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C U L T U R A

Havana. 12 Novembro, de 2014

24º FESTIVAL INTERNACIONAL DE HAVANA
Olhar desde o cume

Mireya Castañeda

POR sua natureza, o Festival de Balé de Havana atinge um grau máximo de plenitude. Encontro obrigado para aqueles que amam o balé pois, desde o ano 1960, constitui um potente ímã que atrai os amadores da dança.

O Festival é um imenso fórum aonde chegam dezenas de agrupações e bailarinos de todos os continentes. Um encontro onde cada dois anos podem ver-se no palco os clássicos tradicionais e os mais novos movimentos do século 21.

Durante dez dias (28 de outubro-7 de novembro) no encontro presidido pela prima ballerina assoluta Alicia Alonso estiveram representados 28 países, numa edição dedicada ao célebre dramaturgo inglês William Shakespeare, para comemorar seu 450º aniversário natalício.

Numa tentativa arriscada de resumir o acontecido, nada melhor que uma Gala de encerramento, resultando carta triunfal de culminação.

O atual diretor do Ballet de San José, Estados Unidos, o afamado bailarino cubano José Manuel Carreño, surpreendeu ao voltar ao palco com o pas de deux de outra Carmen, coreografia de Roland Petit e música de Bizet. Carreño acompanhou com seu estilo inigualável a bailarina Alesandra Meijer, elenco da companhia que agora ele dirige.

Muito querido e respeitado na Ilha, Carreño recebeu na sede do Ballet Nacional de Cuba (BNC) o Prêmio Especial Lorna Burdsall, máximo galardão que confere a seção de artes cênicas, da União dos Escritores e Artistas de Cuba (Uneac).

As figuras principais do American Ballet Theatre (ABT) Paloma Herrera e Xiomara Reyes, encheram de precisa técnica e estilo o palco da sala Avellaneda.

Xiomara Reyes, além de uma aula magistral nas Jornadas Fernando Alonso in Memoriam, dançou Great Galloping Gottschalk, acompanhada do primeiro bailarino espanhol Carlos López, recebendo a ovação que merecia.

A célebre bailarina argentina Paloma Herrera torceu por Verano porteño, junto a Juan Pablo Ledo, do Ballet Estable do teatro Colon, uma coreografia com música de Astor Piazzola e Vivaldi.

Anteriormente, no Teatro Mella, brilhou em Tchaikovski pas de deux, junto a Gonzalo García, do New York City Ballet (NYC). Ambos os bailarinos fizeram apreciar de novo o estilo Balanchine, de exigente técnica de pontas.

O primeiro bailarino do NYC, Joaquin de Luz, considerado pela crítica como um dos mais brilhantes expoentes da dança masculina atual, estreou em Cuba Cinco variaciones sobre un tema, do coreógrafo mexicano David Fernández, com música de Bach. Ainda, trouxe Other dances, que interpretou com a bailarina Ashley Bouder, também do NYC. Esta é uma coreografia de Jerome Robbins, com música de Chopin, interpretada aqui no tablado pelo premiado pianista cubano Marcos Madrigal.

A Gala incluiu a dupla do Ballet Nacional da China, Qiu Yunting e Wu Sicong, os quais dançaram com muita soltura Motley, uma dança moderna, enquanto Nadia Muzyca e Federico Fernández, do Estable de Colon, bailaram Esmeralda, de Marius Petipa.

Outra Carmen, com coreografia de Marcia Haydee, e música também de Bizet foi bem recebida, mediante a interpretação de Natalia Barrios e José Manuel Ghiso, do Ballet de Santiago do Chile. E Claudia D’Antonio e Salvatore Mazo, do San Carlos de Nápoles, dançaram Mia eterna primavera, com música de Verdi.

No encerramento, o BNC mostrou a força de sua escola, tal como durante todo o Festival. Um esplêndido Espartaco, por Yanela Piñera e Camilo Ramos, coreografia de Azary Plisetsky; La muerte de un cisne, de Michel Descombey, virtuosamente interpretado por Javier Torres (atualmente com o Northen Ballet); Anette Delgado e Dani Hernández, líricos e perfeitos em Aguas primaverales, de Asaf Messerer, e um Romeu e Julieta, de estreia em Cuba, coreografia de Michel Corder, por Yolanda Correa e Joel Carreño (atualmente com o Ballet Nacional da Noruega).

Fecharam a Gala a primeira bailarina Viengsay Valdés e o bailarino principal Víctor Estévez, com a estreia de Valsette, uma versão reduzida de Nuestros Valses, obra do coreógrafo venezuelano mais universal, Vicente Nebrada, com montagem de Yanis Pikieris.

Tive a sorte de ver quando Pikieris obteve a medalha de ouro, em 1981, no Concurso Internacional de Balé de Moscou, graças à sua técnica e estilo, ante o poderoso grupo de bailarinos russos procedentes do Bolshói e o então Kirov, novamente chamado Marinsky.

Agora, em Havana, presenteou ao BNC Valsette, três pas de deux, com música de Teresa Carreño e Ramón Delgado, interpretada ao piano por Marcos Madrigal, para um fabuloso diálogo com Viengsay e Estevez.

Viengsay, sem dúvida a primeira bailarina do BNC e a de maior projeção internacional na atualidade, se prodigalizou no Festival. Dançou O lago dos Cisnes, clássico obrigatório no repertório de todas as grandes companhias do mundo, combinação perfeita de arte e técnica, junto ao ucraniano Iván Putrov, ex-solista do Royal Ballet, mas que nesta ocasião não respondeu às expectativas. Viengsay esteve impecável no difícil papel de Odette/Odile.

Por demais, no A magia da dança, na cena de Dom Quixote, teve de partenaire o primeiro bailarino do Ballet de Washington, Brooklyn Mack, e pode dizer-se que fizeram história. Não foi suficiente para eles e ofereceram um memorável pas de deux de Diana e Acteon, de Agripina Vaganova.

A primeira bailarina também defendeu El desequilibrio, coreografia de Laura Domingo, para reforçar sua dutibilidade na dança.

Não há noite de cada dia 2 de novembro que em Havana não se dance Giselle, obra cume do romantismo que, passados 173 anos de sua estreia em Paris, ainda comove. Nesse dia de 1943, Alicia Alonso substituía outra Alicia, Márkova, no Metropolitan Opera House de Nova York e começava a lenda...

Nesta ocasião, a camponesa Willis foi assumida por Anette Delgado, grande no difícil papel, sobretudo na companhia cubana, e o Albrecht foi Dani Hernández, justo partenaire. Ambos deram uma função especial.

Neste exercício mínimo de resumo tem que estar presente Julio Bocca, reconhecido bailarino e coreógrafo argentino, uma das figuras de destaque da dança internacional que, desde o ano 2010, dirige o Ballet Nacional Sodre do Uruguai, que em 2015 completa 80 anos de fundado.

Bocca ofereceu uma aula magistral, que iniciou as jornadas em honra de Fernando Alonso (1914-2013) e teve um breve diálogo com o Granma Internacional, na sede do BNC sobre suas estadas na Ilha e seus critérios acerca da técnica e arte no balé. "É a parte que mais temos que trabalhar os professores, a parte artística, de concentração e, sobretudo, não é que não tenham o amor, mas não sabem como tirá-lo, os professores temos que lembrar a eles por que estão fazendo isto, porque esta é uma carreira que a gente escolhe".

Também se referiu aos seus encontros em Havana com a primeira bailarina Ofelia González, com quem dançou Dom Quixote e O Lago dos Cisnes, pois nessa ocasião Bocca se despedia dos palcos. "Lembro sua entrega, sua sinceridade no tablado, nem todos os bailarinos têm. As vezes que dançamos ele saía tranquilo, sabia que íamos buscar mais, a coração aberto com sua personagem e seu companheiro".

O encontro da dança não se esgota nestes exemplos, mas sim o espaço do jornal. O Festival Internacional de Balé não é uma contradição, com todas as estrelas que chegam graças, sobretudo, à faculdade de convocatória da diva Alicia Alonso, é um encontro que vai além do star system, trata-se de entregar a magia do balé no palco.

Daqui a dois anos, sem falta, Havana voltará a ser esse potente ímã que atrai os fãs da dança.
 

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