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C U L T U R A

Havana. 12 de Junho, de 2014

Thelvia Marín: universo de criação

Mireya Castañeda

A notável artista cubana Thelvia Marin recebeu o prêmio Rafael Alberti, que concede o Festival Internacional de Poesia de Havana.

 O prêmio também foi concedido à poetisa nicaragüense Claribel Alegria que, a seus 90 anos, não pôde estar presente na cerimônia, realizada na sala Villena, da União dos Escritores e Artistas de Cuba (Uneac).

 Tanto Marin como Alegria, estenderam sua criação além da poesia, à escultura, narração, pintura, ensaio e ao jornalismo.

 Ao receber o reconhecimento, a artista cubana de 92 anos disse à imprensa:“Receber um prêmio com o nome de um poeta como Alberti é uma honra para mim e me compromete a continuar escrevendo e dando o melhor de mim”.

 Quando tinha 20 anos, Thelvia Marin (Sancti Spíritus, 1922) obteve uma bolsa para estudar escultura e pintura na Academia de San Alejandro, em Havana, onde foi aluna dos professores de pintura Ramón Loy e Leopoldo Romañach, os quais lhe ofereceram uma sólida formação técnica. Graduou-se em ambas as especialidades, em 1947 e 1949, respectivamente.

 Mas suas inquietações intelectuais levaram-na a estudar filosofia e letras, farmácia, psicologia e jornalismo.

 Sua primeira poesia foi A la naturaleza, e depois foram chegando mais de vinte livros, com destaque para Ego sum qui sum. Editado em 2009, em Tenerife, o volume reúne em 180 páginas, 250 fotografias de esculturas, 76 de pinturas, 80 poemas e dois contos. Verdadeiro exemplo de sua obra artística.

 Em 2011, a Associação Canarina de Cuba publicou Piel de sílabas. Antologia poética 1957-2011. Em 2006, a editora Ciencias Sociales publicou Viaje al Sexto Sol, ensaio-novelístico ou romance-ensaístico sobre os aborígines meso-americanos. O intelectual Lisandro Otero escreveu no prólogo: “Somente uma ‘rapsodista’ podia flagrar todo o caudal imaginativo, a riqueza da fantasia, a vastidão dos arcanos oníricos destes dogmas inocentes, não enturvados pela deformação civilizadora”.

 Anteriormente, em 1976, tornou público o romance testemunhal Condenados: del presídio a la vida (editora Siglo 21), com prólogo do historiador Julio Le Riverend: “Três anos de pesquisa sociológica e histórica sobre a Ilha de Pinos (atual Ilha da Juventude) e sua utilização como centro penitenciário conformam esta obra...”.

 De seus anos como conselheira cultural na Alemanha, nasceu o ensaio sobre o navio Nordstrand, e seu capitão, Heinrich Julius Theodor Lowe. Essa foi a embarcação que, em 1895, aproximou o Herói nacional José Martí, o generalíssimo Máximo Gómez e seus companheiros expedicionários das costas cubanas, para começar “a guerra necessária”.

 Porém, sem dúvida, é a escultura a paixão primeira de Thelvia Marin, onde se pode ver sua energia incessante, sua criação extensa, vigorosa, inovadora em temas e formas, de estilos, técnicas, formatos e materiais diversos.

 Os especialistas, por exemplo a pesquisadora Nieves Leonard Pie, no seu livro Thelvia Marin: las claves de su escultura, vão à tradição, obras monumentais, ambientais, de pequeno e grande formato, pois ela é abrangente.

 Em Cuba, destacam suas obras Monumento a Serafin Sánchez, general das três guerras de independência de Cuba, de 1980, em Sancti Spíritus;  A Camilo Cienfuegos, em Yaguajay, de 1987, cujo design foi concebido pelo arquiteto Pedro Pérez Argudín, e a Colina Lenin, monumento realizado em 1984, em parceria com o arquiteto Orestes del Castillo, em Regla, localidade de Havana.

 Tanto o monumento a Serafín Sánchez como a Colina Lenin têm, hoje em dia, a categoria de Monumento Nacional.

 Outras peças comemorativas de Thelvia Marín são Tríptico de Maceo; o monumento a Panchito Gómez Toro, e o monumento a Faustino Pérez, seu companheiro de luta clandestina durante a difícil década dos anos 50 em Cuba.

 No livro de Nieves Pie se destaca que “nessas obras está a inspiração poética, complementando a visualidade plástica, pois dedicado a Maceo, Thelvia escreveu o poema Raíces; para a obra de Panchito Gómez o poema Pasos e para o monumento de Yaguajay o poema Camilo.

 A vocação martiana da artista é revelada em seus oito bustos e três cabeças de Martí, em três murais dedicados ao Apóstolo em Havana e o monumento a José Martí, na Universidade para a Paz, na Costa Rica (UPAZ).

 Precisamente, nesse mesmo centro de altos estudos, criado pela ONU, está situado seu monumento ao Trabalho, ao Desarmamento e à Paz, de 21 metros de diâmetro e 18 de altura.

 Filha de mãe canarina, Marín ergueu em Grande Canária três monumentos: ao Lavrador, em Aguime; ao Emigrante, em Telde, e a Leonor Pérez, mãe de José Martí, em sua terra natal, Tenerife.

 Em Luanda, Angola, há uma cabeça esculpida por Marín, a de Aquilino Amézaga, o escravo que Serafín Sánchez ensinou a ler e o acompanha no conjunto monumental da Praça espirituana.

 Em Quito, a capital do Equador, foi declarada Hóspede Ilustre por sua criação de Índio Hatuey, colocada na Praça Indoamérica.

 De sua escultura ambiental, há uma longa lista de obras, tais como Bailarín, Los Íremes, La Fuente de Yemayá, Los delfines, Las gaviotas, Estrellas de mar, Güije, Para Leda em azul, Fuente de la Herminia, Dujo...

 Acerca das esculturas de Marín, de pequeno, médio e grande formato, os catálogos falam de: Mujer, Maternidad, Alicia Alonso, Platero y yo, Mujer de água dulce, Las manos...

 Com certeza, um prêmio não define uma obra tão abrangente, mas se leva o nome de Rafael Alberti, se lhe agradece que propicie falar de uma artista da altura intelectual de Thelvia Marín. 

 

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