Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

C U L T U R A

Havana. 17 de Junho, de 2014

SILVIO RODRÍGUEZ DE TURNÊ PELOS BAIRROS
Maravilha de comunicação

Mireya Castañeda

Anda, corre a onde devas
anda, que o futuro te espera.
Voa, que os cisnes estão vivos,
meu canto está contigo, não tenho solidão.
                        (Silvio Rodríguez. Réquiem)

O legendário músico cubano Silvio Rodríguez começou há quatro anos um périplo musical que chamou Turnê pelos bairros. Com esta idéia, Silvio tem querido “tirar a música dos teatros e aproximá-la das pessoas, nestes tempos tão difíceis”.

SILVIO RODRÍGUEZ DE TURNÊ PELOS BAIRROS

Somente com uma bandeira cubana como cenografia, o músico tem chegado, até o momento, a 56 comunidades, a maioria bairros periféricos de Havana, como Cayo Hueso, San Agustín, El Fanguito e La Hata, desde que começou, em setembro de 2010, no povoado La Corbata, pertencente ao município Playa.

Excepcionalmente, os concertos também se têm efetuado em localidades de Santa Clara, Cienfuegos, Matanzas e os mais recentes, nestes dias de junho, em Mayarí, Nicaro e Moa, na oriental província de Holguín.

Seu nome atual, Turnê interminável, nasceu posteriormente. “Silvio pensa que merece este título. Assim também se intitula a exposição de fotografias de Silvio realizadas nos bairros e  de pasteis sobre essas fotos, de Antonio Guerrero, um dos três irmãos lutadores antiterroristas que ainda cumprem injusta prisão em cárceres norte-americanos. Assim chamou Tony esta festa da cultura que se inaugurou no Centro Pablo de la Torriente Brau há dois anos”, comentou para esta página o diretor dessa instituição, o poeta Víctor Casaus.

Naquela ocasião também foi apresentado o livro Enigmas y otras conversaciones, de Tony Guerrero, com prólogo do poeta Roberto Fernández Retamar: “Tony tem feito de sua cela um verdadeiro ateliê, de onde saem novos poemas, cartas, comentários, crônicas, um diário, obras plásticas. Ele se mantém ativo, vivaz. Como não têm podido sufocar-lhe o valor, tampouco têm podido sufocar-lhe as ânsias de vida que expressa em suas criações”.

Durante aquele acontecimento na Sala Majadahonda, do Centro Pablo, Casaus leu uma mensagem de Antonio Guerrero que precisa a gênese da exposição: “Há mais de um ano e meio estava lendo umas notícias sobre Cuba, nomeadamente sobre um dos concertos, e vejo umas fotografias que segundo o pé de foto tinham sido realizadas por Silvio Rodríguez. Estavam em branco e preto, porque os materiais que leio são fotocópias de artigos, mas contudo, essas imagens me impactaram muito. Escrevi a Silvio e pedi para ele que me enviasse algumas de suas fotografias para ver si podia fazer algumas obras baseando-me nelas. Por primeira vez fazia um trabalho assim. Em seis fotografias coloquei pessoas de vários bairros em uma só obra. Esse foi o começo, com essa imagem genial no centro, onde dois jovens têm um improvisado e original cartaz que diz: Viva Silvio!”.

A turnê de Silvio Rodríguez pelos bairros é uma turnê de contato humano. Isso é o especial. É uma maravilha de comunicação.

Victor Casaus também destacou “o agradecimento das pessoas a um artista como Silvio, por levar sua música até as porta das casas, e pôs como exemplo o caso de uma mulher que quando terminou o concerto estreitou a mão do músico e lhe agradeceu por escutar as canções que sempre a tem emocionado tanto ao longo da vida”.

Dessas coisas belas de participação das pessoas também comentou a jornalista Mônica Rivero ao contar sobre o acontecido no concerto de fevereiro em Punta Brava. Um homem gritava a Silvio: La era... e ele continuou cantando o que tinha programado. La era... repetia o homem, enquanto outros pediam Unicórnio, Ojalá, El necio. La era... Sendo como a terceira ou quarta ocasião que aquela voz se escutava dentre o público, Silvio o procurou com o olhar e lhe disse, venha aqui, para cantar comigo. O homem subiu para o cenário e em lugar de cantar, disse algumas palavras: “Quando este homem foi dar um concerto no cárcere, eu estava ali. No dia a seguir, saí em liberdade”. E a seguir, desceu do cenário.

O impacto foi grande. A referência estava clara. Em 2008 Silvio realizou uma turnê pelos cárceres, que intitulou Expedição, nome de seu disco de 2002.

A turnê deste ano iniciou na Praça de São Francisco de Asís, no centro histórico de Havana. Esteve acompanhado de Niurka González, Oliver Valdés, Trovarroco, Emilio Veja, Jorge Reyes e Jorge Aragón e como convidada a cantora Ivette Cepeda.

Tem sido possivelmente o mais multitudinário ao longo deste percorrido. O historiador da Cidade, Eusébio Leal, considerou que “realmente é uma obra que transcende a poesia”.

O mais recente concerto, o número 56, foi realizado em Mayarí, acompanhado nesta ocasião pelo trio Trovarroco, a flautista e clarinetista Niurka González e Oliver Valdés, na percussão, outro convidado de luxo foi nesta ocasião o maestro Frank Fernández, natural dessa localidade e que está comemorando seu 70º aniversário natalício.

O maestro Frank Fernández, pianista insigne, iniciou a noite com Ave Maria de Shubert, interpretou em solitário Zapateo por derecho e acompanhado da virtuosa flautista Niurka González deleitou com Sonata de Mozart, Siciliana de Bach e Quiéreme mucho, do cubano Gonzalo Roig.

Frank e Silvio fizeram um dueto excepcional com Rabo de Nube e Réquiem.

No seu Enigma 3 do livro mencionado Enigmas y otras conversaciones, Tony Guerrero pergunta: Será que no fundo do lago/haverá um cantor?

A imaginação fica para cada um. O certo é que Silvio sempre será canção e violão, pois nos presenteou, Gota de Rocio, Reparador de sueños, Óleo de una mujer con sombrero, e Ojalá.

E agora estará, está, em sua interminável Turnê pelos bairros. Irá aonde deva ir e nunca terá solidão.

 

IMPRIMIR ESTE MATERIAL


Diretor Geral: Pelayo Terry Cuervo. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/

  Inglês | Francês | Espanhol | Alemão | Italiano | Só TEXTO
Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

© Copyright. 1996-2013. Todos os direitos reservados. GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL

Subir