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C U L T U R A

Havana. 17 de Setembro, de 2014

Schola Cantorum Coralina no
Festival Leo Brouwer

Mireya Castañeda

A maestrina Alina Orraca é figura essencial na história do âmbito coral cubano. De estatura pequena, porém imensa no pódio, sempre com um sorriso que reflete satisfação e plenitude intensas.

Graças a ela, há 20 anos, Havana também tem sua Schola Cantorum, com o sobrenome de Coralina. Um coro de excelência que distingue por sua perícia técnica na interpretação e a paixão de seu canto.

Num diálogo com Alina, nesta vez por ocasião do 6º Festival Leo Brouwer de Música de Câmara (26 de setembro-12 de outubro) revisitamos alguns tópicos para concentrar-nos em sua participação no grande evento.

Sem dúvida, no início o nome resultou diferente, e até difícil para alguns...

"Eu quis nomeá-lo Schola Cantorum porque esse é o nome de uma instituição que existe desde o século quarto. Na Europa, associadas às catedrais, foram criadas escolas de canto e respiração para que as crianças, naquele momento os meninos, aprendessem a cantar para os coros. O projeto era para ensinar as crianças a cantar, daí o nome de schola cantorum".

"Atualmente, existe em muitos países, por exemplo na Espanha há nove, e no México há uma muito famosa, também em Caracas. Em Cuba jamais houve uma schola cantorum, por isso foi que pensei nisso, isto é, uma escola de canto, pois é, devia ter um sobrenome. Comecei a procurar, se Havana, se Cuba, mas me parecia que não me pertencia. Eu dirigi o coro de câmara da Escola Nacional da Arte (ENA), desde 1979. As pessoas sempre o chamaram o coro de Alina, então misturei as palavras coro e Alina, daí, Coralina. É verdade que no início muitas pessoas o achavam um pouco estranho mas rapidamente ganhou força e isso me alegrou muito".

Falemos então do repertório, das linhas de trabalho.

"Nós fazemos todo tipo de repertório, interpretamos música sacra, música contemporânea, popular, cubana e de outros países, nomeadamente latino-americana. São as linhas que mais gostamos trabalhar, sem deixar de fazer música barroca, romântica, clássica".

"Trabalhamos por projetos. Há alguns anos, fizemos um projeto de música antiga com o maestro catalão Josep Cabré, junto ao grupo Ars Longa, também fizemos outro projeto com música de Franz Schubert, por ocasião de seu 200º aniversário".

"Durante estes anos, Coralina se juntou a diversos projetos e espaços com agrupações de prestígio, cujos nomes já se inscrevem no melhor da música de concerto em Cuba: o coro Exaudi, o conjunto de música antiga Ars Longa, e a Camerata Romeu. Em 2005, numa ocasião memorável, as quatro agrupações ofereceram vários concertos interpretando o Magnificat de Bach, sob a regência de Zenaida Romeu".

Agora, a Schola Cantorum Coralina volta a compartilhar o palco, a pedido do próprio maestro Leo Brouwer.

"Realmente é uma grande honra que o maestro Leo nos convocasse para participar dum festival de música de câmara que, mais do que isso, é um Festival das artes cubana e internacional. Além de sua experiência como músico, de sua inteligência e cultura, ele tem o bom senso de encontrar a magnitude dos artistas no mundo. É uma pessoa que conhece de literatura, das artes plásticas, conhece de tudo, então sabe integrar uma coisa com outra. Eu acho que este Festival é mais do que uma festa, uma demonstração de cultura geral".

Quais as obras que apresentarão?

"Estou muito contente porque tive que desempoeirar algumas partituras que há muito tempo não interpretamos, e isso é muito agradável. No concerto Na rota da dança oculta vamos interpretar a peça Water Night, do compositor norte-americano Eric Whitacre, com texto do grande poeta Octavio Paz. Esse será um concerto-homenagem ao centenário deste grande intelectual mexicano, Prêmio Nobel de Literatura. Whitacre tem escrito uma obra bela, muito difícil para um grande coro e para nós é um desafio porque nós somos um coro de câmara. Estou muito contente de que Leo me tenha pedido esta peça".

"Whitacre tem realizado várias composições corais sobre poemas de Octavio Paz, A boy and a girl, Cloudburst, Little Birds e Water Night".

"O título original do poema é Agua Nocturna e uma de suas estrofes diz:

A noite de olhos de cavalo que tremem na noite,

A noite de olhos de água no campo dormido,

está em teus olhos de cavalo que treme,

está em teus olhos de água secreta.

"Coralina também estará no concerto O arco e a lira, outra homenagem a Paz, com as interpretações de Rytmus, do compositor Ivan Hrusovsky (1927-2001) Rytmus é um dos três estudos do compositor eslovaco, de grande interesse para os coros que desejem incluir peças diferentes em seus repertórios, como é o caso de Coralina".

"Além do mais, vamos fazer do próprio Leo Brouwer suas Aleluyas criollas para coro de voces blancas (I.O pequeno músico II. O pequeno pregoeiro III. O pequeno filósofo) escrita em 1965".

"Eu sempre adorei as três Aleluyas criollas de Leo. Lembro-me quando a maestrina Carmen Collado as cantava na época que eu era estudante, na Escola Nacional de Arte e ela regia o coro feminino Amadeo Roldán. Embora meu coro não seja feminino as mulheres de Coralina vamos fazer as três Aleluyas de Leo".

"Também vamos cantar com Haydée Milanês, em seu concerto Palavras. Homenagem a Marta Valdés, no ensejo do 80º aniversário de Marta. Vamos interpretar Aida, dedicada a essa grande figura dos quartetos cubanos com arranjos de Haydée".

A compositora escreveu esta canção, em 1973, dedicada a Aida Diestro (Havana 1924-1973), pianista e diretora de coro, fundadora, em 1952, do quarteto D’Aida, integrado por Elena Burke, Omara e Haydée Portuondo e Moraima Secada.

A canção diz:

Aida, afinal de tudo o que falamos viu,

A vida foi embora.

Aida, por trás do fumo, o sorriso

apesar de tanta pressa.

Aida, foi embora a lua da paisagem

Aida, mas você cantou a viagem toda.

Aida, compartilhando sempre a harmonia.

Em seus 20 anos de trabalho, Schola Cantorum Coralina recebeu inúmeros prêmios internacionais, entre eles o Grande Prêmio Cittád’Arezzo 2006, um dos mais importantes do mundo; o do concurso de Habaneras e Polifonías de Torrevieja, Espanha, 1999; o do concurso da Ilha Margarita, Venezuela; concurso de Trelew, na Patagônia argentina e em Miltemberg, Alemanha.

O coro também realizou digressões e concertos por Suíça, França, Espanha, Itália, Estados Unidos, Argentina, Chile, México, Venezuela, Equador, Alemanha e Dinamarca e foi convidado para cantar no Vaticano, como coro principal, na Audiência Pública e na missa do Corpus Christi que o papa oficiou, depois da vista de sua santidade João Paulo II a Cuba.

Coralina teve imensa sorte com a discografia, com títulos como Oh Magnum Mysterium, com obras sacras de autores universais e também latino-americanos e cubanos; Cánteme, canções de Silvio Rodríguez, "visão de que as canções de Silvio podem ser, e são, obras corais como qualquer madrigal do século 16", Cantos da missa do papa em Havana, 1998/JADE, França ou De que cantada manera, 2003, textos do poeta nacional cubano, Nicolás Guillén.

A Schola Cantorum Coralina ganhou reconhecimento, devido ao seu elevado índice profissional, mas também se diferencia por outras características, entre elas, relevante sem dúvida, a sensibilidade e entrega com que canta.

O Festival Leo Brouwer oferece agora a possibilidade de escutar o amplo repertório deste grande coro.
 

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