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C U L T U R A

Havana. 10 de Setembro, de 2014

6º FESTIVAL LEO BROUWER DE MÚSICA DE CÂMARA
Concertos de grandes talentos

Mireya Castañeda

O maestro Leo Brouwer afirmou que o 6º Festival de Música de Câmara que leva seu nome será "de grande magnitude pelos artistas talentosos que participam".

Esta 6ª edição será dedicada especialmente ao seu 75º aniversário natalício, festividade que se estenderá o ano todo e até março de 2015.

A diretora-geral do Festival, Isabelle Hernández, explicou em coletiva, no hotel Meliá Cohiba de Havana, que se trata "dum evento cheio de surpresas" e que se estenderá de 26 de setembro a 12 de outubro.

Por sua vez, o maestro Brouwer se referiu a determinados aspectos de alguns dos 30 concertos e figuras cubanas e internacionais que participam.

Em 2 de outubro, no teatro Mella, Haydée Milanês oferecerá o concerto Palavras. Homenagem a Marta Valdés em seu 80º aniversário. "É um monográfico de Marta memorável. Marta é ao mesmo tempo Stravinsky, um Schonberg do filin, uma das compositoras mais belas que tenho ouvido", disse Brouwer.

Em diálogo especial para esta página, a compositora expressou: "A primeira coisa é agradecer a Leo. Vamos fazer algo muito belo nos polos do amor e do respeito, como ele diz. Estamos falando dum dos melhores momentos da minha vida porque Haydée Milanês trabalha comigo há dois ou três anos nesta antologia que ela tem gravado de canções minhas. Estou muito contente de completar 80 anos. Isto me motivou muito para continuar vivendo. Não tenho medo do tempo".

No disco Palabras. Haydée Milanês canta a Marta Valdés, a jovem interpreta títulos antológicos como Palabras, Deja que siga sola, Tu dominas, No te empeñes más, En la imaginación, até completar 14. "Haydée tem desenterrado algumas coisas que estavam guardadas, entre elas vários clássicos, além disso, ela é que fez os arranjos. O disco é uma beleza. E eu estou muito feliz com este trabalho", disse Marta Valdés.

Em breve diálogo com o Granma Internacional, Haydée Milanês expressou que para ela "é uma honra, primeiro participar do Festival e ter trabalhado a obra desta grande compositora cubana. Realmente tem sido difícil, um grande desafio, pois é um repertório muito difícil e que, além do mais, tem sido interpretado por grandes figuras da história da música cubana e de outras partes do mundo. Trabalhei dois anos e meio neste disco".

Sem aferrar-se a cronologias, Brouwer falou da inauguração do Festival, em 27 de setembro, no teatro Karl Marx, com o concerto Onde está a vida, de Pancho Céspedes (Cuba-México).

Céspedes disse à imprensa que sua apresentação "possivelmente esteja entre os acontecimentos mais importantes da minha vida. Agradeço muito a Leo, para mim sua dimensão é a de Mozart e Beethoven, o fato de que me tenha convidado me faz sentir artista. Vou cantar minhas canções e farei duas homenagens, a Ignácio Villa (Bola de Nieve) e a Armando Manzanero".

A seguir, Brouwer falou das "figuras internacionais de primeira magnitude", como o diretor e instrumentista espanhol Jordi Savall, "para mim, o melhor da música antiga do século 20. O descobri há 50 anos e fiquei muito impressionado".

Savall estará no concerto Les voix humaines, na Basílica Menor do convento de São Francisco de Asís, em 3 de outubro, onde terá como convidado o violonista espanhol Ricardo Gallén.

Gallén também participará do concerto O arco e a lira, em 11 de outubro, no teatro Martí, junto aos extraordinários violoncelistas Yo-Yo Ma (França-EUA) e Carlos Prieto (México) e Guitar duo, do Brasil.

Leo Brouwer explicou que esta é uma peça escrita por ele para comemorar o centenário do poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz. A obra toma o nome do volume escrito em 1956 pelo pensador e poeta, Prêmio Nobel de Literatura.

"Também marcará presença o violinista norueguês Henning Kraggerud, que vai tomar o lugar de Jacha Heifetz, David Oistrakh e Itzhak Periman". Em 28 de setembro Kraggerud oferecerá o concerto Noruega em sua música no teatro Martí, com obras de Halvorsen, Olé Bull, Grieg, Svendsen e o proprio Kraggerud. Também participará a Schola Cantorum Coralina dirigida por Alina Orraca e a Orquestra de Câmara de Havana, regida pelo maestro Brouwer.

Depois se referiu ao Quarteto latino-americano de cordas (México) que "tem no seu repertório a integral de Ginastera (Argentina), Revueltas (México) e Villa-Lobos (Brasil) os tres grandes. Vão interpretar a obra do rockeiro britânico Elvis Costello, Cartas a Julieta, uma homenagem a William Shakespeare". No concerto, em 9 de outubro no teatro Martí, estará a flautista cubana Niurka González e o cantor Augusto Enríquez.

Em 1º de outubro, no teatro Karl Marx, se anuncia Fito Paez essencial. "Ele quer cantar a Silvio e a Pablo. Eu fiz os arranjos de ambos, sob a direção da Orquestra de Câmara de Havana. Vou compartilhar com Daiana García, que dirige a orquestra com excelência. É uma felicidade poder convidar jovens talentos", comentou Brouwer.

"Entre as novidades do Festival estão as chamadas Noites Brancas, que significam grandes festejos noturnos na Europa, e nós, a partir da iniciativa de Isabelle Hernández, comemoraremos, in memoriam, de Julio Cortázar em seu centenário, Tata Guines, Santiago Feliu, Juan Formell e Paco de Lucía".

O Festival sempre se tem caracterizado pela diversidade e união das artes, com conferências, aulas magistrais, performances, espetáculos teatrais, de dança, cinema e exposições.

Leo Brouwer se deteve especialmente na exposição Pintura en acción, de Eduardo Roca (Choco), a quem considerou "um dos grandes pintores. Vamos fazer uma exposição descomunal por seu 65 aniversário natalício".

Choco disse que seu aniversário "será celebrado com um Festival de música porque Leo sempre tem ideias impressionantes. Para mim este convite significa um compromisso. Eu queria ser músico, e isso foi uma grande frustração, mas agora os músicos me dão as cores. La Fábrica de Arte me deu a chance de pôr minha obra em movimento, vão poder tocar e dançar com ela. Há texturas, cores, ritmos. Haverá quadros, instalações e algo mais. São obras que vão ganhar vida".

Neste ano por primeira vez no Festival e em Cuba, depois de 15 anos, o maestro Leo Brouwer dará aulas magistrais de violão, nos dias 2 e 3 de outubro no teatro Miramar.

Para o encerramento do evento, em 12 de outubro, no teatro Karl Marx, e muito simpática ou casualmente?, no mal chamado Dia da Raça (pela "descoberta" da América em 1492) será apresentado o concerto para piano e orquestra Ancestros que o relevante compositor tem dedicado ao muitas vezes premiado pianista cubano Chucho Valdés.

"Dedico este concerto a Chucho porque ele é um gênio do piano, um irmão mais novo a quem quero muito. Ele me pediu e não pude resistir. É um concerto para um jazzista, não de jazz, embora tivesse ares de jazz".

De imediato, Leo Brouwer confirmou: "Sim, este é o último Festival. O primeiro ia ser o único e continuou a pedido dos artistas participantes e do público que suportou minha música. No primeiro coincidiu que comemorávamos meu 70 aniversário natalício, e agora cinco mais, então, eu creio que é um ciclo que fechamos, resultado de muito trabalho e estamos felizes com isto. Vou aproveitar estes 30-40 anos mais que me restam, quero escrever. Não vou fazer minhas memórias porque usualmente têm o bom e o mau e eu sempre apago o mau".

Resta então desfrutar ao máximo este excepcional Festival, suas intensas e maravilhosas jornadas de música, dança e plástica que o maestro Leo Brouwer nos presenteia.
 

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