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C U L T U R A

Havana. 12 Novembro, de 2014

495º ANIVERSÁRIO DA CIDADE
A música em Havana

Rafael Lam

HAVANA tem sido sempre a cidade mais musical da América, desde os idos da colônia, tal como o demonstram seus cronistas.

"Em Havana todo mundo é músico; ao andar pelas ruas não se escuta outra coisa que violões, pianos e música". (Luciano Pérez de Acevedo, in Havana do século 19, 1830).

"Em Havana a paixão dominante é a dança, todo mundo dança em Havana. A cidade tem a fama de ser uma cidade muito alegre, onde todo homem e mulher goza, onde o povo se diverte constantemente, e por causa dessa ideia, muito geral, é que tem sido chamada de O Paris da América". (Nicolás Tanco Armero, Viagem à Nova Granada, 1852).

O primeiro carnaval, o mais importante e emblemático de Cuba foi efetuado em Havana. A ele pertencem as Charangas de Bejucal, criadas em 1840.

Em 1841, foi criado em Havana o ritmo chamado habanera. Fez a estreia no café La Lonja, na rua O’Reilly, junto à Praça de Armas, ao lado da Capitania Geral, segundo dados de Zoila Lapique.

A habanera alimentou o início de quase todas as músicas da América: o tango, a dança mexicana, o merengue, o samba e o jazz.

Paralelamente, na província de Matanzas, e na zona do porto de Havana e nos arrabaldes da zona fora das muralhas surge a rumba urbana e a conga do carnaval, nesses bairros de fora da cidade. Essa é uma das maiores honras com que conta o Centro Histórico da antiga Havana.

A cidade chegou a contar com várias "academias de dança", centenas de salões para dançar e sociedades e chegou a ser o berço dos teatros, pois ali existiam muitos mais que em qualquer outra cidade da América. Em épocas posteriores, mais de 10 mil vitrolas chegaram a soar em botecos e cafés.

As guarachas, unidas ao teatro popular, marcaram uma época com as mulatas de fogo e açúcar, no teatro Alhambra e em outros salões e palcos havanenses como o teatro Irijoa (Martí), restaurado há pouco tempo.

A guaracha (canção humorística), desde a década de 1860, se converteu na colônia em uma arma política, arte subversiva, irreverente, dos dessapossados, música de resistência, muro de contenção, como forma de oposição às zarzuelas e óperas, impostas pela aristocracia colonizadora.

Na primeira metade do século 20, devido ao auge do turismo, surgem as boates mais renomadas do continente: Sans Soucí, Montmartre e Tropicana. Mais adiante, novas boates abrem nos luxuosos hotéis do Vedado: a Parisien, no Hotel Nacional de Cuba; a Caribe do Hotel Hilton (hoje Habana Libre, n.r.) e no Capri.

Outras boates de menor categoria também eram muito populares: Alí Bar, onde cantava Benny Moré; Las Vegas, La Campana, La Sierra, Palermo, Night and Day, Cabaret Nacional e outras boatezinhas em Playa de Marianao, com uma música autêntica, algumas delas frequentadas pelo ator norte-americano Marlon Brando.

A criolla (crioula), um dos ritmos cubanos que mais se tornou popular, foi concebida em Havana pelo músico Luis Casas Romero, em 1912. Sua primeira música foi Carmela, com a letra do poeta Sergio La Villa.

Depois, Luis Casas compôs uma crioula antológica e emblemática: El Mambí, uma obra que chegou a ser cantada por todos aqueles que defendiam a liberdade. Em Havana, o son oriental veio consolidar-se, ao poderem ser escritas as letras, além das contribuições da música abakuá em certos mambo, com o toque do ekon (chocalho), a tumbadora (tambor) e o jeito de se expressarem os cantores.

Em 1928, foi criado na cidade o son-pregão El manisero, de Moisés Simon. Foi estreado pela mítica cantora Rita Montaner, na noite de 16 de setembro de 1928, no faustuoso teatro Palace, situado em Provence, perto dos grandes bulevares parisienses. O Palace concorria com o Cassino de Paris, com o Folies Bergére e com o Molulin Rouge quanto à suntuosidade dos seus espetáculos.

Rita substituiu, nada mais nada menos, que a cantora de cuplês espanhola Raquel Meyer. Em maio de 1930, Antonio Machin gravou o El Manisero em Nova York, a peça difundiu-se internacionalmente e se converteu no primeiro sucesso da música latina.

Em Havana foram concebidos, ainda, entre 1938 e 1948, ritmos como o mambo, com o poder de Arsenio Rodriguez, Arcaño y sus Maravillas, os irmãos Israel e Orestes López, os Cachaos e o gênio sublime de Dámaso Pérez Prado.

O mambo converteu.se em uma revolução, a primeira bomba atômica musical do século, feita em Cuba. Segundo o escritor Gabriel García Márquez, o mambo "pôs o planeta de pernas para cima".

O cha-cha-chá, da década de 1950, foi um outro ritmo musical ecumênico. Um bailado sem comparação, nítido, simples, com uma flauta cheia de música de uma charanga francesa à cubana.

Estas duas bombas musicais invadiram o mundo na década de 1950, pouco antes que o fizesse, perigosamente, o rock and roll de Bill Haley e Elvis Presley, em 1954. O mambo e o cha-cha-chá invadiram o mundo, especialmente os salões de dança da Europa e dos Estados Unidos. Em Havana espalhou-se uma atmosfera musical que pôs a música cubana no mapa musical do planeta todo.

No bairro havanense de Cayo Hueso, especificamente no Beco de Hamel, inicia-se o movimento feeling (cujos principais cultores eram César Portillo de La Luz, José Antonio Méndez, Angelito Diaz, Elena Burke, Omara Portuondo, Ñico Rojas, Rosendo Ruiz Quevedo e muitos mais).

O feeling fez contribuições na harmonia das composições com renovações melódicas, harmônicas e literárias. Um estilo de cantar menos trágico, mais íntimo, coloquial, sentimental e romântico.

A década de 50 é chamada pelos historiadores "A Década da Façanha Musical", devido à alta difusão internacional que consegue a música cubana no mundo todo, através da infinidade de músicos e agrupamentos que deram vida e alegria à capital da Ilha.

A década encerra em grande finale, com o aparecimento da Pachanga, de Eduardo Davidson, em 1959. A Pachanga, mais do que um ritmo, foi outra explosão.

Já em meio de outra atmosfera e clima social surge, na década de 1960, uma nova forma de fazer música, o Movimento da Nova Trova, que gera músicas de temas políticos e sociais, com uma nova visão dos textos, tanto os comprometidos quanto aos dedicados ao amor.

Na vanguarda destas canções é preciso mencionar Silvio Rodríguez e outros compositores que, em alguma medida, se inspiraram em velhos trovadores e no cronista Carlos Puebla.

E no decurso das décadas de 1960 até 1980, produziram-se várias explosões musicais de grande envergadura, com agrupamentos de relevância como a orquestra Revé, Los Van Van, Adalberto Alvarez, Dan Den, Charanga habanera, NG La Banda e outras.

Todas estas bandas e orquestras foram responsáveis, na década de 90, pelo chamado boom da sala ou timba cubana. Seguiu a isso um renascimento do son e da trova tradicional, com o fenômeno do Buenavista Social Club.

Havana continua estando aberta a todas as influências, renovações e revoluções musicais juvenis.

Atualmente, em Havana predomina uma música experimental. Diz-se que o mambo e a rumba sempre vêm ajudar a música cubana. Com certeza, em qualquer momento aparecerá uma sorte de remédio. Havana mostra hoje sua música, como um dos elementos mais ferventes da unidade, a identidade e a alegria.
 

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