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Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

C U L T U R A

Havana. 20 de Agosto, de 2014

95º aniversário do "Bárbaro do Ritmo"
Recordações de Benny More
em Havana

Rafael Lam

BENNY More, em seu tempo, foi o ícone da capital cubana, em sua vida boemia e andarilha, em suas cantinas, boates, salões de baile, teatros, espetáculos, gravações de discos e em sua vida musical.


Benny Moré, conhecido como o ‘Bárbaro do Ritmo’ foi uma das figuras principais do son cubano. Ele era chamado de O Sonero Mor.

Chegou a essa grande cidade em 1936 e se instalou definitivamente, em 1940. O cantor disse a seu primo Enrique Benítez Mora (vulgo El Conde Negro): "Eu fico em Havana; ou viro poeira ou me salvo".

Perambulava por botecos e cantinas, era expulso de muitos locais de luxo, morava em hospedarias de baixa categoria e cantou com o quarteto Cordero, o septeto Fígaro, o conjunto Cauto de Mozo Borgellá, o conjunto de Matamoros e outros.

Em 1945 viajou ao México e retornou em 1951; na primeira entrevista declarou ao jornalista Don Galaor, da revista Bohemia: "Eu tinha vindo para conquistar Havana e não abria mão do meu empenho". Era preciso ver-me. Eu tinha fé na minha voz, nas minhas canções. Pus um violão debaixo do meu braço e sai caminhar pelas ruas, para cantar aos turistas, e não sinto vergonha, Carlos Gardel fez o mesmo que eu. Aquela tragédia demorou uns três anos, mais do que eu teria desejado. Eu queria cantar em Havana. Triunfar na capital. Passei muita fome, as coisas correram muito mal, de certeza, mas nada superava a emoção de estar na grande cidade; para um camponês pensar em Havana era o maior fato de sua vida".

Em 1952 gravou com a orquestra de Ernesto Duarte, também se apresentou, com muito sucesso, na emissora Mil Diez, de RHC Cadena Azul, onde estreou o ritmo batanga, com a orquestra Ritmos de Cuba, de Bebo Valdés.

Em Havana, Benny More morou em muitos lugares: na rua Paula 111, no Reparto Hornos, em Marianao; na rua Oquendo 1056, entre Clavel y Santa Marta, e finalmente, o Benny instalou-se, em 1957, na avenida 43, entre 84 e 86 (agora rua 243, entre 86 e 88), em La Cumbre, Caballo Blanco, zona do bairro San Miguel del Padrón, perto do Alí Bar. A casa foi mandada a construir pelo próprio Benny, é de dois andares, com um pedaço de terra para plantar e áreas para criar aves e animais.

O EL CONUCO

Soubemos daquele pedaço de terra, que ele chamava conuco (voz indígena que significa terra de plantio) através do excerto de um filme da televisão, no qual se vê Benny More cortando o cacho de uma bananeira e dando rações aos porcos e galinhas, um dos seus passatempos, para manter suas tradições de camponês, para se livrar das tensões depois de suas apresentações e gravação de discos.

A casa mantém-se bem cuidada, atendida com esmero, e conta com excelentes fotos oferecidas por Jorge Luis Sánchez, diretor da fita El Benny. Na entrada, há uma placa que diz: "Aqui morou o ‘sonero’ Benny More, sangue e espelho de nossa condição mestiça, homenagem de Cuba. Fundação da Cultura Afro-hispano-americana, Sevilha, Havana, 1998".

Uma de suas esposas, a bailarina Norayda Rodríguez, contou ao jornalista Félix Contreras que Benny era um homem especial... Lembro-me do que ele gostava de comer: pato ao molho, dos patos que ele criava no quintal; cozinhava ‘ajiaco’ (caldo de legumes, vegetais e carnes), bebia refrigerante de tamarindo.. isso era do que mais gostava... ah!, e rabo de boi estufado, com molho de tomate e pimenta. Gostava também de comer lagosta.

Outras refeições apreciadas por Benny More, segundo seus irmãos, eram: leitão assado, carne seca, bacalhau, quiabo, arroz com camarão, ‘ajiaco’, banana com torresmo, cutia assada (temperada com pedaços de cana de açúcar, para matizar o forte cheiro). Preparava uma esquisita comida lucumi: mandioca com farinha, gordura e bolas de amendoim. Adorava imenso a comida chinesa (cubanizada) do restaurante Pacífico. Desfrutava dos enchidos fabricados pelo negro Congo, em Catalina de Guines.

Segundo a atriz Odalys Fuentes, o cantor costumava comer ovos escalfados aos quais acrescentava alho e óleo, para acompanhar sua bebida preferida, o rum Peralta, e não era fã da cerveja.

ESTREIA DA BANDA GIGANTE


Benny Moré e sua Banba Gigante deleitaram o público com ritmos como son,
guajira, afro, rumba, montuno e bolero.

A Banda Gigante foi conformada com a colaboração de vários músicos excelentes. Começou a ensaiar em um local, no cruzamento das ruas Infanta e Pedroso e estreou no programa Cascabeles Candado, da CMQ Rádio. Era formada por 15 ou 20 músicos. Contou, em alguns momentos, com orquestrações de Eduardo Cabrera ’Cabrerita", Pedro Justiz "Peruchin" e Generoso Jiménez. Os conceitos harmônicos eram bem do son cubano, à maneira de Bebo Valdés.

Clemente Piquero "Chicho", revelou ao realizador Puri Faget que a estreia "foi sensacional, espetacular, a elegância dos músicos foi surpreendente, com paletós cruzados de quatro botões, gravata de seda, calças de perna estreita e sapatos de charol. Benny envergava um fato branco de linho irlandês, gravata vermelha, um cravo na lapela e sapatos de duas cores. A orquestra revelava-se um verdadeiro show que ninguém queria perder. Alguns ficaram petrificados, ofuscados, desfrutando do espetáculo".

Benny cantou em boates de primeira, segunda e terceira categorias, fez concertos em La Campana, La Sierra, o El Palete, e no Alí Bar. Também esteve em Montmartre e Tropicana. Ali apresentou-se com Rita Montaner, na superprodução El Solar, sob a regência do coreógrafo Alberto Alonso. Em 1958 estava no terceiro show de Tropicana, o que veio demonstrar que Benny lotava os salões e a qualquer hora.

Foram memoráveis suas apresentações, em março de 1961, no carnaval da Avenida do Porto e nesse ano obteve o disco de prata pelo disco LP Se te cayó el tabaco.

Em 1962, atuou na boate Caribe, do hotel Habana Libre, nos jardins das fábricas de cerveja La Tropical e La Polar, nas boates Cabaret Sierra, Night and Day e no teatro Amadeo Roldán, no 1º Festival Nacional de Música Cubana, organizado por Odílio Urfé. Ainda, nesses dias, em 12 de setembro, atuou no salão Mambí, no estacionamento de Tropicana.

NO ALÍ BAR


A boate Alí Bar, um dos recantos emblemáticos de Benny Moré em Havana.

A boate Alí Bar é um dos recantos emblemáticos de Benny More. Foi seu quartel general, onde deixou uma lenda perdurável. Em suas apresentações dividiu o palco com todos os cantores que na época ocupavam os primeiros lugares na preferência musical.

Benny More começou no Alí Bar em 1953, fazendo suas apresentações com um pequeno grupo de músicos da boate, às vezes reforçado com o trombone de Generoso Jiménez. Somente numa ocasião, como algo especial, Benny apresentou-se com a Banda Gigante. Benny sempre tinha muitos compromissos por Cuba toda, mas sempre procurava um momento para cantar no Alí Bar.

O grande compositor e violonista Leo Brouwer diz que Benny More "fez o que sentiu e não o que lhe convinha".

Homenagem a Benny More, o ‘Bárbaro do Ritmo’, em eu 95 aniversário natalício, com recordações de sua passagem por Havana, cidade que neste ano completa 495 anos de fundada. •

Pies de fotos...

 

 

Em 24 de agosto completam-se 95 anos do nascimento de Benny Moré. Nasceu em 1919, no bairro Pueblo Nuevo, da cidade de Santa Isabel de las Lajas, em Cienfuegos.

 

Estátua de bronze de Benny Moré, de tamanho natural, na cidade de Cienfuegos, Cuba.

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