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Havana. 15 Outubro, de 2014

3º mês da cultura brasileira em Cuba
• Tempo e espaço para uma arte e pensamento próximos

Mireya Castañeda

HAVANA se acostumou a celebrar semanas culturais e de cinema de diferentes países. Pela terceira ocasião cabe ao Brasil e com a intensidade de sua arte e pensamento, terá lugar durante todo o mês.

Em uma entrevista coletiva efetuada na sala Manuel Galich, da Casa das Américas, palco da maioria das atividades, foi apresentado o programa, que inclui teatro, exposições de livros e artes plásticas, palestras, cinema e música.

O embaixador do Brasil em Cuba, Cesário Melantônio Neto, ao introduzir as propostas, considerou que são inúmeros os elementos partilhados pelos dois países, assim como que são sólidos os vínculos existentes entre suas instituições. "A cooperação cultural Brasil-Cuba tem uma peculiaridade, é muito espontânea", afirmou o diplomata.

Entretanto, a diretora da Imprensa da Casa, Mayté Lorenzo, lembrou os laços históricos dos intelectuais brasileiros com a instituição. "A coleção latino-americana e caribenha teve início, em 1963, precisamente com a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Joaquim Maria Machado de Assis".

Devido à música brasileira "ser uma das mais ricas que existem", segundo afirma o reconhecido saxofonista César López, o Mês da Cultura Brasileira em Cuba teve início com um concerto de López e seu grupo Habana Ensemble, um grupo bem cotado dentro do jazz em Cuba e no estrangeiro. O concerto teve lugar na sala Che Guevara da Casa das Américas.

Este artista sente uma grande paixão pela música brasileira e, por isso, no concerto apresentou músicas antológicas desse país. López, que cada mês, durante seu concerto no Jazz Café, apresenta um espetáculo chamado As Noites Brasileiras, fez questão de lembrar que já gravou com músicos brasileiros como Ivan Lins, e, ainda, com outras estrelas do mundo, como Roy Hargrove, Silvio Rodríguez, Chucho Valdés, Danny Rivera e Leo Brouwer.

O teatro marcará presença com a encenação, no Teatro Nacional de Guiñol, da obra A farsa do boi ou o desejo de Catirina, a cargo da companhia de fantoches Teatro Viajero. A peça do brasileiro Adriano Barroso adentra no universo mítico-popular da região amazônica com "a dança ou o carnaval do boi", uma mistura da cultura afro-brasileira com lendas amazônicas.

Outra das propostas da Casa é a exposição América Ilustrada, que mostra importantes peças da gráfica brasileira, incluídas na coleção Arte da Nossa América, doadas por artistas e instituições do gigante sul-americano, nos últimos 15 anos.

Na Fábrica de Arte o público poderá ficar atualizado acerca do rumo atual das artes visuais no Brasil, graças a uma palestra de Íbis Hernández, especialista da equipe de curadores da Bienal de Havana, acerca da Bienal de São Paulo, um encontro que já conta com mais de 30 edições e 60 anos de existência.

A Casa das Américas volta a ser protagonista, desta vez no âmbito da literatura, pois de seu Fundo Editorial serão exibidas obras de mais de trinta autores. Na biblioteca da Casa poderão ser apreciadas obras de Machado de Assis, Frei Betto, Rubem Fonseca, Chico Buarque, Thiago de Melo, Darcy Ribeiro, Augusto Boal, Clarice Lispector, Fernando Morais, Nélida Piñon, Emir Sader e outros, porém complementadas com documentos dos seus arquivos "que testemunham o entranhável relacionamento dos autores com a Casa".

Interessa especialmente a homenagem que a Cinemateca oferece ao grande ator brasileiro de cinema e telenovelas José Wilker, falecido no mês de abril passado. Wilker, 66 anos, que foi ainda diretor e apresentador, é uma figura imprescindível na cultura popular brasileira. Tornou-se famoso internacionalmente por seu papel principal na telenovela Roque Santeiro, de 1985, com Regina Duarte. E pelo personagem de Vadinho, o marido que retorna da morte para importunar Sonia Braga, na fita Dona Flor e seus dois maridos, de 1976.

Graças à homenagem a José Wilker, no mês de outubro o público poderá ver, no cinema 23 y 12 e na sala de cinema Charlot, 14 das fitas em que Wilker atuou. Esta retrospectiva começa com O homem da capa negra, do diretor Sérgio Rezende, que conta a vida de Tenório Cavalcanti, personagem muito polêmico do Rio de Janeiro dos anos 50 o qual, levando uma capa negra e com uma metralhadora na mão se converteu em uma espécie de justiceiro, desafiando os corruptos e poderosos que dominavam a cidade.

Ainda, destaque para Os inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade, que trata acerca da Inconfidência Mineira, movimento revolucionário contra a dominação colonial portuguesa, tendo como um de seus líderes o dentista Tiradentes. Não podia falta Dona Flor e seus dois maridos, filmada em 1976 por Bruno Barreto. É inspirada na obra homônima de Jorge Amado, um belo romance de costumes, mas carregado de ironia, lirismo, algo de sátira social e um verdadeiro esbanjamento de sensualidade.

Sempre representando personagens de caráter, Wilker encarna Poncio Pilatos no filme Maria, mãe do Filho de Deus, de Moacyr Góes. Será exibida, ainda, a fita Giovanni Improtta, dirigida e protagonizada, em 2003, pelo próprio José Wilker, na qual fala de um trapaceiro do Rio de Janeiro que deseja ascender socialmente e se legalizar.

Wilker foi, indubitavelmente, um dos melhores e mais famosos atores do audiovisual brasileiro. Teve uma brilhante carreira e foi muito reconhecido pelo público, pois encarnou personagens variados, ganhando, com suas excelente atuações, o respeito e a preferência do público. Ao todo, fez mais de 110 interpretações para o cinema e a televisão.

Este 3º Mês da Cultura Brasileira em Cuba tem um intenso programa concebido em parceria entre a embaixada do Brasil, o Ministério da Cultura, o Instituto Cubano de Cinema (Icaic) e a Casa das Américas. Mas é impossível concluir sem um suspiro: não há nem samba nem batucada...
 

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