Tivemos um bom Congresso, que realmente começou no mês de Outubro
do ano passado com as reuniões abertas das quais participaram
centenas de milhares de jovens, continuou com as assembleias de
balanço das organizações de base e dos comités municipais e
provinciais, onde se foram conformando os acordos adoptados nestas
sessões finais.
Se algo abundou nos pouco mais de cinco anos transcorridos desde
que Fidel proferiu o discurso de encerramento do VIII Congresso da
UJC, no dia 5 de Dezembro de 2004, foi o trabalho e os desafios.
Realizamos este Congresso em meio de uma das mais ferozes e
concertadas campanhas mediáticas contra a Revolução Cubana nos seus
50 anos de existência, tema ao qual terei que fazer referência mais
para frente.
Apesar de que não pude participar nas assembleias prévias ao
Congresso, fiquei a par de todas elas de maneira resumida. Conheço
que se falou pouco de resultados para concentrar-se nos problemas,
olhando para dentro e sem utilizar mais tempo do que verdadeiramente
é necessário em avaliar os factores externos. É o estilo que deve
caracterizar de maneira permanente o trabalho da UJC, perante
aqueles que se dedicam a procurar a palha no olho alheio em vez de
empregar esse esforço em fazer o que lhes corresponde.
Foi gratificante escutar muitos jovens dedicados à produção que
explicaram, com orgulho e palavras simples, o trabalho que realizam
sem mencionar dificuldades materiais e obstáculos burocráticos que
os afectam.
Muitas das deficiências analisadas não são novas, acompanham a
organização há muito tempo, sobre elas os congressos anteriores
adoptaram os acordos correspondentes e contudo reiteram-se em maior
ou menor medida, o que demonstra a insuficiente sistematização e
rigor no controlo do seu cumprimento.
Neste sentido é justo e necessário repetir algo no qual
insistiram os companheiros Machado e Lazo, que presidiram numerosas
assembleias: o Partido também se sente responsável por cada
deficiência do trabalho da UJC, muito especialmente nos problemas na
política de quadros.
Não devemos permitir que, mais uma vez, os documentos aprovados
se tornem letra morta e sejam engavetados a modo de memória. Devem
constituir o guia para a acção quotidiana no nível do Bureau
Nacional e de cada militante. O fundamental já foi acordado por
vocês, agora o que resta é trabalhar.
Alguns são muito críticos ao se referirem à juventude de hoje e
esquecem que eles também foram jovens. Seria ilusório pretender que
as novas gerações sejam iguais àquelas de épocas passadas, um sábio
provérbio diz: os homens têm mais parecido ao seu tempo do que aos
seus pais.
Os jovens cubanos sempre estão dispostos a afrontarem os desafios,
assim o demonstraram na recuperação dos danos causados pelos
furacões, no enfrentamento às provocações do inimigo e nas tarefas
da defesa, poderia mencionar muitos mais.
A idade média dos delegados ao Congresso é de 28 anos, portanto,
todos cresceram nestes duros anos do período especial e foram
participes dos esforços de nosso povo para manter as conquistas
principais do socialismo no meio de uma situação económica muito
complexa.
Precisamente pela importância de que a vanguarda da juventude
esteja a par da nossa realidade económica, a Comissão do Bureau
Político, tendo em consideração a positiva experiência da análise
realizada a esse respeito com os Deputados da Assembleia Nacional,
aprovou oferecer às assembleias municipais da UJC uma informação que
descreve, sem disfarce, a situação actual e as perspectivas nesta
matéria, a qual receberam mais de 30 mil jovens militantes, do mesmo
jeito que os principais dirigentes partidaristas, das organizações
populares e dos governos nos diferentes níveis.
A batalha económica constitui hoje, mais do que nuca, a tarefa
principal e o centro do trabalho ideológico dos quadros, porque dela
depende a sustentabilidade e preservação do nosso sistema social.
Sem uma economia sólida e dinâmica, se não são eliminados os
gastos supérfluos e o esbanjamento, não se poderá avançar na
elevação do nível de vida da população, nem será possível manter e
melhorar os elevados níveis atingidos na educação e na saúde
garantidos gratuitamente a todos os cidadãos.
Sem uma agricultura forte e eficiente que podemos desenvolver com
os recursos que temos, sem sonhar com as grandes verbas de outros
tempos, não podemos aspirar a sustentar e elevar a alimentação da
população, que ainda depende muito da importação de produtos que
podem ser cultivados em Cuba.
Enquanto as pessoas não sintam a necessidade de trabalharem para
viver, amparadas nas regulamentações estatais excessivamente
paternalistas e irracionais, jamais estimularemos o amor pelo
trabalho, nem daremos solução à falta crónica de construtores,
operários agrícolas e industriais, professores, policiais e outros
ofícios indispensáveis que vão desaparecendo aos poucos.
Sem a firme e sistemática rejeição social às ilegalidades e
diversas manifestações de corrupção, não poucos continuarão a se
enriquecer a custa do suor da maioria, disseminando atitudes que
atacam directamente a essência do socialismo.
Se mantemos vagas exageradas em quase todos os âmbitos dos
afazeres nacionais e pagamos salários que não se correspondem com os
resultados, elevando o volume de dinheiro em circulação, não podemos
esperar que os preços detenham o seu aumento constante, deteriorando
a capacidade aquisitiva do povo. Sabemos que sobram centenas de
milhares de trabalhadores nos sectores orçamentado e empresarial,
alguns analistas calculam que o excesso de vagas ultrapassa o milhão
de pessoas e este é um assunto muito sensível que estamos no dever
de enfrentar com firmeza e sentido político.
A Revolução não deixará ninguém desamparado, lutará por criar as
condições para que todos os cubanos tenham empregos dignos, mais não
se trata de que o Estado seja o encarregado de colocar cada um
depois de várias ofertas de trabalho. Os primeiros interessados em
encontrar um trabalho socialmente útil devem ser os próprios
cidadãos.
Resumindo, continuar gastando por cima das receitas significa
simplesmente malgastar o futuro e pôr em risco a própria
sobrevivência da Revolução.
Enfrentamo-nos a realidades nada agradáveis, mas não fechamos os
olhos perante elas. Estamos certos de que há que romper dogmas e
assumimos com firmeza e confiança a actualização, já em andamento,
do nosso modelo económico, com o propósito de criar as bases da
irreversibilidade e o desenvolvimento do socialismo cubano, que
sabemos constitui a garantia da independência e da soberania
nacional.
Não ignoro que alguns companheiros às vezes ficam desesperados,
desejando mudanças imediatas em múltiplas esferas. Naturalmente
refiro-me agora àqueles que o fazem sem a intenção de fazer o jogo
ao inimigo. Compreendemos essas inquietações que geralmente têm a
sua origem no desconhecimento da magnitude da tarefa que temos na
nossa frente, da profundidade e da complexidade das inter-relações
entre os diferentes factores do funcionamento da sociedade as quais
deverão ser modificadas.
Aqueles que pedem avançar mais rápido, devem ter em conta o
rosário de assuntos que estamos a estudar, dos quais hoje só lhes
mencionei alguns. Devemos evitar que por ter pressa ou por
improvisar, tentando solucionar um problema, provoquemos outro ainda
maior. Em assuntos de envergadura estratégica para a vida de toda a
nação não podemos deixar-nos levar por emoções e actuar sem a
integralidade necessária. Essa é, como já explicamos, a única razão
pela qual decidimos adiar mais alguns meses a realização do
Congresso do Partido e a Conferência Nacional que o precederá.
Este é o maior e mais importante desafio que temos para garantir
a continuidade da obra construída nestes 50 anos, que a nossa
juventude assumiu com total responsabilidade e convicção. A palavra
de ordem que preside este Congresso é: "Tudo pela Revolução" e isso
significa, em primeiro lugar, fortalecer e consolidar a economia
nacional.
Cabe a juventude cubana ser o relevo da geração fundadora da
Revolução e para conduzir a grande força das grandes maiorias
precisa de uma vanguarda que convença e mobilize, a partir da
autoridade que emana do exemplo pessoal, encabeçada por dirigentes
firmes, capazes e prestigiosos, verdadeiros líderes, não
improvisados, que tenham passado pela insubstituível forja da classe
operária, em cujo seio são cultivados os valores mais genuínos de um
revolucionário. A vida nos tem demonstrado com eloquência o perigoso
de violar esse princípio.
Fidel o expressou claramente no encerramento do Segundo Congresso
da UJC, no dia 4 de Abril de 1972: cito:
"Ninguém aprenderá a nadar sobre a terra, e ninguém caminhará
sobre o mar. O homem é feito por seu meio ambiente, o homem é feito
por sua própria vida, por sua própria actividade". E concluiu:
"Aprenderemos a respeitar o que é criado pelo trabalho, criando.
Ensinaremos a respeitar esses bens, ensinando-o a criar esses bens."
Esta ideia, proferida há 38 anos e que certamente foi aclamada
naquele congresso, é mais outra amostra evidente dos assuntos que
acordamos e que depois não cumprimos.
Hoje mais do que nunca precisasse de quadros capazes de levar a
cabo um trabalho ideológico efectivo, que não pode ser diálogo de
surdos nem repetição mecânica de consignas; dirigentes que razoem
com argumentos sólidos, sem crer-se donos absolutos da verdade; que
saibam escutar, embora não agrade o que alguns digam; que avaliem
com mente aberta os critérios dos outros, o que não exclui rebater
com fundamentos e energia aqueles que resultem inaceitáveis.
Fomentar a discussão franca e não ver na discordância um
problema, mas sim a fonte das melhores soluções. A unanimidade
absoluta geralmente é fictícia e por conseguinte daninha. A
contradição, quando não for antagónica como é o nosso caso, é motor
do desenvolvimento. Devemos suprimir, com toda intencionalidade,
tudo o que alimente a simulação e o oportunismo. Aprender a
uniformizar as opiniões, estimular a unidade e fortalecer a direcção
colectiva, são características que devem identificar os futuros
dirigentes da Revolução.
Em todo o país existem jovens com atitude e capacidade
necessárias para assumirem tarefas de direcção. O desafio é descobri-los,
prepará-los e dar-lhes vagarosamente maiores responsabilidades. As
grandes maiorias encarregar-se-ão de corroborar que a selecção foi
correcta.
Apreciamos que se continua avançando no referente à composição
étnica e de género. É uma direcção na qual não nos podemos permitir
retrocessos nem superficialidades e na qual a UJC deve trabalhar de
maneira permanente. A propósito, recalco que é outro dos acordos que
adoptamos, neste caso, há 35 anos, no Primeiro Congresso do Partido,
cujo cumprimento depois deixamos à geração espontânea e não
controlamos como correspondia, sendo este, além disso, um dos
primeiros pronunciamentos de Fidel em reiteradas ocasiões, desde que
triunfou a Revolução.
Como lhes dizia no início, a realização deste Congresso coincidiu
com uma descomunal campanha de descrédito contra Cuba, organizada,
dirigida e financiada desde os centros do poder imperial nos Estados
Unidos da América e na Europa, içando hipocritamente as bandeiras
dos direitos humanos.
Foi manipulada com cinismo e desfaçatez a morte de um indivíduo
sancionado à privação de liberdade em 14 causas por delitos comuns,
devido por obra e graça da mentira repetida e do afã de receber
apoio económico do exterior, num "dissidente político", que foi
instado a manter uma greve de fome com exigências absurdas.
Morreu apesar dos esforços de nossos médicos, o que também
lamentamos no seu momento e denunciamos aos únicos beneficiários
deste facto, os mesmos que hoje instam mais outro indivíduo a que
continue essa atitude similar de chantagem inaceitável. Este último,
apesar de tanta calúnia, não está no cárcere, é uma pessoa em
liberdade que cumpriu sanção por delitos comuns, especificamente por
ter agredido e lesionado uma mulher, médica e directora de um
hospital, a quem também ameaçou de morte, e depois a uma pessoa
idosa de quase 70 anos, a quem tiveram que extirpar o baço. Do mesmo
jeito que no caso anterior, se estão a fazer todos os possíveis por
lhe salvar a vida, porém se não muda sua atitude de autodestruição,
será responsável, juntamente com seus patrocinadores, pelo desenlace
que também não desejamos.
É repugnante a dupla moral daqueles que na Europa guardam
cúmplice silêncio perante as torturas na chamada guerra contra o
terrorismo, permitiram voos clandestinos da CIA que trasladavam
prisioneiros e até prestaram o seu território para a criação de
cárceres secretos.
O que é que diriam se do mesmo modo do que eles, tivéssemos
violado as normas éticas e alimentássemos pela força estas pessoas,
como se tem feito habitualmente, entre muitos outros centros de
tortura, na Base Naval de Guantánamo. E certamente, são os mesmos
que em seus próprios países, como é mostrado pela televisão quase
diariamente, usam as forças policiais montadas a cavalo contra
manifestantes, espancando-os e disparando-lhes gases lacrimogéneos,
e até balas. O que dizer dos frequentes maus-tratos e humilhações
aos quais são submetidos os imigrantes?
A grande imprensa ocidental não só ataca Cuba, também estreou uma
nova modalidade de implacável terror mediático contra os líderes
políticos, intelectuais, artistas e outras personalidades que em
todo o planeta alçam sua voz contra a falácia e a hipocrisia e
simplesmente avaliam os acontecimentos de maneira objectiva.
Enquanto isso, poderia parecer que os porta-bandeiras da
cacarejada liberdade de imprensa esqueceram que o bloqueio económico
e comercial contra Cuba e todos seus inumanos efeitos sobre o nosso
povo, conservam plena vigência e se recrudescem; que a actual
administração dos Estados Unidos da América não cessa no mais mínimo
o apoio à subversão; que a injusta, discriminatória e ingerencista
posição comum da União Europeia, patrocinada no seu momento pelo
governo norte-americano e pela extrema-direita espanhola, continua a
reclamar uma mudança de regime em nosso país, ou dito de outra
maneira, a destruição da Revolução.
Mais de meio século de combate permanente ensinou o nosso povo
que a hesitação é sinónimo de derrota.
Custe o que custar, jamais cederemos à chantagem de nenhum país
ou conjunto de nações por mais poderosas que sejam. Temos o direito
a nos defender.
Saibam que se pretendem encurralar-nos, saberemos resguardar-nos
na verdade e nos princípios. Mais uma vez seremos firmes, calmos e
pacientes. Sobram os exemplos na nossa história!
Foi assim que lutaram nossos heróicos mambises nas guerras pela
independência no século XIX.
Dessa maneira derrotamos a última ofensiva de dez mil soldados da
tirania fortemente armados, enfrentados inicialmente por apenas 200
combatentes rebeldes que sob o comando directo do Comandante-em-Chefe
Fidel Castro Ruz, durante 75 dias, de 24 de Maio a 6 de Agosto de
1958, levaram a cabo mais de 100 acções combativas, incluídas quatro
batalhas num pequeno território de entre 650 e 700 quilómetros
quadrados, isto é, uma área menor do que a ocupada pela Cidade de
Havana. Esta grande Operação decidiu o curso da guerra e após pouco
mais de quatro meses triunfou da Revolução, o que motivou o
Comandante Ernesto Che Guevara a escrever em seu diário de campanha,
cito: "O exército batistiano saiu com sua espinha dorsal quebrada
desta última ofensiva sobre a Sierra Maestra". Fim da cita.
Tampouco nos amedrontou a frota ianque em frente das costas da
Baia dos Porcos, em 1961. Nos seus próprios narizes aniquilamos o
seu exército mercenário, no que constituiu a primeira derrota de uma
aventura militar dos Estados Unidos da América neste continente.
Fizemo-lo novamente em 1962 durante a Crise de Outubro. Não
cedemos nem um milímetro perante as brutais ameaças de um inimigo
que nos apontava com as suas armas nucleares e dispunha-se a invadir
a ilha, nem sequer o fizemos quando, negociadas às nossas costas as
condições para solucionar a crise, os dirigentes da União Soviética,
o principal aliado em tão difícil conjuntura e de cujo apoio
dependia a sorte da Revolução, de maneira respeitosa tentaram
convencer-nos para que aceitássemos a inspecção no solo pátrio da
retirada do seu armamento nuclear e lhes respondemos que em todo o
caso seria feito a bordo dos seus navios em águas internacionais,
mas jamais em Cuba.
Estamos certos que circunstâncias piores do que aquelas
dificilmente possam ser repetidas.
Já em época mais recente, o povo cubano deu uma amostra
inesquecível da sua capacidade de resistência e confiança em si
próprio quando, como resultado da desaparição do campo socialista e
da desintegração da União Soviética, Cuba sofreu o declínio em 35
por cento, do seu Produto Interno Bruto; a redução do comércio
exterior em 85 por cento; a perda dos mercados das suas principais
exportações como o açúcar, o níquel, os citrinos e outros, cujos
preços desceram a metade; a desaparição de créditos em condições
favoráveis com a conseguinte interrupção de numerosos investimentos
vitais como a primeira Central eletronuclear e a Refinaria de
Cienfuegos, o colapso do transporte, as construções e a agricultura
ao desaparecer subitamente o fornecimento de peças de reposição para
a técnica, os fertilizantes, a ração e as matérias-primas das
indústrias, provocando a parada de centenas e centenas de fábricas e
o abrupto deterioro quantitativo e qualitativo da alimentação do
nosso povo até níveis por baixo da nutrição recomendada. Todos
sofremos aqueles calorosos verãos da primeira metade da década de 90
do século passado com blecautes superiores à 12 horas diárias por
falta de combustível para gerar electricidade, e enquanto tudo isso
acontecia, dezenas de agências de imprensa ocidentais, algumas delas
sem dissimular a sua euforia, enviavam correspondentes a Cuba com a
intenção de serem as primeiras em reportarem a derrota definitiva da
Revolução.
No meio desta dramática situação, ninguém ficou abandonado a sua
sorte e ficou evidenciado a força que emana da unidade do povo
quando são defendidas ideias justas e uma obra construída com tanto
sacrifício. Só um regime socialista, apesar das suas deficiências, é
capaz de superar tamanha prova.
Portanto não nos tiram o sono as actuais escaramuças da ofensiva
da reacção internacional, coordenada como sempre por aqueles que não
se resignam a compreenderem que este país jamais será subjugado por
uma via ou por outra, antes prefere desaparecer como o demonstramos
em 1962.
Há apenas 142 anos, no dia 10 de Outubro de 1868, começou esta
Revolução, nessa altura lutava-se contra um colonialismo europeu
decadente, sempre sob o boicote do nascente imperialismo
norte-americano que não desejava nossa independência, até que a
"fruta madura" caísse por "gravidade geográfica" nas suas mãos.
Desse modo aconteceu após mais de 30 anos de guerras e enormes
sacrifícios do povo cubano.
Agora os actores externos intercambiaram os seus papéis. Há mais
de meio século nos agride e assedia constantemente o já moderno e
mais poderoso império do planeta, auxiliando-se do boicote que
entranha a ultrajante Posição Comum, que se mantém intacta graças às
agressões dalguns países e das forças políticas reaccionárias da
União Europeia com diversos condicionamentos inaceitáveis.
Perguntamo-nos, por quê? E consideramos que simplesmente porque
na essência os actores continuam a ser os mesmos e não renunciam às
suas velhas aspirações de dominação.
Os jovens revolucionários cubanos compreendem perfeitamente que
para preservar a Revolução e o socialismo e continuar sendo dignos e
livres têm daqui em diante muitos anos mais de luta e de sacrifícios.
Ao mesmo tempo, para a humanidade pairam colossais desafios e
cabe, em primeiro lugar, aos jovens enfrentá-los. Trata-se de
defender a sobrevivência mesma da espécie humana, ameaçada como
nunca perante a mudança climática, que se acelera pelos padrões
irracionais de produção e consumo que engendra o capitalismo.
Hoje no planeta somos sete biliões de habitantes. Metade deles
são pobres, mil e vinte milhões têm fome. Cabe perguntar-se que
acontecerá no ano 2050, quando a população mundial atinja os nove
biliões e as condições de existência na Terra tenham-se deteriorado
ainda mais.
A farsa em que concluiu a última cimeira na capital de Dinamarca,
em Dezembro do ano passado, demonstra que o capitalismo com as suas
cegas leis de mercado jamais resolverá esse nem muitos outros
problemas. Só a consciência e a mobilização dos povos, a vontade
política dos governos e o avanço do conhecimento científico e
tecnológico poderão impedir a extinção do homem.
Para finalizar gostaria de fazer referência a que no mês de Abril
do ano próximo completar-se-á meio século da proclamação do carácter
socialista da Revolução e da vitória esmagadora sobre a invasão
mercenária na Baia dos Porcos. Celebraremos estes transcendentais
acontecimentos em todos os cantos do país, de Baracoa onde tentaram
desembarcar um batalhão, até o extremo ocidental da nação, e na
capital realizaremos um grande desfile popular e uma revista
militar, actividades todas nas quais trabalhadores, intelectuais e
jovens serão os principais protagonistas.
Daqui a poucos dias, em Primeiro de Maio, nosso povo
revolucionário, em todo o país, nas ruas e praças públicas que por
direito lhe pertencem, dará mais outra contundente resposta a esta
nova escalada internacional de agressões.
Cuba não teme à mentira nem se ajoelha perante pressões,
condicionamentos ou imposições, venham donde vierem, defende-se com
a verdade, que sempre, mais cedo do que tarde, se impõe.
Um dia como hoje, há 48 anos, nasceu a União de Jovens
Comunistas. Naquele histórico 4 de Abril de 1962 Fidel asseverou:
"Crer nos jovens é ver neles além do entusiasmo, capacidade; além
da energia, responsabilidade; além da juventude, pureza, heroísmo,
carácter, vontade, amor à pátria, fé na pátria! amor à Revolução!,
fé na Revolução, confiança em si próprios!, convicção profunda de
que a juventude pode, de que a juventude é capaz, convicção profunda
de que sobre os ombros da juventude podem ser depositadas grandes
tarefas", concluiu.
Assim foi ontem, é hoje e continuará a ser no futuro.
Muito obrigado.