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Havana. 12 Novembro, de 2014

Fihav 2014
Ponte comercial entre Cuba e o mundo

Livia Rodriguez Delis

A recentemente finalizada 32ª edição da Feira Internacional de Havana (Fihav) caracterizou-se por ser uma das mais sólidas na concretização de novos projetos que poderão contribuir para a dinamização da economia de Cuba.

E é que a Fihav se afiançou como ponto de referência de novas relações comerciais mais fortes, eficientes e com objetivos bem definidos, apoiadas pela apresentação da carteira de negócios, as garantias que oferece a Lei 118 do Investimento Estrangeiro, aprovada neste ano, e os avanços da quase recém-estreada Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel (ZEDM).

No encerramento do evento, o vice-presidente do Conselho de Ministros, Ricardo Cabrisas Ruiz, afirmou que a feira deste ano marcará um acontecimento histórico, por ser a primeira dedicada à promoção do investimento estrangeiro. E assegurou que culminou com um balanço positivo, que se manifesta através de maior desenvolvimento tecnológico, um nível superior na preparação e na qualidade das mostras.

Quanto à carteira de negócios apresentada, esclareceu que não constitui uma lista de interesses, mas sim de objetivos bem definidos no Programa de Desenvolvimento Econômico e Social do país, no qual se concebe a importante participação do capital de fora.

Explicou que a prioridade é a captação dos investimentos do capital estrangeiro, com o fim de dinamizar o desempenho da produção e dos serviços, e exortou os empresários cubanos a, além de manterem e avançarem nos contatos já estabelecidos, continuar estudando os países que possam significar novos negócios, fundamentalmente em capital e tecnologia.

"Os empresários cubanos adquirem grande responsabilidade, a partir das políticas e decisões adotadas relativamente à separação das funções estatais das empresariais, a concessão de maior autonomia e alargar as faculdades da empresa estatal socialista, garantindo um âmbito de gestão mais flexível e menos centralizado", precisou.

Cabrisas agradeceu a participação no evento dos homens de negócios e das delegações oficiais o que, afirmou, constitui uma amostra do crescente interesse neste evento em nível internacional.

OS PREMIADOS

Na última noite do evento, como já é habitual, foram entregues os prêmios à qualidade dos produtos, ao estande, ao melhor design, entre outras categorias. Cuba, o Brasil e a Espanha foram as nações que mais prêmios conseguiram, com medalhas de ouro e menções à qualidade do produto, o design e outras categorias.

Na categoria de melhor pavilhão foram premiados os da Alemanha, Brasil, Argentina e o México, o país mais representado foi a Espanha, com 312 empresas expondo seus produtos e o que mais cresceu quanto à participação foi o Brasil.

EMPRESÁRIOS OPINAM

"Não existe na região um evento com a organização e o poder de convocatória da Feira de Havana". Assim opinou ao Granma Internacional o empresário basco Ignacio Uriarte, presidente das companhias Idurgo (talheres de luxo) e Capeans (baixela de luxo), e representante da entidade Vicrila (cristais).

Estas empresas — Idurgo, com 55 anos no mercado; Capeans, 70 e Vicrila, 125 — são muito conhecidas na Espanha pela qualidade e elegância de seus produtos, os quais estão presentes desde o lar do espanhol comum até a Casa Real do país europeu.

"Nem Chile, nem a Argentina, nem a Colômbia têm uma Feira como a de Havana, com esta quantidade de expositores da América e Europa, por exemplo. Desde aqui temos feito negócios com uma pequena usina do Uruguai para ensinar-lhes a produzir estes produtos. Esta Feira é vital para todos."

Acerca das oportunidades que se abrem na Ilha disse: "Nós levamos estabelecidos em Cuba há 24 anos, temos uma empresa cooperada com o governo cubano que fabrica talheres, a qual neste momento não se encontra em operações, mas queremos estabelecer-nos com muita força".

"Como? Pois, indubitavelmente vamos pôr em andamento a usina de talheres 30 de noviembre, situada em Santiago de Cuba; a de pratos do município especial da Ilha da Juventude e a de cristais do município de La Lisa, em Havana".

"Estas três empresas", afirmou Uriarte, "que deverão entrar em funcionamento no ano 2015, serão montadas com tecnologias modernas e maquinarias de última geração, com as quais se poderão fabricar 300 milhões de copos e por volta de 30 milhões de pratos, aproximadamente".

"A usina de Santiago de Cuba passará de empresa mista a ser administrada totalmente por Idurgo, e ali, tal como no resto das entidades, nós contribuiremos com o saber-fazer e o equipamento, enquanto Cuba porá a mão de obra e o pessoal qualificado, e em um prazo de três anos serão entregues totalmente à parte cubana."

Sua experiência lhe permite ver que a materialização dos projetos no setor turístico é uma boa base para assentar-se com mais força na Ilha e aprofundar os vínculos comerciais:

"Agora, com a nova lei do investimento estrangeiro, as condições são ótimas para investir em Cuba quanto a impostos, ao local, à força de trabalho e outras garantias que oferece o governo cubano; isso interessa aos empresários e depois de 24 anos não vamos perder a chance".

ENGENHARIA DE PRECISÃO VINDA DA ESPANHA

Com a sede perto de Madri desde o ano 1998 a empresa familiar Escribanos, cujo diretor de desenvolvimento e negócios, Juan Manuel García, determinou chegar à Feira de Havana com outro conceito de entrada ao mercado.

A empresa espanhola se especializa no fabrico de peças em mecanização de elementos de muita alta precisão, para áreas como a indústria e a aviação2 que necessitam deste tipo de componentes.

Pela capacidade de produção, as máquinas especializadas da Escribanos podem ser utilizadas para a produção de trens de pouso e se podem adaptar para a obtenção de elementos específicos de qualquer setor.

É por isso que o objetivo desta entidade espanhola em Cuba não é somente vender equipamentos, mas estabelecer alianças estratégicas com empresas claves, às quais transferiria tecnologia e conhecimentos para que a capacidade industrial se regenere e que a Ilha adquira autonomia para sustentá-la durante o ciclo de vida desses sistemas.

"Não podemos fornecer equipamentos que tragam algum benefício a médio e longo prazo; pelo que vemos que a transferência de tecnologia, de conhecimento e de ajuda à industrialização de um país é um veículo muito mais efetivo para o país receptor."

"Há outras vantagens adicionais: cria força de trabalho, acumula tecnologia que pode servir de base para a diversificação de peças para equipamentos de outros setores, mais sofisticados ou de uma natureza específica para as empresas cubanas."

Além de outros contatos, a Fihav deu-lhe a oportunidade de reunir-se com empresários cubanos interessados na capacitação: Têm-nos pedido ajuda para a formação concreta na utilização de máquinas de cinco eixos, devido ao número considerável desse tipo de equipamento que temos em nossas fábricas e nossa experiência industrial.

ARMAZENAMENTO DE ÚLTIMA TECNOLOGIA PARA MARIEL

A empresa francesa PIRS que, desde há 30 anos constrói estruturas de última tecnologia com fins diversos, fundamentalmente de armazenagem, veio pela primeira vez à Fihav 2014 motivada pela abertura, há um ano, da Zona Especial de Desenvolvimento Mariel.

"Somente há três empresas no mundo, que se dedicam a este tipo de estrutura: duas estadunidenses e a PIRS, a qual tem obras construídas em 15 países do mundo", afirmou Julio Cesar González, representante para a América Latina e o Caribe.

O empresário corroborou que sua presença em Cuba tem como fim participar na zona dedicada a silos para os cereais, concebida para o Mariel e considerou que as soluções de sua entidade são as idôneas para essa tarefa.

Contrário das estruturas tradicionais de armazenamento com silos metálicos, as propostas pela entidade francesa são em forma de domo, não se corroem, não se oxidam, controlam a temperatura e os níveis de umidade dos produtos e têm sistemas automáticos de carga e descarga.

"Entre suas vantagens, também se destaca a resistência desses armazéns a fortes ventos, movimentos telúricos; e para o açúcar, milho e sementes são mais competentes" embora se possam armazenar nessas estruturas todo o tipo de produtos".

Durante a Feira, na qual identificaram negócios em setores como o níquel, seus empresários tiveram encontros com funcionários do Ministério da Indústria Alimentar e do Ministério de Agricultura, aos quais manifestaram seu interesse de contribuir ao aumento da capacidade de armazenamento de Cuba.
 

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