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C U L T U R A

Havana. 16 de Julho, de 2014

14ª EDIÇÃO DO PROGRAMA RUTAS Y ANDARES
Sempre a magia de Havana colonial

Mireya Castañeda

DURANTE 14 anos consecutivos, o Gabinete do Historiador da Cidade de Havana faz aos moradores da cidade e aos visitantes um excelente convite para o verão: aproximar-se em família, mediante o programa Rutas y Andares (Rotas e Andanças) do conhecimento da Havana colonial, cidade fundada em 1519.

Segundo diz o Historiador da Cidade, Eusébio Leal, "o programa Rutas y Andares se converte em um momento singular de poder chegar ao coração vivente do Centro Histórico, declarado pela Unesco Patrimônio Mundial em 1982", e redescobrir os segredos mais antigos desta zona da capital cubana.

Agora se trata de enxergar Havana com novos olhos. Os da família havanense, que aproveita as férias de verão das crianças para que ganhem, e a família também, conhecimentos acerca das belezas do espaço em que moram.

Para os meses de julho e agosto, a 14ª edição do programa — segundo informou em uma entrevista coletiva que teve lugar na Casa da África, a especialista do Gabinete do Historiador, Lilibeth Bermúdez — porá ênfase especial nas ciências e retoma o slogan que presidiu neste ano os folguedos pelo Dia Internacional dos Museus: As coleções criam conexões.

De novo terão lugar as chamadas Rotas Especiais, em locais como o Centro Hispano-americano da Cultura, Factoria Habana, Convento de São Francisco de Assis e na Quinta de los Molinos.

Muitos desses lugares, como o Centro Hispano-americano, são imprescindíveis na hora de apreciá-los, pois sua sede é um majestoso e emblemático palácio situado na avenida beira-mar de Havana, conhecido como a Casa das Cariátides, pelas singulares colunas do terraço de sua fachada principal, com rostos femininos em vez de capitéis.

Todos esses programas são gerados a partir do Palácio dos Capitães-generais, situado na bela Praça de Armas. Ali se reúnem as famílias para ter um encontro diferente com sua Havana e entre elas.

O Rutas y Andares propõe às famílias vencer determinadas etapas de participação. Como acontece cada ano, para o primeiro lugar se previu um encontro com o doutor Eusébio Leal Spengler, além de um concerto no recém reconstruído teatro Martí.

O programa, que tem lugar desde 8 de julho até 28 de agosto, sugere novas leituras da cidade e formas novas de aproximar-se dos museus, desta vez com visitas àqueles que querem uma ligação a partir de um tema comum.

A 14ª edição põe ênfase especial nas ciências e na etnografia, embora a Rota da Ciência sempre tenha tido muita aceitação. Nesta ocasião as visitas serão dirigidas às antigas farmácias Sarrá (Museu da Farmácia Havanense), Taquechel e Jonhson, três estabelecimento do século 19, ainda abertos na rua Obispo, elas todas restauradas; a Casa de Alexandre de Humboldt; o Planetário e o Museu Nacional da História Natural.

Por exemplo, a Farmácia Taquechel, fundada pelo eminente farmacêutico Francisco Taquechel, em 1898, ganhou prestígio na época pela qualidade dos seus produtos e os preços razoáveis. O local atual, convertido em loja e museu, mantém as estantes típicas e mostra frascos de porcelana francesa do século 19, e alguns exemplares do século 18, além de utensílios de farmácia da época e livros onde eram copiadas as receitas.

Para continuar a linha da excelência que a caracterizou desde seus começos, oferece um amplo leque de remédios naturais, medicamentos homeopáticos, cosméticos, suplementos dietéticos e outros produtos cubanos. Destaque para alguns desses artigos como os cremes de algas, mel, vitaminas e minerais antioxidantes e produtos derivados da cartilagem de tubarão.

Esta rota cientifica faz uma paragem no Planetário de Havana, inaugurado em 21 de dezembro de 2009, no imóvel da antiga sala de cinema Habana, na Praça Velha. Em sua construção participaram várias instituições, entre elas o próprio Gabinete do Historiador de Havana e o governo do Japão. Quem percorrer o planetário poderá imaginar os mais de 13 bilhões de anos do universo, a partir de seu nascimento, no chamado Big Bang, acontecimento que é representado mediante uma espetacular multimídia.

A seguir, a visita é ao Museu Nacional da História Natural, situado na Praça de Armas, na rua Obispo esquina a Ofícios, e rodeado de importantes edificações, como o Palácio dos Capitães-generais, o Templete e o Palácio do Segundo Cabo.

O que é exibido no museu aborda diversos temas, com importância especial para as coleções que tratam da história, geografia e biologia marinha e terrestre de Cuba.

Com a ligação desejada chega-se então ao Museu Alexandre Von Humboldt, dedicado à biologia. Leva o nome do famoso naturalista alemão (1769-1859) e está instalado em uma casa colonial, na rua Oficios 254, na Praça de São Francisco de Assis, próxima da mansão que o cientista alemão frequentava durante sua estada em Havana, nos começos do século 19.

Outro item destacado neste programa Rutas y Andares são os museus etnográficos, que vão mostrando aos participantes as diferentes culturas representadas nas suas coleções.

Nesse meio há prevista uma visita à Casa do Benemérito das Américas Benito Juarez, com sede em um antigo casarão restaurado na rua da Obra Pía, e inaugurado em 1988. A Casa possui uma sala permanente, com uma amostra de cerâmica mexicana e uma pequena exposição de arte pré-hispânica.

Só a uns passos, na rua Mercaderes, eis a Casa Museu Simon Bolívar, que abriu as portas em 24 de julho de 1993, aniversário natalício do Libertador. Esta local é um antigo palácio construído entre 1806 e 1817, alguns de cujos principais moradores foram os marqueses de Águas Claras e os condes de Villanueva, os quais o venderam a Santiago Burnham, natural dos Estados Unidos. Um detalhe curioso é uma enorme rosa colocada na parede final do saguão, no alto, com as letras SB, do proprietário Santiago Burnham, que coincidem com as do novo centro.

Esta Rota leva diretamente à Casa Museu Oswaldo Guayasamín, no número 111 da rua Obrapía. Trata-se, nada mais nada menos, que do antigo estúdio havanense do grande pintor equatoriano. Foi inaugurada em 18 de janeiro de 1992, graças ao empenho do próprio pintor e do Gabinete do Historiador.

As obras de restauração devolveram o esplendor a esse casarão construído no século 18, propriedade da família Peñalver, e durante esse processo foram achadas pinturas murais cuja riqueza arqueológica constitui um tesouro da arquitetura colonial cubana.

A Casa Guayasamín possui três salas de exposição permanente, onde se exigem objetos pessoais e obras originais, doadas à nação cubana por este pintor da Iberoamerica.

Os mistérios do Oriente na Havana colonial podem ser descobertos na Casa da Ásia, aberta muito apropriadamente na rua Mercaderes, um importante eixo comercial da antiga cidade, ao qual se integraram os imigrantes de origem asiática. O local onde tem a sede a Casa possui a ‘linhagem’ de ter sido construído em 1668.

Ali podem ser apreciados muitos elementos de um cultura milenar: pequenos elefantes ricamente enfeitados que custodiam o Dente de Buda, requintadas figuras em jade, pedra preciosa com sua aureola de boa sorte, ou a harmonia e o equilíbrio que se conseguem a partir da baixela e peças destinadas à cerimônia do chá.

Segue-se um percurso pela Casa da África, localizada em uma grande edificação que já no fim do século 19 era um armazém de charutos e centro comercial. Mais de duas mil peças compõem sua exposição permanente. A mostra inclui a história da emigração africana como mão de obra barata para o Novo Mundo.

Desde 1983 foi aberta a Casa dos Árabes, com sede numa antiga construção dos fins do século 18 e começos do 19. Seu objetivo principal tem sido divulgar os valores do mundo árabe a partir de seus costumes, tradições, arte, arquitetura e o estudo da presença árabe em Cuba, desde os primeiros contatos que propiciou a colonização espanhola, e posteriormente o movimento migratório que se produziu entre os séculos 19 e 20.

Sua biblioteca, Ibn Jaldun possui importantes coleções de temas árabes e islâmicos, especialmente edições de crônicas históricas do século 19, ensaios sobre o Islã e textos de história e arte árabe e islâmica contemporânea.

Não duvide, vá à procura das maravilhas de Havana que lhe propicia o programa Rutas y Andares. Sempre há alguma coisa mágica a descobrir, a conhecer, no centro colonial da cidade.
 

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