE CARDOSO
Um rastreador de histórias

Mireya Castañeda

UM instante tão rotundo como um centenário convida a rememorar a vida e obra de um escritor ou de um artista. E neste ano cabe precisamente evocar o narrador cubano Onelio Jorge Cardoso (1914-1986), magnificamente definido como "um rastreador de histórias".

A reconhecida mestria como contista de voz singular, seu domínio do diálogo, humorismo fino e clareza de sua linguagem o colocam entre os primeiros do gênero na América Latina, juntamente com Jorge Luis Borges, Horacio Quiroga, Julio Cortázar, Juan Rulfo, João Guimarães Rosa.

Onelio Jorge Cardoso, nascido em Calabazar de Sagua, pequeno povoado do centro da Ilha, graduou-se de bacharel em ciências e letras, no Instituto de Santa Clara, mas por dificuldades econômicas não pôde concluir seus estudos.

Por tal motivo, desempenhou vários ofícios, entre eles, viajante de comércio, o que lhe permitiu conhecer outros lugares e, sobretudo, inúmeras personagens populares que depois lhe serviram de modelos para suas histórias.

Começou a escrever sendo muito jovem. Em 1945 tornou-se conhecido ao ganhar o prestigioso concurso "Alfonso Hernández Catá" com Los carboneros.

O júri que entregou esse Prêmio nacional esteve integrado por intelectuais destacados: Fernando Ortiz, Juan Marinello e Rafael Suárez Solís. Marinello lembrou em 1971, numa reportagem na revista Cuba, o que significou para ele aquele primeiro contato com a obra inicial de Onelio: "dentro da dilatada floresta narrativa daquele ano descobria um renovo marcado por uma cor diferente, surpreendente. Era um relato breve e penetrante que anunciava um grande escritor". E acrescentava: "A promessa foi cumprida. Onelio Jorge Cardoso é hoje um contista poderoso de real estatura americana, cuja presença se recebe com admiração".

O ano 1945 foi frutífero para Onelio Jorge Cardoso, pois foi publicado no México seu primeiro livro, preparado por outro intelectual cubano, José Antonio Portuondo, Taita, diga usted cómo, que incluía quatro contos, Taita... El homicida, Una visión e Nino.

Portuondo escreveu no breve prólogo: "Os contos de Onelio Jorge Cardoso sempre referentes ao camponês médio, caracterizam-se pela sua sobriedade. Com uma economia de elementos admiráveis".

Seu segundo livro não apareceu até 1958, o já antológico El cuentero, editado pela Universidade Central de Las Villas. Esta obra fundamental foi publicada na revista Humanidades, de Mérida, Venezuela, e o crítico M. R. Alonso escreveu a esse respeito: "Impresso em Havana nos chega este navio carregado de contos, alguns excelentes, outros estupendos, escritos por Onelio Jorge".

O El caballo de coral, seu terceiro volume, foi editado em 1960 e quando o Prêmio Nobel de Literatura chileno Pablo Neruda chegou a Cuba, no início de 1961, conheceu seus relatos e comentou ao poeta cubano Fayad Jamís: "Para mim, uma das últimas surpresas literárias tem sido o livro de contos de Onelio Jorge Cardoso (...) é um dos melhores contistas da América. Suas narrações são rápidas, agudas e muito belas".

No ano 1962, foi publicada a primeira edição de Cuentos completos, com desenho de René Portocarrero, e nesse mesmo ano Gente de pueblo, uma coleção de reportagens com fotografias de José Tabío e prólogo de outro grande, do qual também se comemora o centenário: Samuel Feijóo.

A partir desse momento, começa a publicar com maior frequência. Em 1964, apareceu um novo livro de contos, La otra muerte del gato; no ano seguinte um pequeno caderno com o conto El perro; em 1966, Abrir y cerrar los ojos; em 1974, El hilo y La cuerda; em 1981 o livro de reportagens Gente de un nuevo pueblo, e em 1982, Caballito blanco, que reúne a maioria dos contos para crianças.

Desde 1976 e até sua morte foi presidente da Seção de Literatura (atualmente Associação de Escritores) da União de Escritores e Artistas de Cuba (Uneac).

Em 1983, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Simón Bolívar, de Bogotá, Colômbia; e em 1984 recebeu o mesmo grau honorífico outorgado pela Universidade de Havana.

Seu último livro para adultos, La cabeza en la almohada foi publicado em 1983. E Negrita, uma noveleta para crianças, em 1984.

Este escritor destacado continua recebendo a atenção de especialistas cubanos, latino-americanos e europeus, que estudam os diferentes signos de seu corpus narrativo, suas facetas essenciais, valores estilísticos e ideológicos, peculiaridades da linguagem e a estrutura de seus contos que têm sido traduzidos ao búlgaro, ao russo, ao alemão, ao tcheco, ao chinês, ao inglês e ao francês, e incluídos em numerosas antologias.

Mas, o quê melhor que dar voz a alguém que em sua Ilha chamam de grande contista, e não só por evocar sua antológica peça, mas para saber de sua obra?

Onelio Jorge deu esta resposta a um jornalista mexicano que lhe perguntou: O que é o mais importante para o senhor num conto?

"O mais importante é abalar, isto é, convencer pela via emocional. E, sobretudo, dando chance ao leitor de complementar o conto. Numa palavra: sugerir".

Várias gerações de cubanos desfrutaram das belas criaturas que Onelio Jorge Cardoso nos deixou em seus muitos relatos, vigorosos e ainda vigentes.

Pies de fotos...

Onelio Jorge Cardoso, o grande contista.

Taita, diga usted cómo, o primeiro livro do insigne escritor, preparado pelo destacado intelectual cubano José Antonio Portuondo.

El cuentero, segundo livro publicado em 1958.

El caballo de coral é considerado uma jóia literária das línguas hispano-americanas.

O Prêmio Nobel de Literatura chileno Pablo Neruda qualificou Onelio Jorge Cardoso como um dos melhores contistas da América.

 

IMPRIMIR ESTE MATERIAL


Diretor Geral: Pelayo Terry Cuervo. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/

  Inglês | Francês | Espanhol | Alemão | Italiano | Só TEXTO
Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

© Copyright. 1996-2013. Todos os direitos reservados. GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL

Subir